Call Center: CPFL deve cumprir liminar e pagar salários

05 dezembro 18:30 2010

Durante mais de cinco horas, audiência no TRT foi acompanhada por trabalhadores e Ministério Público
 
A CPFL cumprirá a liminar da 10ª Vara do Trabalho, mantendo os contratos de trabalho e cumprindo suas respectivas cláusulas, incluindo o pagamento dos salários e demais benefícios. Essa foi uma das decisões acordadas em audiência realizada na manhã desta sexta-feira (03), no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, para discutir a demissão ilegal dos 135 trabalhadores do Call Center da holding que continuam sem o pagamento dos salários de novembro e sem vários benefícios previstos no Acordo Coletivo.


Dirigida pela juíza Siumara Junqueira de Oliveira, a audiência durou mais de cinco horas e contou também com a participação do procurador Nei Messias Vieira, representando o Ministério Público do Trabalho (MPT), além de 42 trabalhadores do Call Center. A mediação foi solicitada pela CPFL depois da reunião em que o Sinergia CUT rejeitou a proposta absurda de assinar um termo de acordo para permitir as demissões e abrir mão do processo judicial.


No encontro, que aconteceu no último dia 29, o Sindicato cobrou responsabilidade da CPFL e respeito à decisão da Justiça, com o retorno imediato dos trabalhadores à empresa. Vale lembrar que poucos dias antes, em 25 de novembro, o Sindicato acompanhou mais de 80 trabalhadores à sede da empresa em Campinas na tentativa de que a liminar judicial fosse cumprida e todos pudessem retornar ao seu local de trabalho.


“Queremos trabalhar” foi a palavra de ordem da manifestação que durou cerca de três horas. Em vão. A insensibilidade e a ilegalidade da direção da CPFL, que impediu a entrada dos trabalhadores, foram registradas em Boletim de Ocorrência para preservação de direitos.


Contradição
A audiência desta sexta começou com a exposição de motivos da CPFL para solucionar o impasse, com a proposta de pagamento de uma indenização adicional de um salário e a alegação de que o retorno dos trabalhadores não é possível, já que o Call Center foi desativado.


“Tentou ainda explicar o inexplicável quando falou da CPFL Atende, que terceiriza ilegalmente uma atividade fim e paga salários bem mais baixos, e subestimou a inteligência de todos os presentes quando afirmou estar cumprindo a liminar, apesar de impedir o trabalho, não pagar salários e cortar benefícios”, relata a direção do Sinergia CUT.


Já em defesa dos trabalhadores, o Sindicato ressaltou que a CPFL não está cumprindo a liminar, pois, se os contratos de trabalho estão mantidos, os trabalhadores deveriam ter recebido o salário de novembro e o vale alimentação, além de não terem sido cortados da Assistência Médica Hospitalar e da Fundação CESP.


Precipitação
A advogada Tânia Tosetti relatou e documentou também todas as tentativas recentes e insistentes do Sindicato em fazer a CPFL cumprir a liminar, comprovando que a empresa continua afrontando a decisão judicial. Argumentou ainda que, além de impedir o retorno ao trabalho, a CPFL foi precipitada ao desativar o Call Center. “É fato que a empresa, de forma precipitada e visando justamente não cumprir a decisão da Justiça, tomou rápidas providências para que os trabalhadores não tivessem para onde retornar, na tentativa de tornar definitiva a vontade da direção da CPFL Energia.”


Diante disso, a contraproposta do Sindicato foi o retorno imediato dos trabalhadores aos postos de trabalho e a negociação direta sobre qualquer tipo de reestruturação do Call Center, conforme prevê o Acordo Coletivo. O MPT pediu vistas do processo e pode dar início a uma Ação Cívil Pública.


Decepção e humilhação
Dentre os trabalhadores presentes, muitos manifestam agora a intenção de sair da empresa pela situação de desrespeito a que estão sendo submetidos. “Estamos sem salário, com dificuldades financeiras, mas o pior é que fomos desrespeitados pela CPFL, o que faz com que não confiemos mais na empresa, já que nem eles seguem o seu próprio Código de Ética”, afirmam.


Outros contaram que a CPFL está contratando terceirizados nas agências, ao invés de readaptar os trabalhadores do Call Center, ainda que seja em outras atividades. “Estamos sendo muito humilhados. Pensamos até em pedir uma indenização pelos transtornos trabalhistas e de assédio que estão sendo causados pela empresa”, completam.


Pagamento e reunião na terça
Ao final da audiência, ficou acordado que a CPFL deve pagar os salários e benefícios atrasados até a próxima terça-feira (07).


Nesse mesmo dia, às 14 horas, ocorrerá nova reunião na sede do Sinergia CUT para esclarecer os trabalhadores sobre a situação futura de quem quer ficar e de quem quer sair da empresa. A reunião com os trabalhadores deve contar com a presença de dirigentes do Sindicato, além de gestores da CPFL Energia e de representantes do MPT.      

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