{"id":40447,"date":"2020-04-06T12:53:36","date_gmt":"2020-04-06T15:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=40447"},"modified":"2020-04-06T12:53:36","modified_gmt":"2020-04-06T15:53:36","slug":"denuncia-funcionarios-da-dasa-afirmam-que-sao-orientados-a-trabalhar-com-sintomas-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=40447","title":{"rendered":"DEN\u00daNCIA: Funcion\u00e1rios da Dasa afirmam que s\u00e3o orientados a trabalhar com sintomas da Covid-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--small dd-m-background-energized-light\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-10 col-md-10 col-lg-offset-1 col-md-offset-1\">\n<h3 class=\"dd-m-text dd-m-text--big font-MerriWeather\"><strong>T\u00e9cnicos do maior laborat\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina, que trabalham com testes do novo coronav\u00edrus, denunciam a aus\u00eancia de EPIs e neglig\u00eancia m\u00e9dica da empresa; Dasa negou acusa\u00e7\u00f5es em nota<\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-share\">\n<div class=\"dd-m-icon__group-icons\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<p class=\"dd-m-text dd-m-text--smallest dd-m-alignment--center\">\u00a0<strong>Escrito por: <a class=\"dd-m-color-assertive\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2020\/04\/funcionarios-da-dasa-afirmam-que-sao-orientados-a-trabalhar-com-sintomas-da-covid-19\/?mc_cid=b4b8cf678c&amp;mc_eid=ae3c2d768c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julia Dolce &#8211; Ag\u00eancia P\u00fablica de Jornalismo<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"dd-m-image__group__by-whom\"><i class=\"fa fa-camera\" aria-hidden=\"true\"><\/i> Reprodu\u00e7\u00e3o<\/div>\n<figure class=\"dd-m-image__group\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsnews72bb03d42d2710eea4a-700x460xfit-4e621.jpg\" alt=\"notice\" data-src-web=\"\/images\/cache\/systemuploadsnews72bb03d42d2710eea4a-700x460xfit-4e621.jpg\" data-src-tablet=\"\/images\/cache\/systemuploadsnews72bb03d42d2710eea4a-768x460xfit-4e621.jpg\" data-src-mobile=\"\/images\/cache\/systemuploadsnews72bb03d42d2710eea4a-320x210xfit-4e621.jpg\" \/><\/figure>\n<div class=\"dd-m-editor\">\n<p class=\"caps\">Profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade atuando com falta de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPI) n\u00e3o s\u00e3o uma realidade encontrada apenas no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), nem se resumem aos m\u00e9dicos e enfermeiros atuando na linha de frente do combate ao novo coronav\u00edrus. Relatos colhidos pela Ag\u00eancia P\u00fablica trazem den\u00fancias de funcion\u00e1rios do maior laborat\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina na \u00e1rea de diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>Os profissionais contaram, sob a condi\u00e7\u00e3o de anonimato, que foram orientados a trabalhar na sede do grupo Dasa (Diagn\u00f3sticos da Am\u00e9rica S.A), em Barueri, S\u00e3o Paulo, mesmo com o descumprimento de normas de seguran\u00e7a e sa\u00fade do trabalhador. Entre os relatos obtidos pela reportagem est\u00e1 a den\u00fancia de um funcion\u00e1rio que foi orientado a trabalhar mesmo com sintomas de Covid-19.<\/p>\n<p>A Dasa re\u00fane mais de 700 unidades espalhadas pelo Brasil, entre elas, algumas das maiores marcas de sa\u00fade e diagn\u00f3stico do pa\u00eds, como os laborat\u00f3rios Delboni Auriemo, Salom\u00e3o Zoppi, Lavoisier e Alta Excel\u00eancia Diagn\u00f3stica.