{"id":13161,"date":"2012-04-13T08:42:35","date_gmt":"2012-04-13T08:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=13161"},"modified":"2012-04-13T08:42:35","modified_gmt":"2012-04-13T08:42:35","slug":"valor-economico-pela-1%c2%aa-vez-bancario-presidira-a-cut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=13161","title":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico: Pela 1\u00aa vez, banc\u00e1rio presidir\u00e1 a CUT"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Entrevista por Raphael Di Cunto<\/p>\n<p class=\"caps\">Quase 30 anos depois de sua funda\u00e7\u00e3o, a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) ter\u00e1, pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, um presidente banc\u00e1rio. Atual tesoureiro da entidade e ex-caixa do Bradesco, Vagner Freitas, 45 anos, tem apoio da corrente majorit\u00e1ria da central e deve ser eleito presidente no 11 \u00ba Congresso Nacional da CUT, de 9 a 13 de julho.<br \/>\nEx-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Freitas v\u00ea apenas os bancos p\u00fablicos cumprindo o papel &#8220;de auxiliar o desenvolvimento do Brasil&#8221; e promete apertar o cerco contra o setor financeiro. Segue a linha da presidente Dilma Rousseff, eleita pelo PT &#8211; partido do qual se diz um &#8220;militante cr\u00edtico&#8221; &#8211; e cobra dos bancos privados mais financiamento ao crescimento do pa\u00eds e a redu\u00e7\u00e3o do spread banc\u00e1rio.<br \/>\nEle defende que o Brasil aproveite o momento econ\u00f4mico para aumentar os direitos dos trabalhadores e quer implantar o contrato nacional para todas as categorias &#8211; hoje s\u00f3 os banc\u00e1rios e petroleiros t\u00eam o benef\u00edcio, que garante o mesmo sal\u00e1rio e benef\u00edcios, independentemente da empresa em que trabalhe. Isso combateria inclusive a guerra fiscal, diz.<br \/>\nFreitas assumir\u00e1 no lugar de Artur Henrique, que deixa o cargo depois de dois mandatos e seis anos. Ele comandar\u00e1 a maior central sindical do pa\u00eds e a quinta do mundo, com 2,2 mil sindicatos filiados, que representam 38% dos trabalhadores sindicalizados brasileiros. Ser\u00e1 o primeiro presidente da entidade eleito ap\u00f3s o governo do ex-sindicalista Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, fundador da CUT e do PT, e seu mandato coincidir\u00e1 com o da presidente Dilma Rousseff, que n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o fluida quanto a do antecessor com o movimento sindical.<br \/>\nEm entrevista ao Valor, a primeira depois de lan\u00e7ada sua candidatura, o futuro presidente da CUT faz poucas cobran\u00e7as ao governo e atribui \u00e0 central a responsabilidade de movimentar a pauta trabalhista no pa\u00eds. Diz entender que Dilma \u00e9 pressionada por &#8220;for\u00e7as conservadoras&#8221; e que h\u00e1 uma disputa entre os partidos da base aliada por espa\u00e7o e pela sucess\u00e3o presidencial. Por isso, afirma, o movimento sindical precisa ir \u00e0s ruas e dar sustenta\u00e7\u00e3o ao governo para aprovar mudan\u00e7as estruturais.<br \/>\nValor: Confirmada sua elei\u00e7\u00e3o, o senhor ser\u00e1 o primeiro presidente da CUT que veio do ramo financeiro. O que isso muda para a central?<br \/>\nVagner Freitas: Ter um banc\u00e1rio como presidente da maior central sindical do Brasil vai enfatizar mais o pensamento de que o setor financeiro tem de ser voltado para o crescimento e desenvolvimento do pa\u00eds, e n\u00e3o para a lucratividade das seis fam\u00edlias que comandam os bancos brasileiros. \u00c9 um debate que mexe com toda a sociedade brasileira. O empresariado deveria se mobilizar e fazer propostas s\u00e9rias de reforma tribut\u00e1ria. Tributa-se muito mais a ind\u00fastria, que produz, do que o setor financeiro, que faz intermedia\u00e7\u00e3o de capital. \u00c9 o setor que mais lucra no Brasil, mas o que menos d\u00e1 contrapartidas. Esse debate, n\u00e3o tenha d\u00favida, vem \u00e0 tona com a nossa elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Valor: O governo tenta reduzir, por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econ\u00f4mica Federal, o spread banc\u00e1rio (diferen\u00e7a entre o que o banco paga para obter o dinheiro e o que cobra para emprestar). \u00c9 esse o caminho?