{"id":38656,"date":"2019-08-28T09:51:36","date_gmt":"2019-08-28T12:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=38656"},"modified":"2019-12-04T09:52:29","modified_gmt":"2019-12-04T12:52:29","slug":"como-na-epoca-da-fundacao-cut-completa-36-anos-em-meio-a-luta-pela-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=38656","title":{"rendered":"Como na \u00e9poca da funda\u00e7\u00e3o, CUT completa 36 anos em meio \u00e0 luta pela democracia"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\">A CUT completa 36 anos com desafios semelhantes aos que enfrentou na \u00e9poca da sua funda\u00e7\u00e3o. Os cen\u00e1rios pol\u00edtico e econ\u00f4mico de 1983 e 2019 imp\u00f5em organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias de luta contra o desemprego e os ataques aos direitos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Em 1983, com o pa\u00eds imerso em grave recess\u00e3o, taxas de desemprego batendo recordes hist\u00f3ricos, arrochos salariais, ditadura militar e muita repress\u00e3o e opress\u00e3o, mais de cinco mil trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade fundaram a Central \u00danica dos Trabalhadores, a CUT.<\/p>\n<p>Em 2019, a CUT realiza seu 13\u00ba Congresso Nacional da CUT (Concut), enfrentando desemprego recorde e o maior ataque aos direitos sociais e trabalhistas j\u00e1 vistos na historia do Brasil. Desde que assumiu, h\u00e1 oito meses, o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL), n\u00e3o anunciou uma \u00fanica medida em benef\u00edcio da classe trabalhadora. Tudo, at\u00e9 agora, beneficia empres\u00e1rios, em especial do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cA CUT surgiu porque sab\u00edamos que os sindicatos s\u00e3o extremamente importantes na vida do trabalhador, da trabalhadora e da democracia, mas tamb\u00e9m sab\u00edamos que tinha que ter uma entidade com capacidade para liderar a organiza\u00e7\u00e3o de todos os sindicatos do pa\u00eds em torno de uma mesma ideia. S\u00f3 assim era poss\u00edvel dar mais for\u00e7a para a luta e a conquista dos trabalhadores. O desafio \u00e9 semelhante 36 anos depois\u201d, afirma o presidente da CUT, Vagner Freitas.<\/p>\n<p>Com Bolsonaro, a CUT tem um papel mais importante ainda, pois ele est\u00e1 promovendo um ataque feroz aos direitos conquistados com muita luta em todos esses anos, al\u00e9m dos ataques direcionados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sindical e \u00e0 democracia, analisa Vagner.<\/p>\n<p>\u201cO governo de Bolsonaro n\u00e3o tem nenhum respeito com a hist\u00f3ria e a democracia do pa\u00eds, com os trabalhadores, com as trabalhadoras e muito menos com o movimento sindical brasileiro, respons\u00e1vel por in\u00fameras conquistas que melhoraram a vida de milh\u00f5es de pessoas\u201d, disse o presidente da CUT.<\/p>\n<p>Para Vagner, Bolsonaro quer destruir o movimento sindical porque sabe a for\u00e7a de centrais como a CUT que \u201ch\u00e1 36 anos mostra no dia a dia sua import\u00e2ncia, capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e luta, al\u00e9m do enorme compromisso com os direitos da classe trabalhadora\u201d. \u00c9 isso que tornou a CUT, diz o dirigente, a maior do Brasil, quarta maior do mundo e uma das mais respeitadas pelos trabalhadores do mundo inteiro.<\/p>\n<p>O 1\u00ba Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizado h\u00e1 exatos 36 anos, entre os dias 26 e 28 de agosto, no Pavilh\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Bernardo do Campo, reuniu trabalhadores e trabalhadoras de todas as regi\u00f5es do Brasil. Eles representaram 912 entidades, sendo 335 urbanas, 310 rurais, 134 associa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-sindicais, 99 associa\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, 5 federa\u00e7\u00f5es e 8 entidades nacionais e confedera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E em 28 de agosto de 1983 conseguiram, depois de v\u00e1rias tentativas, consolidar a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, fundando a primeira central nacional intersindical e intercategorias constru\u00edda ap\u00f3s o golpe militar de 1964.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es aprovadas no 1\u00ba Conclat foram o fim da Lei de Seguran\u00e7a Nacional e do Regime Militar, combate \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo, contra o desemprego, pela reforma agr\u00e1ria, reajustes trimestrais dos sal\u00e1rios e liberdade e autonomia sindical. E para coordenar essas lutas foi eleita uma dire\u00e7\u00e3o colegiada, presidida por Jair Meneguelli, ent\u00e3o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo e Diadema.<\/p>\n<p>\u201cDepois da funda\u00e7\u00e3o da CUT, resistindo \u00e0 ditadura militar e lutando por uma democracia, n\u00f3s viajamos o Brasil inteiro dando palestras e debatendo com os sindicalistas com uma malinha de roupa e de rem\u00e9dios. Trouxemos muitos sindicatos para a CUT e mostr\u00e1vamos a import\u00e2ncia de uma entidade estar filiada a uma central combativa e forte. Foi com muita luta e dificuldade que chegamos at\u00e9 aqui\u201d, disse o primeiro presidente da CUT, Jair Meneghelli.