<\/p>\n<p>Henrique Freitas* tem 23 anos, \u00e9 t\u00e9cnico de laborat\u00f3rio no parque tecnol\u00f3gico da Dasa em Barueri desde janeiro, quando foi transferido de uma empresa comprada pelo grupo. No segundo m\u00eas no novo ambiente de trabalho, ele j\u00e1 viu sua rotina se transformar por completo. A Dasa criou uma sala espec\u00edfica para receber os testes de Covid-19 de laborat\u00f3rios e hospitais privados de todo o pa\u00eds, e Henrique se tornou uma das 15 pessoas respons\u00e1veis pela triagem das amostras, recebendo, abrindo as caixas, e dando entrada em cada teste no sistema do laborat\u00f3rio. Segundo ele, a cada dia os funcion\u00e1rios passam cerca de tr\u00eas horas na sala.<\/p>\n<p>De acordo com o t\u00e9cnico, as amostras recebidas s\u00e3o de testes feitos por pessoas hospitalizadas e internadas, e portanto, j\u00e1 com os sintomas mais graves, o que indicaria uma maior probabilidade de contamina\u00e7\u00e3o, segundo Henrique. Do setor de triagem, as amostras s\u00e3o levadas para o setor de biologia molecular, onde s\u00e3o analisadas. Freitas conta que os profissionais do setor de biologia molecular, conhecido como biomol, contam com ampla oferta de EPI, mas que a realidade n\u00e3o \u00e9 a mesma em seu setor.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 sabido que \u00e9 perigoso trabalhar com as amostras, principalmente quando precisamos abri-las e manipul\u00e1-las. Quando criaram a sala [das amostras da Covid-19] n\u00f3s, funcion\u00e1rios, questionamos qual a real necessidade dela, porque n\u00e3o t\u00ednhamos equipamento de seguran\u00e7a. Reclamamos muito no in\u00edcio, e n\u00e3o tivemos resposta, apenas que as amostras v\u00eam congeladas e por isso n\u00e3o h\u00e1 risco\u201d, conta.<br \/>\nEntretanto, Freitas afirma que as amostras que v\u00eam do pr\u00f3prio estado de S\u00e3o Paulo, que tamb\u00e9m s\u00e3o a maioria das que chegam no laborat\u00f3rio, n\u00e3o s\u00e3o congeladas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tubinhos compridos, que v\u00eam fechados, mas durante a coleta no ambiente hospitalar o v\u00edrus pode estar em qualquer lugar, na tampa, na caixinha da amostra, nos saquinhos. \u00c0s vezes a amostra vaza\u201d, relata. Em uma mensagem recebida pela supervisora do setor de triagem do laborat\u00f3rio, Henrique e os demais funcion\u00e1rios do time foram orientados a \u201cmanter a calma\u201d, pois \u201ca falta de m\u00e1scara est\u00e1 geral\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA troca de m\u00e1scara a cada duas horas \u00e9 para contato direto com o paciente, ent\u00e3o vamos economizar nas m\u00e1scaras, 1 m\u00e1scara est\u00e1 bom, n\u00e3o precisa ser mais, pois n\u00e3o realizamos os exames e n\u00e3o temos contato direto com o paciente\u201d, afirma a mensagem.<\/p>\n<p>Diante das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a progress\u00e3o geom\u00e9trica da infec\u00e7\u00e3o e o aumento da demanda, assusta os profissionais da Dasa. No \u00faltimo s\u00e1bado (28), o Secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do governo, Wanderson Kleber de Oliveira, afirmou que o governo ir\u00e1 anunciar um acordo com o grupo Dasa, visando ampliar as an\u00e1lises di\u00e1rias de testes do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cCom os laborat\u00f3rios p\u00fablicos, temos uma capacidade de produzir 6700 testes ao dia. Precisamos atingir 30 mil a 50 mil testes por dia, para poder colocar as pessoas de volta na rua\u201d, afirmou Wanderson, destacando a parceria com \u201co maior grupo de laborat\u00f3rios da Am\u00e9rica Latina\u201d. \u201cVai nos ajudar, contribuindo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para realizar testes em grande volume\u201d. O acordo ainda n\u00e3o foi oficializado.