O PRIVATIZADOR: Alckmin diz que, com chuva, Eletropaulo não opera com segurança

10 junho 09:40 2011 Folha de São Paulo, 09/06/2011

 O governador Geraldo Alckmin disse na manhã desta quinta-feira que a Eletropaulo não tem “condições mínimas” de operar com segurança em dias de chuva. Ontem, pelo menos um milhão de pessoas ficaram sem luz em nove cidades da Grande São Paulo. Alguns paulistanos ficaram às escuras por até 30 horas. Segundo o governador, a Secretaria de Energia estuda maneiras de acionar a concessionária. Ele disse ainda que pediu à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que aumente o número de fiscais da Arsesp, agência reguladora dos serviços de energia do governo estadual.
“A concessionária vai ter que indenizar pessoas pelo prejuízo, além de tomar todas as medidas. O que está claro é que ela não tem as condições de operar com segurança quando tem chuva, tempestade”, disse. “Não tem as condições mínimas de atendimento rápido ao usuário e, ao mesmo tempo, de prevenir esses problemas de tempestade e de vento que todo mundo sabe que ocorrem”, emendou o Governador.
 
Falta investimentos na Eletropaulo, diz Aníbal
Bairros de São Paulo estão há mais de 30h sem luz
O vendaval provocado pela passagem do ciclone extratropical nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, ainda causa diversos transtornos em São Paulo. Apesar do fim da ventania, milhares de pessoas passaram boa parte do dia de ontem sem energia e em algumas áreas o apagão persiste.

Em entrevista ao repórter Patrick Santos, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, revelou que “a situação é muito preocupante e todas as iniciativas que estão ao alcance estão sendo tomadas”. “A preocupação, vem pelo fato de que nós da Secretaria de Energia por determinação do governador, desde janeiro estamos conversando com a Eletropaulo todas as semanas, para que melhore o atendimento, não só o call center, mas também, para que esses torpedos funcionem. É fácil enviá-los, mas não há respostas”.

Aníbal enfatizou que a empresa deve “aumentar a quantidade de equipes à disposição para o atendimento das pessoas e com isso, mostrar o quanto é relevante diminuir o tempo de interrupção”. “O fato de ter residências com serviços interrompidos por mais de 30 horas é assustador. Aonde é que estão as equipes da empresa? Nós solicitamos, em fevereiro, o governador ligou e eu também liguei para o presidente da Anel, responsável por fiscalizar o setor, pedimos 38 novos fiscais (…) E até agora, nada”.
O secretário estadual de Energia alertou que “o ciclone, imprevistos não justificam. O que acontece é a falta de investimento. A empresa não está investindo adequadamente no que se refere ao atendimento e equipes de manutenção”.
  
A VERDADEIRA HISTÓRIA
Setor Energético e a herança dos governos FHC / Covas / Alckmin / Serra
 Na década de 90, iniciou-se o desmonte do setor energético com a aprovação do PND (Programa Nacional de Desestatização ou Lei 8.031/90), ainda no governo Collor. Em 1995, o governo FHC alterou a Lei de Concessões e privatizou a Escelsa. Em 1996, criou a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Em 2001, após o abandono do planejamento energético nacional, da desverticalização e privatização das empresas, principalmente as distribuidoras, e nenhum investimento em novos empreendimentos, o país viveu a maior crise do setor elétrico de sua história, o chamado “apagão”. Em 2002, os prejuízos causados pelo racionamento levaram o governo a conceder empréstimos através do BNDES no valor de R$ 7,5 bilhões para as concessionárias recomporem seu equilíbrio econômico financeiro. Antecipou reajustes tarifários de 2,9% a 7,9%. O racionamento provocou um impacto na balança comercial de cerca de US$ 1 bilhão.

Enquanto isso, em São Paulo, o governador Mário Covas criou o PED (Programa Estadual de Desestatização através da Lei 9.361/1996), presidido pelo então vice-governador, Geraldo Alckmin, e implementou a mesma política de desmonte do setor elétrico nacional promovido por FHC.

De 1997 até 2006, Covas/Alckmin privatizaram quatro distribuidoras (CPFL, Eletropaulo, Bandeirante e Elektro), duas geradoras de energia elétrica (AES Tietê e Duke Energy), três distribuidoras de gás natural (Comgás, Gás Brasiliano e Gás Natural) e uma transmissora (CTEEP). A liquidação trouxe aos cofres públicos algo em torno de US$ 11 bilhões.
 
AGORA A VEZ É DA CESP
A CESP é a terceira maior geradora do país, responsável por 63% da energia produzida no estado e por 10% no país. Possui seis hidrelétricas com capacidade instalada de 7.456 MW. Gera atualmente 1.383 empregos diretos. Possui um ativo de US$ 10,8 bilhões e sua dívida foi reestruturada recentemente e encontra -se em R$ 7.247 milhões.
 
 

  Categorias: