Atualização semestral chama atenção tanto pela quantidade de empregadores incluídos como pelo número de reincidências
A atualização semestral da ‘lista suja’ do trabalho escravo no final do ano passado incluiu 88 novos empregadores e soma agora 220 infratores. Antes da alteração, o cadastro oficial mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tinha 147 nomes. Com a mudança promovida, juntamente com as significativas inserções, foram excluídos 16 pessoas físicas e jurídicas que cumpriram os dois anos na relação e mais uma única empresa (Energética do Cerrado Açúcar e Álcool Ltda.) foi adicionada por conta de queda de liminar judicial que a mantinha fora da lista.
Além da quantidade de novos empregadores incluídos (88), chama a atenção a variada gama dos mesmos – tanto em termos dos variados estados e da totalidade dos regiões do país em que estão espalhados como no que diz respeito aos mais diversos setores econömicos em que atuam.
Entraram para a ‘lista suja’ desde tradicionais pecuaristas, carvoeiros, canavieiros e sojicultores até produtores de milho, cebola, tomate, café, erva-mate, algodão e pinhão-manso. Empresas de extrativismo vegetal (corte de eucalipto e pinus, bem como coletores de látex) e mineral. Também estão presentes agentes da área da construção civil e da siderurgia.
Divisão por UF dos 88 infratores incluídos na ‘lista suja’ 1. Pará (PA)……………………..242. Mato Grosso (MT)……………103. Mato Grosso do Sul (MS)……94. Santa Catarina (SC)…………75. Piauí (PI)………………………66. Goiás (GO)…………………….5 Maranhão (MA)……………….58. Rio Grande do Sul……………4 Paraná (PR)…………………..49. Tocantins (TO)………………..3 Ceará (CE)…………………….3 Espírito Santo (ES)…………..312.Bahia (BA)…………………….2 Minas Gerais (MG)……………214.Rondônia (RO)……………….1 O Pará aparece em destaque, com 24 inclusões. O segundo lugar é do Mato Grosso, com 10; seguido pelo Mato Grosso do Sul, com 9. Na sequência, aparece Santa Catarina (com 7 casos), Piauí (6), e Goiás com Maranhão (ambos com 5). Rio Grande do Sul e Paraná apresentam 4 registros cada. Tocantins, Ceará e Espírito Santo (todos os três com 3 casos); Bahia e Minas Gerais (dois registros cada) e Rondônia (com um caso) completam a divisão dos novos nomes que constam da ‘lista suja’ de acordo com a divisão pelos estados da nação.
Marcadas pela expansão da fronteira agropecuária, Norte e Centro-Oeste aparecem com destaque na comparação entre regiões. Do total, 28 dos novos integrantes da lista foram flagrados no Norte (Pará, Tocantins e Rondônia). Outros 24 mantinham trabalho escravo no Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás). O Nordeste somou 16 nomes (em decorrência de ocorrências na Bahia, no Ceará, no Maranhão e no Piauí), acompanhado pelo Sul (15) e pelo Sudeste (5).
Inclusões e Exclusões da ‘Lista Suja’ do Trabalho Escravo Entraram em 31/12/2010 Adão de Góes – 592.275.599-49Ademar Teixeira de Barros – 193.494.086-00AG Construtora Ltda. ME – 08.715.574/0001-58Agostinho Zarpellon e Filhos S.A. Ind. E Comércio – 78.141.843/0001-03Agroflorestal Tozzo S.A. – 02.298.006/0002-01Agropecuária Corumbiara S/A – 04.418.398/0001-31Agropecuária São José Ltda. 03.141.488/0001-65Agrovale Cia. Industrial Vale do Curu – 07.798.994/0001-82Airton Fontenelle Rocha – 026.711.583-00Airton Rost de Borba – 336.451.750-91Aloísio Miranda Medeiros – 871.560.406-34Antônio Assunção Tavares – 049.302.073-04Antônio Carlos Martin – 339.534.147-04Antônio Feitosa Trigueiro – 028.607.833-34Ari Luiz Langer – 300.237.779-15Bioauto MT Agroindustrial Ltda. – 08.645.222/0002-54Brochmann Polis – Industrial e Florestal S.A. 83.750.604/0001-82Carla Ezequiela Tiunilia Tavares Diniz Lemos Melo – 571.146.411-68Carlos Fernando Moura & Cia. Ltda. – 00.110.581/0001-14Carvoaria Santa Lúcia Ltda. ME – 09.606.470/0001-78Cleber Vieira da Rosa & Cia. Ltda. – 09.025.835/0001-70Construtora Lima e Cerávolo Ltda. – 02.683.698/0001-12Darci Antônio Marques – 542.626.408-25Dario Sczimanski – 026.596.899-20De Bona e Marghetti Ltda. – 06.027.636/0001-03Délio Fernandes Rodrigues – 288.135.531-53Derimácio Maciel Soares – 385.433.971-20Dissenha S/A Indústria e Comércio – 81.638.264/0007-62Edésio Antônio dos Santos – 130.382.903-78Edil Antônio de Souza – 368.373.851-00Edson Gomes Pereira – 523.172.503-04Edson Rosa de Oliveira – 158.863.938-03Elcana Goiás Usina de Álcool e Açúcar Ltda. – 08.646.584/0001-89Ervateira Regina