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 38 anos, trabalhadores davam os primeiros passos para o surgimento da CUT<\/strong><\/p>\n<p>Quando a CUT foi fundada, j\u00e1 existia um hist\u00f3rico de lutas lideradas pela Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT [grupo de trabalhadores criado para organizar a CUT em 1981]. A pauta era ampla, ia desde a luta pelo fim do desemprego, redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho para 40 horas semanais,&nbsp; greves gerais e seguridade social, passando pela luta contra a carestia e pelo direito \u00e0 moradia, at\u00e9 e liberdade e autonomia sindical e liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em 1984, um ano depois da sua funda\u00e7\u00e3o, a CUT foi uma das protagonistas da luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas. A Central&nbsp; organizou, inclusive, uma marcha \u00e0 Bras\u00edlia, que agregou outras reivindica\u00e7\u00f5es como sal\u00e1rio-desemprego e contra o Decreto-Lei 2.065 que arrochava ainda mais os sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O presidente da CUT destaca a import\u00e2ncia do 13\u00ba Congresso Nacional da CUT (Concut) para os pr\u00f3ximos anos da Central. De acordo com Vagner, a CUT tem que se adequar aos novos tempos.<\/p>\n<p>\u201cEm 1983, 1984, era uma classe trabalhadora, uma organiza\u00e7\u00e3o. Agora \u00e9 outra classe trabalhadora em outra organiza\u00e7\u00e3o. Somos exitosos no que constru\u00edmos at\u00e9 agora, mas n\u00e3o \u00e9 mais suficiente pro que vem adiante\u201d, disse Vagner se referindo aos novos desafios do mundo do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cEsse tem que ser o congresso da virada da CUT para representar toda classe trabalhadora, tanto os afetados pelos novos modelos de contratos, como o intermitente legalizado pela reforma Trabalhista, quanto os trabalhadores informais e a nova classe trabalhadora com a ind\u00fastria 4.0\u201d, pontuou Vagner.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o grande desafio do 13\u00ba Congresso, o segundo mais importante depois da funda\u00e7\u00e3o. O desafio do primeiro foi o de construir a CUT e chegar at\u00e9 onde chegamos. Agora ser\u00e1 hora de rever, modernizar, readaptar a CUT ao mundo moderno e continuar trabalhando para que ela seja combativa e importante\u201d, afirmou Vagner Freitas.<\/p>\n<p>Sobre o 13\u00ba Concut<\/p>\n<p>O 13\u00ba Congresso Nacional da CUT \u201cLula Livre\u201d acontecer\u00e1 entre os dias 7 e 10 de outubro, na Praia Grande, mesmo local onde foi realizado o congresso da Comiss\u00e3o Nacional Pro-CUT. O mote ser\u00e1 \u201cSindicatos Fortes = direitos, soberania e democracia\u201d e tem como objetivo intensificar e aprofundar o debate, definir estrat\u00e9gias e elaborar um plano de lutas para fazer frente aos desafios que est\u00e3o colocados para a classe trabalhadora, para o movimento sindical e para o povo brasileiro. O Congresso tamb\u00e9m vai eleger a dire\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo de 2019 a 2023.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres<\/p>\n<p>As mulheres participaram desde o inicio da constru\u00e7\u00e3o e das lutas da CUT, mas as fotos mostram que elas aparecem pouco nas mesas e nos destaques porque ainda era esta a constitui\u00e7\u00e3o do sindicalismo brasileiro, muito mais masculino do que feminino.<\/p>\n<p>Mas a CUT saiu na frente mais uma vez e foi no 2\u00ba Congresso Nacional da CUT (2\u00ba Concut), em 1986, que&nbsp; deu in\u00edcio a pol\u00edtica de g\u00eanero na CUT e foi criada a Comiss\u00e3o Nacional sobre a Mulher Trabalhadora, uma conquista das mulheres da CUT.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos aprovar a comiss\u00e3o sobre a quest\u00e3o da mulher trabalhadora e isso mostrou justamente que a CUT, como central sindical moderna e progressista, tinha que assumir esta luta pela igualdade entre homens e mulheres e os direitos das trabalhadoras e foi aprovado.\u201d, contou a primeira coordenadora da Comiss\u00e3o da Quest\u00e3o da Mulher Trabalhadora da CUT, Didice Godinho Delgado.<\/p>\n<p>Segundo ela, isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque tinha um ambiente mais favor\u00e1vel a introduzir quest\u00f5es consideradas novas no sindicalismo e tamb\u00e9m porque teve muito apoio e influ\u00eancia dos movimentos feministas.<\/p>\n<p>Didice disse que um dos legados importantes daquele per\u00edodo, que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje, \u00e9 a uni\u00e3o entre as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s somos mulheres diferentes, de setores diferentes, vindas de regi\u00f5es diferentes, com ideologias pol\u00edticas diferentes, do campo e da cidade, mas est\u00e1vamos convencidas e seguras que precis\u00e1vamos construir uma atua\u00e7\u00e3o unificada. E esta compreens\u00e3o de que unidas somos fortes foi fundamental para o \u00eaxito da organiza\u00e7\u00e3o das mulheres na CUT\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>\u201cAtuar de forma unificada possibilitou que as diverg\u00eancias entre as mulheres n\u00e3o comprometessem o objetivo maior, que era e continua sendo, que a CUT seja uma central comprometida com a igualdade de g\u00eanero, na luta contra o racismo, por direitos da popula\u00e7\u00e3o LGTBQI e contra todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o. Legado importante e que a CUT tem dado ao sindicalismo a n\u00edvel mundial\u201d, conclui Didice.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CUT completa 36 anos com desafios semelhantes aos que enfrentou na \u00e9poca da sua funda\u00e7\u00e3o. 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