<\/p>\n<p>Em live realizada pela XP Investimentos no dia 23 de mar\u00e7o, Romeu C\u00f4rtes Domingues, presidente do Conselho da Dasa, afirmou que v\u00ea \u201ccom otimismo\u201d a capacidade de oferecer testes em uma \u201cescala maior\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO mundo ideal \u00e9 poder fazer testes em larga escala, com intera\u00e7\u00e3o grande com o setor p\u00fablico. \u00c9 importante fazer diagn\u00f3stico de pessoas que tiveram contato com gente infectada ou de pessoas com sintomas. Assim vamos poder tirar as pessoas do isolamento, da quarentena e voltar a trabalhar\u201d, completou Domingues.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/dasa-print-2-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o podem ser v\u00edtima dos agentes que est\u00e3o investigando\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Walter Pedreira Filho, pesquisador titular da Fundacentro, \u00f3rg\u00e3o de pesquisa vinculado \u00e0 Secretaria Especial de Trabalho e Previd\u00eancia, do Minist\u00e9rio da Economia, os EPIs deveriam ser disponibilizados principalmente para o setor da triagem, porta de entrada do material. Filho atua h\u00e1 uma d\u00e9cada na \u00e1rea de agentes qu\u00edmicos e ambiente de trabalho, e \u00e9 professor de seguran\u00e7a bioqu\u00edmica na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>\u201cO setor da triagem deve receber m\u00e1scaras como a N95, que \u00e9 cara, mas o laborat\u00f3rio tem que comprar, al\u00e9m de luvas, prote\u00e7\u00e3o de tronco e avental. Esse material \u00e9 descart\u00e1vel, n\u00e3o importa o consumo, eles t\u00eam que trocar a m\u00e1scara, principalmente quando lidando com material biol\u00f3gico. As m\u00e1scaras comuns, que est\u00e3o sendo usadas no setor de triagem, de acordo com o relato, duram duas horas, a comunidade cient\u00edfica j\u00e1 se pronunciou muitas vezes sobre isso\u201d, lembra o professor.<\/p>\n<p>Ele reitera que tais normas orientadoras s\u00e3o p\u00fablicas, conhecidas e divulgadas, e que o EPI deve ser disponibilizado regularmente pelo Servi\u00e7o Especializado de Medicina e Seguran\u00e7a do Trabalho (Sesmit) do pr\u00f3prio grupo Dasa. O pesquisador da Fundacentro afirma ainda que n\u00e3o se pode receber amostras vazadas e descongeladas.<\/p>\n<p>\u201cO Sesmit deveria estar, mais do que nunca, atuando 24 horas por dia para fornecer a prote\u00e7\u00e3o apropriada aos seus funcion\u00e1rios\u201d, afirma. Ele lembra que o v\u00edrus espec\u00edfico tem prolifera\u00e7\u00e3o \u201cmuito r\u00e1pida\u201d, e que por isso, as condi\u00e7\u00f5es de cuidado devem \u201cser redundantes\u201d. \u201cQuem trabalha com esses pat\u00f3genos n\u00e3o pode ser v\u00edtima dos agentes que est\u00e1 investigando. Eles est\u00e3o trabalhando sob estresse elevado e temos que tirar um pouco dessa press\u00e3o fornecendo EPIs e treinamento adequado para que executem suas tarefas como margem de seguran\u00e7a. A empresa tem que estar preocupada com isso\u201d, completa Filho.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/dasa-print1-scaled.jpg\" \/><\/p>\n<p>O trabalho do setor ao qual Freitas faz parte come\u00e7ou a atuar no in\u00edcio de mar\u00e7o. Logo na terceira semana do m\u00eas, por\u00e9m, o t\u00e9cnico come\u00e7ou a apresentar sintomas de gripe. Ele ficou dois dias em casa, voltou a trabalhar no terceiro e, no mesmo dia, com a continuidade dos sintomas, passou em uma UBS, j\u00e1 suspeitando que poderia estar com Covid-19.<\/p>\n<p>\u201cEu expliquei a situa\u00e7\u00e3o e o m\u00e9dico me deu tr\u00eas dias de atestado, mas disse que eu precisava procurar o m\u00e9dico da empresa para conseguir fazer o exame da Covid-19. Mandei uma mensagem para a minha supervisora e ela disse que marcaria uma consulta para mim na medicina do trabalho. N\u00e3o tive retorno at\u00e9 hoje\u201d, continua.