<br \/>\nFreitas: N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 o BB e a CEF que tem que fazer politica p\u00fablica. Mas s\u00e3o os bancos p\u00fablicos que est\u00e3o financiando a produ\u00e7\u00e3o e o crescimento, enquanto os privados ganham com a rotatividade f\u00e1cil. H\u00e1 cada vez mais bancos brasileiros ranqueados como os principais do mundo. O Bradesco e o Ita\u00fa ganham outro Bradesco e outro Ita\u00fa a cada quatro anos. E qual \u00e9 a contrapartida disso para o Brasil? O que trouxe de ganho para a popula\u00e7\u00e3o ter o Ita\u00fa e o Bradesco entre os 50 maiores do mundo? Isso \u00e9 importante s\u00f3 para os donos dos bancos.<br \/>\nValor: Qual a proposta da CUT para mudar isso?<br \/>\nFreitas: Queremos a regulamenta\u00e7\u00e3o do artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sobre a atua\u00e7\u00e3o dos bancos e setor financeiro no Brasil. Queremos alter\u00e1-lo para que o setor financeiro seja voltado para o interesse da sociedade. S\u00f3 com o BB, a Caixa, BNDES, Banco do Nordeste, o da Amaz\u00f4nia e outros de fomento, o Brasil j\u00e1 teve uma atua\u00e7\u00e3o altamente diferente do mercado mundial em 2008, que permitiu passar bem pela crise econ\u00f4mica. Se tiv\u00e9ssemos um setor financeiro todo direcionado para isso, ter\u00edamos facilidade para enfrentar a crise e ter\u00edamos ainda mais desenvolvimento no pa\u00eds.<br \/>\nValor: Essa ser\u00e1 a principal pauta da central na sua gest\u00e3o?<br \/>\nFreitas: J\u00e1 temos um ramo inteirinho na CUT que trata do setor financeiro, ent\u00e3o esse n\u00e3o ser\u00e1 o \u00fanico tema da central. O que precisamos \u00e9 aproveitar o momento econ\u00f4mico do Brasil para obter ganhos e conquistas perenes para a classe trabalhadora. \u00c9 preciso avan\u00e7ar nos direitos trabalhistas, aprovar no Congresso a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, construir uma nova estrutura sindical e expandir o contrato nacional de trabalho para v\u00e1rias categorias.<br \/>\nValor: Como \u00e9 esse contrato?<br \/>\nFreitas: O trabalhador banc\u00e1rio, seja de banco p\u00fablico ou privado, na avenida Paulista &#8211; que \u00e9 o principal centro financeiro do Brasil &#8211; ou no interior da Amaz\u00f4nia, tem sempre o mesmo contrato de trabalho, que garante que, se ele \u00e9 transferido para o interior de S\u00e3o Paulo, vai com a mesma condi\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o que teria na capital. \u00c9 diferente, por exemplo, de setores como a ind\u00fastria, em que o trabalhador tem que negociar sua remunera\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios em cada montadora e cujas benesses dependem de sindicatos extraordin\u00e1rios, como o dos Metal\u00fargicos do ABC.<br \/>\nValor: Mas esse tipo de contrato aumentaria os custos das empresas. Como fazer o setor industrial aceitar o contrato nacional?<br \/>\nFreitas: Al\u00e9m dos banc\u00e1rios, apenas os petroleiros, que trabalham para uma \u00fanica empresa, a Petrobras, tem contratos nacionais. \u00c9 claro que isso existe porque tamb\u00e9m interessa aos banqueiros ter muitas ag\u00eancias e pontos de atendimento em todo o pa\u00eds. \u00c9 uma l\u00f3gica diferente da ind\u00fastria, onde a m\u00e3o de obra fica concentrada nas montadoras. Mas achamos que \u00e9 poss\u00edvel construir acordos nacionais respeitando as caracter\u00edsticas de cada segmento. Isso ajudaria a combater a guerra fiscal que os Estados fazem para atrair montadoras, utilizando como principal ativo, al\u00e9m dos incentivos fiscais, o valor da m\u00e3o de obra desvalorizada em locais que n\u00e3o sejam os do centro. A ind\u00fastria pede v\u00e1rias isen\u00e7\u00f5es, ajuda do governo. Eles querem os benef\u00edcios? Tudo bem, concordamos, mas precisa ter como contrapartida modernizar tamb\u00e9m a contrata\u00e7\u00e3o.