Ltda – 84.585.470/0001-54Espedito Bertoldo de Galiza – 066.925.083-04Eujácio Ferreira de Almeida – 479.534.627-53Fabiano Queiroz – 876.184.946-49F. L. da Silva Carvoaria – 04.888.353/0001-20Gilmar Gomes – 10.250.105/0001-52Gilmar Toniolli – 475.888.700-44Ind., Com. e Representações Família Betel Ltda. – 12.317.202/0001-40Imfisa – Infinity Itaúnas Agrícolas S/A. – 39.403.274/0001-67Isaías Alves Araújo – 257.529.951-91Jaime Argollo Ferrão – 139.730.618-15João de Araújo Carneiro – 001.284.653-87João Dilmar Meller Domenighi – 262.332.070-53João Ribeiro Guimarães Neto – 127.367.591-68Joel Pereira Corrêa – 022.756.941-53José Carlos Castro dos Santos – 345.160.185-00José Carlos Pereira da Silva – 858.232.449-91José Celso do Nascimento Oliveira – 256.803.665-68José de Oliveira Lima – 110.902.001-53José Egídio Quintal – 011.739.109-30José Silva – 008.067.734.-72JR2 Construtora Ltda. – 04.247.681/0001-48Landualdo Silva Santos – 375.838.832-53Libra Ligas do Brasil S.A. – 10.500.221/0001-82Madecal Agro Industrial Ltda. – 83.053.777/0002-22Magno Rodrigues de Souza – 873.741.022-91Manoel Luiz de Lima – 117.134.109-15Nelcimar Borges do Prado – 039.738.081-04Nelson Donadel* – 008.042.230-68Nutrivale Madeiras e Erva-Mate Ltda. 75.144.139/0001-08Onofre Marques de Melo – 050.043.141-87Osmar Alves dos Santos – 031.447.631-87Pedro Ilgenfritz 007.355.541-02Peris Vieira de Gouvêa – 214.527.257-72Ramilton Luis Duarte Costa 745.079.823-91Realsul Reflorestamento Américas do Sul Ltda. – 77.585.701/0001-64Repinho Reflorestadora Madeiras e Compensados Ltda. – 82.196.510/0001-40Ricardo Peralta Pelegrine – 06.916.320/0001-72Roberto Sebastião Pimenta 223.128.116-34Ronaldo Garcia Pereira – 427.359.632-68Rotavi Industrial Ltda. – 59.591.974/0014-54Samarone de Freitas – 827.977.571-49Sebastião Levi de Carvalho – 011.690.681-20Sebastião Marques da Silva – 097.955.612-00Sinomar Pereira de Freitas – 061.306.901-34Transcarmo Transporte de Combustíveis Ltda. – 24.884.516/0001-80Usina Fortaleza de Açúcar e Álcool – 05.935.048/0001-05Valdemar Rodrigues do Vale – 092.315.011-00Valdivino Barbosa da Silva – 268.106.702-20Valnei José Queiroz – 664.920.410-20Valtenir João Rigon – 680.445.349-20Vanil Martins Sampaio – 068.305.606-91Von Rommel Hofmann Peixoto – 001.693.997-29Wanderley Rabelo de Andrade – 376.882.436-53Welson Moreira da Luz – 680.881.082-68 Saíram em 31/12/2010 013.202.708-91 – Adolfo Rodrigues Borges 035.406.423-15 – Antônio José Assis Braide 427.352.541-00 – Benedito Neto de Faria 452.361.006-15 – Daniel de Paiva Abreu 07.617.675/0002-04 – Ecofértil Agropecuária Ltda. 402.456.832-91 – Fábio Oliveira Ribeiro26.830.240/0001-07 – Fatisul Indústria e Comércio de Óleos Vegetais Ltda.061.664.905-34 – Flávio Orlando Carvalho Mattos 021.651.635-87 – José Rodrigues dos Santos 181.929.206-15 – Marco Antônio Andrade Barbosa087.860.918-08 – Paulo Rogério Sumaia131.447.406-59 – Raimundo Nonato de Pinho Filho 07.674.312/0001-20 – Reflorestar Com. Atacadista de Produtos Florestais Ltda. 215.712.607-49 – Romildo Contarini 072.967.381-20 – Sebastião Cabral Moreira Guimarães 000.285.769-34 – Valdir Bueno de Faria
A atualização consiste na última realizada no governo Lula e a maior em número de entradas. Esse grande volume de inclusões está diretamente vinculado ao grande número de estabelecimentos inspecionados entre 2007 a 2009 (206, em 2007; 301, em 2008; e 350, em 2009).
O período existente entre as libertações e a entrada efetiva do empregador na ‘lista suja’ é marcado pelo processo administrativo dentro do MTE, que inclui o direito de defesa por parte do fiscalizado. Nesse intervalo, o número de pessoas libertadas, de acordo com a pasta responsável dentro do governo federal, foi de 3.769 em 2009; 5.016 em 2008; e 5.999 em 2007.
A ‘lista suja’ é reconhecida internacionalmente como um dos principais instrumentos no combate ao crime de trabalho escravo no Brasil. A pressão decorrente da inclusão no cadastro se dá por parte da opinião pública e da repressão econômica.
Após a inclusão do nome do infrator na ‘lista suja’, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia (Basa), o Banco do Nordeste (BNB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
O nome da pessoa física ou jurídica incluída permanece na relação por pelo menos dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências.
(Maurício Hashizume)