<\/p>\n<p>Havia passado seis dias desde que os sintomas de Henrique tinham come\u00e7ado, e agora ele sentia dores musculares e tosse seca. Durante a semana, ele tentou por diversas vezes marcar uma consulta na medicina do trabalho da Dasa, mas a \u00fanica vez em que atenderam o telefone, afirmaram que havia um excesso de demanda por exames da Covid-19 entre os funcion\u00e1rios, e que ele n\u00e3o poderia ser atendido naquele dia. Era sexta-feira (20), Henrique j\u00e1 havia sa\u00eddo de sua casa, na zona leste da capital paulista, pegando diferentes transportes p\u00fablicos para tentar chegar \u00e0 medicina do trabalho do laborat\u00f3rio de Barueri. Ele j\u00e1 apresentava sintomas h\u00e1 cinco dias.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado (21), Henrique recebeu uma mensagem de outra supervisora lembrando que o atestado do funcion\u00e1rio deixava de valer naquele domingo, e que ele deveria ir trabalhar, mesmo com os sintomas. \u201cCaso se ausente, permanecer\u00e1 com d\u00e9bito de horas. O correto seria vir e, depois, verificar a decis\u00e3o do m\u00e9dico, ainda mais considerando que voc\u00ea n\u00e3o realizou o exame. Ok?!\u201d, diz a mensagem.<\/p>\n<p>Piorando a cada dia, Henrique ignorou a mensagem da chefe e continuou em casa. Na segunda-feira (23) teve febre e tosse, al\u00e9m de dor no corpo. \u201cN\u00e3o conseguia fazer nada sem me cansar\u201d. Ap\u00f3s mais alguns dias tentando marcar o exame pela empresa, o t\u00e9cnico de laborat\u00f3rio desistiu e pagou R$250 em uma consulta privada, onde realizou o teste para identificar o novo coronav\u00edrus, na quinta-feira (26). O m\u00e9dico suspeitou que Henrique estava com o novo coronav\u00edrus, mas tamb\u00e9m com sintomas de uma infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu me senti cansado, com tremedeira, falta de ar, mas tudo isso foi se misturando com o emocional. Nessa situa\u00e7\u00e3o de pandemia, a parte emocional conta muito. At\u00e9 a semana passada, o sentimento era de impot\u00eancia, que eu ia ficar em casa e morrer por n\u00e3o conseguir nem ir no m\u00e9dico. Isso porque eu consegui pagar o exame. N\u00e3o conseguia dormir pensando nisso tudo, \u00e9 muito angustiante\u201d, relatou o t\u00e9cnico, que passou as \u00faltimas duas semanas isolado dos pais e irm\u00e3o, com quem mora, em seu quarto.<\/p>\n<p>De acordo com Walter Pedreira Filho, a dificuldade no acesso dos profissionais aos m\u00e9dicos do Sesmit de um laborat\u00f3rio \u00e9 um problema grave, que amplia os sintomas emocionais e psicol\u00f3gicos dos trabalhadores, podendo, at\u00e9 mesmo, baixar sua imunidade. \u201c\u00c9 uma den\u00fancia grav\u00edssima. Entre as prioridades para os testes da Covid-19 est\u00e3o justamente os profissionais da sa\u00fade, incluindo os t\u00e9cnicos de laborat\u00f3rios. Esses testes devem ser realizados periodicamente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma viola\u00e7\u00e3o da lei, estamos lidando com um ser humano cuidando de outros seres humanos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O pesquisador destacou ainda que a press\u00e3o sobre funcion\u00e1rios doentes, estressados e n\u00e3o acompanhados pela medicina do trabalho, pode impactar, at\u00e9 mesmo, nos resultados das an\u00e1lises das amostras de Covid-19. \u201cEventualmente os resultados podem at\u00e9 n\u00e3o ser muito confi\u00e1veis, dependendo das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Estamos em uma situa\u00e7\u00e3o mundial em que n\u00e3o podemos gastar com retrabalho\u201d, pontuou.