<br \/>\nValor: A ind\u00fastria brasileira enfrenta problemas com as importa\u00e7\u00f5es e perde espa\u00e7o no PIB [Produto Interno Bruto]. D\u00e1 para exigir contrapartidas agora?<\/p>\n<p>Freitas: A fatia da ind\u00fastria no PIB diminuiu no mundo todo, n\u00e3o apenas no Brasil. Pela pr\u00f3pria caracter\u00edstica do capitalismo financeiro, outros setores da economia crescem mais. O desenvolvimento brasileiro n\u00e3o pode ser s\u00f3 de n\u00fameros, avaliado pelo PIB. Outros pa\u00edses que cresceram e sucatearam seu parque industrial, como Estados Unidos e M\u00e9xico, hoje n\u00e3o conseguem ser competitivos porque dependem da volatilidade do capitalismo financeiro. O Brasil n\u00e3o pode ser isso. Entendemos que alguns setores da ind\u00fastria brasileira est\u00e3o em crise e que o governo tem que adotar medidas para auxili\u00e1-los, mas queremos discutir as contrapartidas sociais, como o contrato nacional de trabalho.<br \/>\nValor: O senhor deve ser o primeiro presidente da CUT eleito no p\u00f3s-Lula. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do que era com a presidente Dilma Rousseff?<br \/>\nFreitas: \u00c9 a continuidade da gest\u00e3o. N\u00e3o poder\u00edamos exigir que a presidente Dilma fizesse um governo id\u00eantico ao do presidente Lula, at\u00e9 pelo carisma dele. Ela vem de outra origem, tem olhar mais t\u00e9cnico. O que mudou \u00e9 a base de sustenta\u00e7\u00e3o, que cria mais dificuldades para governar. O acordo para ter partidos importantes [como aliados] faz com que o governo seja disputado o tempo todo, e a base aliada j\u00e1 olha para sucess\u00e3o presidencial e apresenta suas candidaturas. \u00c9 completamente diferente ter, por exemplo, o Z\u00e9 Alencar de vice e o Michel Temer de vice. A perspectiva pol\u00edtica deles \u00e9 diferente. A presidenta Dilma tem que negociar muito mais para fazer transforma\u00e7\u00f5es importantes. N\u00f3s, da CUT, entendemos isso.<br \/>\nValor: Mas a rela\u00e7\u00e3o do sindicalismo com o governo \u00e9 diferente tamb\u00e9m. \u00c9 recorrente a reclama\u00e7\u00e3o de que os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o chamados a opinar nos projetos.<\/p>\n<p>Freitas: Para a CUT, independente de quem seja o governante de plant\u00e3o, o avan\u00e7o da classe trabalhadora s\u00f3 vem com organiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria categoria para reivindicar e convencer o empresariado e o governo dos avan\u00e7os que precisamos ter. A presidenta \u00e9 pressionada por setores conservadores, que s\u00e3o fortes. Quando o presidente era o Lula, muitas das demandas sindicais vinham da pr\u00f3pria vontade dele. Agora temos que fazer nosso papel, pressionar, organizar movimentos p\u00fablicos de massa, dar sustenta\u00e7\u00e3o para a presidenta realizar as mudan\u00e7as necess\u00e1rias dentro do projeto para o qual este governo foi eleito.<\/p>\n<p>Valor: Na \u00e9poca do mensal\u00e3o, a CUT dizia que sairia \u00e0s ruas para defender o governo Lula. Faria o mesmo por Dilma, se o Congresso reagir \u00e0 faxina?<\/p>\n<p>Freitas: N\u00e3o h\u00e1 duvida nenhuma. \u00c9 muito mais do que defender presidente ou partido pol\u00edtico. \u00c9 defender politica de governo, de Estado, que seja de interesses dos trabalhadores. Fazemos a an\u00e1lise de que esse governo poderia ter realizado bem mais. Entretanto, pelas atuais condi\u00e7\u00f5es, faz muito mais do que os anteriores. Temos hoje um governo com compromisso com os trabalhadores, mas n\u00e3o \u00e9 garantido que ser\u00e1 assim para sempre. