{"id":10463,"date":"2011-07-26T12:26:15","date_gmt":"2011-07-26T12:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=10463"},"modified":"2011-07-26T12:26:15","modified_gmt":"2011-07-26T12:26:15","slug":"brasil-tem-a-folha-salarial-mais-barata-entre-34-paises-pesquisados-diz-a-fiesp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=10463","title":{"rendered":"Brasil tem a folha salarial mais barata entre 34 pa\u00edses pesquisados,diz Fiesp"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><strong>Entidade\u00a0patronal\u00a0se atrapalha e deixa escapar: em dinheiro, o custo do trabalho no Pa\u00eds \u00e9 muito pequeno. Confira a an\u00e1lise de Artur Henrique, presidente Nacional da CUT<\/strong><br \/>\n\u00a0<br \/>\nO Brasil tem o mais baixo valor de encargos trabalhistas entre 34 pa\u00edses pesquisados pelo Departamento de Estat\u00edstica do Trabalho dos EUA (BLS, sigla em ingl\u00eas). Em d\u00f3lares, a m\u00e9dia brasileira \u00e9 de US$ 2,70 a hora, enquanto a m\u00e9dia das outras 33 na\u00e7\u00f5es avaliadas \u00e9 de US$ 5,80 por hora.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a conclus\u00e3o mais evidente trazida por um texto publicado pelo jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d neste final de semana. Por\u00e9m, essa informa\u00e7\u00e3o, a mais clara de toda a reportagem, vinha apenas no pen\u00faltimo par\u00e1grafo.<\/p>\n<p>Estranhamente, o t\u00edtulo deste texto era \u201cBrasil \u00e9 o n\u00famero 1 em encargos trabalhistas\u201d. Mas o texto n\u00e3o consegue defender a manchete, apesar do esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>O Estad\u00e3o afirma que, segundo compila\u00e7\u00e3o feita pela Fiesp a partir de dados do BLS, o peso percentual dos \u201ccustos com m\u00e3o de obra na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o brasileira\u201d \u00e9 de 32,4%, contra a m\u00e9dia de 21,4% dos demais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 maiores detalhes sobre quais s\u00e3o esses custos, portanto n\u00e3o h\u00e1 dados amplos sobre qual a base de compara\u00e7\u00e3o usada pela Fiesp. Mas, se esses n\u00fameros estiverem corretos, a diferen\u00e7a brasileira, em d\u00f3lares, para os outros pa\u00edses, fica ainda mais espantosa. Imaginem, se a nossa carga \u00e9 percentualmente maior, mas em valores monet\u00e1rios \u00e9 t\u00e3o menor, os proventos dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras s\u00e3o muito baixos em compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia dos pa\u00edses industrializados.<\/p>\n<p>Esse fato j\u00e1 conhec\u00edamos, e insistimos nessa informa\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo, como forma de desconstruir o falso discurso conservador de que o trabalho no Brasil \u00e9 caro e tira competitividade do Pa\u00eds. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 sempre que a pr\u00f3pria Fiesp deixa um dado como esse \u00e0 mostra.<\/p>\n<p>Cabe mais reparos ao texto do Estad\u00e3o. O jornal elenca como \u201cencargos\u201d valores que, na verdade, s\u00e3o complemento salarial. O FGTS, a Previd\u00eancia P\u00fablica e o 13\u00ba, citados na reportagem, retornam ao trabalhador \u2013 e ao mercado \u2013 como complemento salarial, na forma de poupan\u00e7a. Nem de longe s\u00e3o encargos.<\/p>\n<p>Em estudo preparado pela subse\u00e7\u00e3o do Dieese na CUT Nacional, tomando como base dados do mesmo Departamento de Estat\u00edstica dos EUA, referentes a 2008, a diferen\u00e7a do custo de m\u00e3o de obra \u00e9 ainda mais gritante. Enquanto na Alemanha \u00e9 de U$36,07 a hora e nos Estados Unidos de US$ 25, 65, no Brasil a m\u00e3o de obra\/hora \u00e9 de US$ 6,93 \u2013 o recorte do Dieese n\u00e3o mistura alhos com bugalhos e concentra-se na quest\u00e3o sal\u00e1rio, da\u00ed a diferen\u00e7a e, tamb\u00e9m, uma chave para compreender a pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros divulgados pela Fiesp.<\/p>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o desses fatores e dados s\u00f3 refor\u00e7a a impress\u00e3o de que os sal\u00e1rios no Brasil ainda s\u00e3o baixos. Por serem reduzidos, acabam por exigir complementos como o FGTS e o 13\u00ba e, ainda assim, a m\u00e9dia em d\u00f3lar perde de longe para os pa\u00edses que a Fiesp usa como refer\u00eancia.<\/p>\n<p>E tudo a despeito de o real estar sobrevalorizado. Nem assim o valor do trabalho no Brasil chega a se aproximar da m\u00e9dia internacional segundo o olhar BLS\/Fiesp.<\/p>\n<p>Sem esquecer de um dado fundamental, que precisa ser alardeado at\u00e9 que a elite econ\u00f4mica se conven\u00e7a de que h\u00e1 muito por fazer neste Pa\u00eds e que n\u00e3o \u00e9 retirando do trabalhador que chegaremos no ponto que queremos e desejamos: o \u00edndice GINI, usado para medir a concentra\u00e7\u00e3o de renda, no Brasil atinge 0,56, perdendo apenas para Haiti, Bol\u00edvia e Tail\u00e2ndia num grupo de 14 pa\u00edses pesquisados. O GINI, utilizado pela ONU, \u00e9 t\u00e3o mais representativo de concentra\u00e7\u00e3o de renda quanto mais pr\u00f3ximo de zero.<\/p>\n<p>Se a Fiesp quer cortar custos de seus associados botando o trabalhador como r\u00e9u, enfrentar\u00e1 novamente nossa resist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidade\u00a0patronal\u00a0se atrapalha e deixa escapar: em dinheiro, o custo do trabalho no Pa\u00eds \u00e9 muito pequeno. 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