Professor Nivalde de Castro destaca que térmicas podem ser negociadas em leilões A-3, por conta de prazos menores de construção
O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde José de Castro, classificou como correta a decisão do governo de não realizar o leilão A-5 sem a participação de energia hidráulica. De acordo com o professor, não faria sentido realizar um leilão para construir térmicas para 2014. Ele ressaltou que esse tipo de usina leva menos tempo para ser construída que uma hidrelétrica. ‘Termelétrica não precisa de cinco anos para ser construída. Se o leilão é para A-5, é para construir hidrelétrica. Não tem hidrelétrica, a demanda é pequena, adia-se [o leilão]. Eu acho que foi uma medida absolutamente correta. É uma prova da consolidação da política energética, da percepção de que a matriz brasileira está sofrendo uma evolução’, avaliou Castro, que participou nesta quinta-feira, 10 de dezembro, do workshop ‘O presente e o Futuro da Energia Nuclear no Brasil’, organizado pelo Gesel/UFRJ, na Associação Comercial do Rio de Janeiro.Além disso, Castro destaca que o país tem dado preferência a fontes renováveis, ao contrário de 2007 e 2008, quando foram contratados 6.832 MW de térmicas óleo em leilões de energia nova. Ele disse ainda que, com a realização do leilão de eólicas, previsto para a próxima segunda-feira, 14 de dezembro, o Brasil vai mostrar ao mundo a vocação e a competitividade que tem em relação a sua matriz energética.O professor avalia que o leilão de energia eólica pode contratar até 3 mil MW. Castro acredita que o certame será competitivo, inclusive por conta da desoneração do IPI anunciado pelo governo na última quarta-feira, 9. ‘Acho que a competição do leilão vai ser forte porque, com essas medidas, foi reduzido o custo e aumentada a perspectiva de demanda’, avaliou.Entretanto, ele ressalta que o fator de carga é inferior a 50%. ‘Há espaço para contratar 3 mil MW. Como o fator de carga é menor do que 50%, se você comprar 3 mil, você está contratando quase 1,2 mil MW médios porque o fator de carga é 40%’, calculou.Sobre energia nuclear, o professor observou que ela possui um papel importante como opção no futuro da matriz, na medida em que essa fonte reduz a inflexibilidade na medida em que as usinas operam na base, mitigando riscos hidrológicos. Em sua apresentação, o coordenador do Gesel avaliou que a energia nuclear tem externalidades positivas muito importantes e que a discussão sobre o custo-benefício em relação a outros tipos de energia não gera resultados efetivos. Castro disse ainda que a fonte nuclear tem um cluster industrial muito importante, que vai trazer vantagens tecnológicas para o país no futuro.
(Danilo Oliveira)