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o sabemos se tem algu\u00e9m ali com suspeita e ficamos todos aglomerados\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os setores de triagem e de biologia molecular do laborat\u00f3rio da Dasa n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos assustados com a possibilidade iminente de infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus. Larissa Trindade*, funcion\u00e1ria h\u00e1 um ano e meio de outro setor do laborat\u00f3rio da Dasa em Barueri, n\u00e3o tem contato direto com as amostras do novo coronav\u00edrus, mas se preocupa com o contato pr\u00f3ximo que tem com os demais funcion\u00e1rios. Ela conta que com o in\u00edcio da an\u00e1lise dos testes de Covid-19 pelo laborat\u00f3rio, a demanda do setor de BioMol cresceu, e funcion\u00e1rios de outros setores foram realocados para ajudar com as an\u00e1lises do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que l\u00e1 na BioMol a vestimenta \u00e9 r\u00edgida, mas meu setor n\u00e3o tem tudo isso. Minha analista, com quem eu tenho contato di\u00e1rio direto, foi mandada pra BioMol. Eu sou treinada por ela, ent\u00e3o continuei tendo contato com ela por duas semanas depois disso, at\u00e9 que ela foi afastada por suspeita de Covid-19, com febre e tudo mais. Ela estava reclamando de muita dor no corpo e dor de cabe\u00e7a\u201d conta.<\/p>\n<p>Larissa lembra que mais ou menos nessa \u00e9poca, esgotaram as m\u00e1scaras do seu setor. \u201cA Dasa estava sem m\u00e1scara. Correram para buscar mais mas a gente trabalhou meio per\u00edodo sem m\u00e1scara\u201d. Larissa tem 25 anos e mora com os pais e com sua av\u00f3, de 83 anos, e com outra idosa de 77 anos. \u201cComecei a ficar com medo de voltar para casa do trabalho. Sei que minha av\u00f3 correria muito risco se eu tivesse com os sintomas\u201d. Al\u00e9m da conviv\u00eancia direta com idosos, Larissa \u00e9 portadora de doen\u00e7a autoimune, o que tamb\u00e9m a coloca no grupo de risco.<\/p>\n<p>Ela conta que sabe de outros funcion\u00e1rios afastados com suspeita da Covid-19. \u201cA gente sabe que l\u00e1, muitas vezes, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 omitida. Duas mulheres que trabalham no setor em frente ao meu estavam com suspeita, mas ficaram falando que n\u00e3o. Ent\u00e3o, no princ\u00edpio, era s\u00f3 um achismo, a gente n\u00e3o sabia se tinha algu\u00e9m com suspeita, mas da\u00ed comecei a entrar em p\u00e2nico. A gente se aglomera no refeit\u00f3rio, na \u00e1rea de conviv\u00eancia, no fretado. Virou um caminho sem volta porque sabemos que tem cont\u00e1gio f\u00e1cil, e ningu\u00e9m se sente seguro, ainda mais num ambiente t\u00e3o pesado de se trabalhar\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>De acordo com o professor Walter Pedreira Filho, profissionais de laborat\u00f3rios com sintomas prov\u00e1veis da Covid-19, independentemente do setor, devem ser afastados imediatamente. O professor aponta tamb\u00e9m que as atividades espec\u00edficas do setor de BioMol devem ser executadas por profissionais treinados especificamente para isso. \u201cN\u00e3o podemos fazer redirecionamentos e adaptar uma pessoa de outra \u00e1rea se ela n\u00e3o est\u00e1 devidamente treinada e qualificada para aquela fun\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque um erro dessa pessoa pode ser fatal, tanto no progn\u00f3stico da an\u00e1lise, quanto em rela\u00e7\u00e3o aos acidentes de trabalho\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Larissa, ao redirecionar os funcion\u00e1rios de seu setor para o setor que analisa as milhares de amostras do novo coronav\u00edrus, o crit\u00e9rio da Dasa foi selecionar os funcion\u00e1rios \u201cque estavam mais livres\u201d. \u201cPegaram os que estivessem menos ocupados. Por exemplo, mandaram minha analista porque eu sei fazer o trabalho dela\u201d. Revoltada, a funcion\u00e1ria reivindica: \u201c\u00e9 uma empresa que cuida da sa\u00fade, eles deveriam pensar na nossa sa\u00fade em primeiro lugar tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>O professor Walter Pedreira Filho afirma que no caso de descumprimento das normas de seguran\u00e7a e sa\u00fade do trabalhador, os funcion\u00e1rios podem denunciar a empresa no seu pr\u00f3prio Sesmit. Ele reconhece, por\u00e9m, que existe risco de que este setor da empresa n\u00e3o informe as autoridades sobre as den\u00fancias, subnotificando os dados. \u201cAs den\u00fancias podem ser feitas diretamente nas Secretarias Especiais do Trabalho e Emprego. \u00c9 fundamental que sejam formalizadas para que provid\u00eancias sejam tomadas\u201d. A partir das den\u00fancias, auditores fiscais s\u00e3o encaminhados aos laborat\u00f3rios, e o Sesmit e os respons\u00e1veis legais podem ser responsabilizados.