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o de quatro em quatro anos e pode ocorrer a volta do modelo que o Brasil derrotou nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o temos saudades do passado. E se, para o passado n\u00e3o voltar, tivermos que sair \u00e0s ruas, faremos.<br \/>\nValor: Mas conquistas importantes para a classe trabalhadora, como o fim da infla\u00e7\u00e3o, ocorreram no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).<br \/>\nFreitas: O fim da infla\u00e7\u00e3o foi importante para reduzir o arrocho salarial. Mas, se fosse feita a vontade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, n\u00e3o haveria nenhum direito social. Ele prop\u00f4s no Congresso, atrav\u00e9s do seu partido, a extin\u00e7\u00e3o dos direitos da CLT [Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho] e que cada trabalhador negociasse individualmente com seu patr\u00e3o. A pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Lula tamb\u00e9m \u00e9 semelhante, n\u00e3o igual, a do Fernando Henrique. O presidente Lula promoveu investimento no mercado interno e fortaleceu institui\u00e7\u00f5es como a Caixa, Petrobras e BB &#8211; que teriam sido privatizadas se o eleito em 2002 fosse o [ex-governador de S\u00e3o Paulo pelo PSDB, Jos\u00e9] Serra. Se Lula n\u00e3o tivesse sido eleito, a trajet\u00f3ria que apontada era nociva para os trabalhadores.<br \/>\nValor: De que forma?<br \/>\nFreitas: Aquele governo pregava o neoliberalismo, em que o mercado regula nossas vidas e que \u00e9 desnecess\u00e1rio o di\u00e1logo social. Havia uma deliberada campanha contra a organiza\u00e7\u00e3o sindical e contra a participa\u00e7\u00e3o da sociedade. Foi um momento em que o movimento sindical ficou acuado. A agenda n\u00e3o era para ter mais direitos, mas para garantir os que j\u00e1 existiam. Hoje vivemos outro per\u00edodo, em que \u00e9 mais dif\u00edcil fazer movimento sindical, mas que prefiro: temos que convencer o governo para atender e dar cada vez mais direitos para a classe trabalhadora.<br \/>\nValor: O PSDB, filiou sindicalistas e quer lan\u00e7\u00e1-los candidatos a vereador em todo o pa\u00eds, como forma de enfrentar as bases do PT e da CUT. Como o senhor v\u00ea essa movimenta\u00e7\u00e3o?<br \/>\nFreitas: O PSDB est\u00e1 montando, na verdade, um bra\u00e7o sindical. O partido nunca se preocupou com trabalhador, isso n\u00e3o \u00e9 da origem deles. Parte de n\u00f3s, sindicalistas, formou um partido porque entend\u00edamos que n\u00e3o somos representados pelos partidos tradicionais. O PSDB quer fazer o contr\u00e1rio. Perceberam que o movimento social tem for\u00e7a para eleger um metal\u00fargico e depois uma mulher que lutou contra a ditadura. Que os sindicatos podem ir \u00e0s ruas para impedir o impeachment do presidente Lula quando quiseram derrub\u00e1-lo. E que o PSDB cada vez tem menos condi\u00e7\u00e3o de discutir com a sociedade seu projeto pol\u00edtico, que \u00e9 diferente do modelo que \u00e9 hoje vitorioso no Brasil. Eles querem um ant\u00eddoto para isso, querem controlar o movimento sindical para as pretens\u00f5es pol\u00edticas do partido. Mas parece que n\u00e3o sabem que sindicato \u00e9 espa\u00e7o do trabalhador, e eles s\u00e3o o patr\u00e3o.<br \/>\nValor: No primeiro ano de governo Dilma, n\u00e3o houve reajuste para os servidores p\u00fablicos devido ao contingenciamento de gastos. Se ocorrer de novo este ano, a CUT vai estimular as greves?<br \/>\nFreitas: N\u00e3o temos nenhuma concord\u00e2ncia com a vis\u00e3o de relacionarem gasto p\u00fablico diretamente com sal\u00e1rio de servidor, sempre com a proposta de demitir ou cortar sal\u00e1rio. A sociedade brasileira tem que tomar cuidado porque boa parte dessa discuss\u00e3o \u00e9 estimulada por quem quer privatizar servi\u00e7os importantes, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a. \u00c9 o que ocorreu no Chile e na Argentina.