O motivo da alta foi a assinatura pelo presidente da República da Medida Provisória 466, que trata da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) dos sistemas de geração de energia
As ações de energia elétrica vêm ganhando destaque nos pregões deste mês. Para se ter ideia, os dois papéis da Eletrobrás lideram os ganhos do Índice Bovespa em dezembro. As preferenciais (PN, sem voto) série B acumulam valorização de 34,15% e as ordinárias (ON, com voto), de 33,62%. Outras elétricas estão na mesma situação. As PNB da Celesc sobem no mês 16%, as PNB da Copel, 15%, enquanto as PN da Cemig e as ON da CPFL registram altas de 14,29% e 13,58%, respectivamente. Ontem, esse movimento continuou, especialmente na Eletrobrás. As ON da estatal subiram 7,34% e as PNB, 4,62%, novamente entre as líderes do Ibovespa.
Ontem, especificamente, o motivo da alta foi a assinatura pelo presidente da República da Medida Provisória 466, que trata da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) dos sistemas de geração de energia. Com essa MP, as subsidiárias da Eletrobrás passam a receber recursos para pagar a diferença entre o custo de geração e a venda efetiva de energia. ‘Essa regulamentação vai beneficiar diretamente o balanço da Eletrobrás’, diz o gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche.
Isso porque, até então, as subsidiárias da Eletrobrás tinham perdas, que se refletiam nos números finais da estatal. Agora, com a reversão desse cenário nas controladas, o balanço da controladora também melhorará. Os cálculos variam muito, mas o consenso é de que os ganhos serão significativos para a Eletrobrás. Alguns analistas acreditam que haverá um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) adicional de R$ 1,5 bilhão ao ano. Outros, mais otimistas, estimam até R$ 2,6 bilhões a mais ao ano, lembra o gerente da Modal Asset.
Mudanças importantesA MP 466 não é a única notícia positiva para o setor elétrico. ‘Desde o início do ano, a Eletrobrás vem dando claros sinais de evolução na sua gestão; o mercado espera que, de fato, ela se torne a Petrobras da energia elétrica, algo que o governo vem dizendo que vai acontecer há algum tempo’, diz Roche. Várias medidas estão sendo adotadas nesse sentido. No mês passado, por exemplo, o conselho de administração da Eletrobrás aprovou o aumento de capital de R$ 11,7 bilhões em suas subsidiárias. Com essa medida, a estatal acaba com boa parte da dívida de suas companhias, fazendo com que elas economizem cerca de R$ 2 bilhões por ano em juros que pagavam para a própria Eletrobrás. A estatal deixará de ganhar esse dinheiro. No entanto, é dona de companhias muito mais saudáveis, o que deve significar o recebimento de dividendos de cerca de R$ 30 bilhões nos próximos dez anos.
Voltando um pouco mais no tempo, a Eletrobrás passou de credora à acionista em empresas de distribuição no Norte e no Nordeste do país. Agora ela centralizou a gestão dessas companhias, o que trouxe ganhos de sinergia e melhorias relevantes na administração. ‘Isso deve reduzir os prejuízos dessas empresas e, consequentemente, trazer reflexos positivos dentro do balanço da Eletrobrás’, observa Roche.
A pedra no sapatoA pedra no sapato da estatal são os históricos dividendos atrasados, uma verdadeira novela mexicana. Muitos minoritários já dão esse dinheiro por perdido. Para a Empiricus Independent Research, a companhia pagará os dividendos em breve e, em seguida, deve começar uma profunda reestruturação separando os ativos ruins dos bons. O que eles chamam de ‘boa Eletrobrás’ entraria no Novo Mercado, com boa geração de caixa e melhor governança. A conferir.O Ibovespa ontem fechou em alta de 1,05%, aos 68.728 pontos. Essa é a nova pontuação máxima do ano e a maior também desde 9 de junho do ano passado, quando o indicador fechou aos 69.281 pontos.
(Daniele Camba)