<\/p>\n<p>A P\u00fablica entrou em contato com a Secretaria Especial do Trabalho e Previd\u00eancia para tentar conseguir os dados de den\u00fancias relativas ao desrespeito de normas de seguran\u00e7a e sa\u00fade do trabalhador feitas por profissionais de laborat\u00f3rios durante a pandemia do novo coronav\u00edrus, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reportagem tamb\u00e9m entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo Dasa, pedindo dados de den\u00fancias feitas para o Sesmit da empresa, e relatando as den\u00fancias recebidas. A Dasa respondeu, em nota, que desde o in\u00edcio da pandemia de coronav\u00edrus tem \u201catuado abastecida de EPIs em todas as suas unidades laboratoriais refor\u00e7ando, inclusive, o uso adequado para cada profissional: passando pelo manobrista, equipes de recep\u00e7\u00e3o at\u00e9 os times de coleta e m\u00e9dicos das unidades\u201d. A empresa acrescentou ainda que sua orienta\u00e7\u00e3o em caso de aus\u00eancia de EPI \u00e9 que o colaborador deve \u201ccomunicar sua lideran\u00e7a imediatamente e interromper a atividade\u201d.<\/p>\n<p>O CEO e principal s\u00f3cio do conglomerado, Pedro de Godoy Bueno, herdou a empresa aos 24 anos, e em 2019, aos 28, entrou na lista das pessoas mais ricas do pa\u00eds, como o mais jovem dos 206 bilion\u00e1rios brasileiros. Sua fortuna \u00e9 estimada em R$2,9 bilh\u00f5es. No dia 20 de mar\u00e7o, a Dasa publicou um documento em sua plataforma exclusiva para investidores, na aba de \u201cfatos relevantes\u201d, destacando que entre os compromissos da empresa para enfrentar o novo coronav\u00edrus estava o \u201crefor\u00e7o de EPIs (m\u00e1scaras, luvas e equipamentos de acordo com a fun\u00e7\u00e3o) para os colaboradores\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-tag\"><a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+coronav%C3%ADrus%22\"> coronav\u00edrus<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ACOVID+19%22\">COVID 19<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+pandemia%22\"> pandemia<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ADen%C3%BAncia%22\">Den\u00fancia<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3AEPI%22\">EPI<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Afalta+de+equipamentos%22\">falta de equipamentos<\/a> <a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Atrabalhadores+de+sa%C3%BAde%22\">trabalhadores de sa\u00fade<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e9cnicos do maior laborat\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina, que trabalham com testes do novo coronav\u00edrus, denunciam a aus\u00eancia de EPIs e neglig\u00eancia m\u00e9dica da empresa; Dasa negou acusa\u00e7\u00f5es em nota \u00a0Escrito<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":40448,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40447"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=40447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40447\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/40448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=40447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=40447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=40447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}