<br \/>\nValor: Mas a CUT vai fazer greve para pressionar o governo?<br \/>\nFreitas: Os professores j\u00e1 est\u00e3o fazendo greves no pa\u00eds inteiro, por conta do piso nacional de Educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o concordamos com qualquer tipo de arrocho salarial do setor p\u00fablico. Investimento \u00e9 importante, mas n\u00e3o entendemos que o problema seja a folha de pagamento. Queremos valorizar o profissional do setor p\u00fablico, com melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rio, para prestar um melhor servi\u00e7o para a sociedade, e se for preciso greve para isso, faremos.<br \/>\nValor: A CUT lan\u00e7ou uma campanha contra o imposto sindical. Logo em seguida, as outras cinco centrais se juntaram para defender o imposto. Isso n\u00e3o acirra a divis\u00e3o no movimento?<br \/>\nFreitas: A nossa campanha n\u00e3o \u00e9 contra as outras centrais, e muito menos contra os trabalhadores que elas representam. H\u00e1 momentos de ter unidade de atua\u00e7\u00e3o, como na campanha vitoriosa pela valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Mas vamos defender o formato de organiza\u00e7\u00e3o sindical para a qual a CUT foi criada, com liberdade e autonomia sindical. Queremos debater se a sociedade concorda com mais de 20 mil sindicatos no Brasil, com parcela deles apenas de gaveta. Se n\u00e3o fizermos a discuss\u00e3o, acaba criando um descr\u00e9dito para todos os sindicatos.<br \/>\nValor: Sindicatos dentro da pr\u00f3pria CUT s\u00e3o favor\u00e1veis ao imposto.<br \/>\nFreitas: A sustenta\u00e7\u00e3o do movimento sindical n\u00e3o pode ser feita por f\u00f3rmulas que sejam contra a vontade do trabalhador, ou n\u00e3o acabam os sindicatos de gaveta. Fique claro que a CUT defende uma outra forma de contribui\u00e7\u00e3o para o lugar do imposto. Nossa proposta \u00e9 construir uma contribui\u00e7\u00e3o em cima do resultado da negocia\u00e7\u00e3o coletiva ou de confronto jur\u00eddico, e que seja do mesmo tamanho, ou at\u00e9 maior, que o imposto sindical, porque sem contribui\u00e7\u00e3o os sindicatos n\u00e3o existem.<br \/>\nValor: As outras centrais reclamam que, quando era para pedir apoio para Dilma na elei\u00e7\u00e3o de 2010, a CUT pregou a unidade. Agora, vira as costas para elas. O senhor n\u00e3o teme que a presidente perca apoio para a reelei\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Freitas: Espero que os companheiros n\u00e3o tenham apoiado a presidenta Dilma s\u00f3 para ter imposto sindical. Se era por esse motivo, nem precisavam [t\u00ea-la apoiado], porque o imposto sindical j\u00e1 existia. O que \u00e9 preciso entender \u00e9 que, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos diverg\u00eancias, n\u00e3o ter\u00edamos fundado a CUT e militar\u00edamos nas outras centrais que j\u00e1 existiam. O interesse de todas as centrais sindicais \u00e9 o desenvolvimento do pa\u00eds, e nisso concordamos. Mas temos que ter o direito de defender os princ\u00edpios que criaram a CUT.<br \/>\nValor: O senhor cita muito o ex-presidente Lula. Falou com ele sobre a elei\u00e7\u00e3o?<br \/>\nFreitas: N\u00e3o falei. O presidente Lula \u00e9 um \u00edcone para os dirigentes sindicais da minha gera\u00e7\u00e3o. Sou do Sapopemba [bairro da Zona Leste de S\u00e3o Paulo], e cresci alimentado pelo novo sindicalismo. Ele n\u00e3o tem interven\u00e7\u00e3o direta na CUT, mas, como metal\u00fargico aposentado e integrante da nossa corrente pol\u00edtica na central, espero que ele esteja no nosso Congresso, como delegado a nos apoiar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista por Raphael Di Cunto Quase 30 anos depois de sua funda\u00e7\u00e3o, a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) ter\u00e1, pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, um presidente banc\u00e1rio. 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