Assessoria do TRT usa argumento da própria empresa para legitimar a reivindicação dos trabalhadores exposta pelo Sinergia CUT durante a audiência. Nova reunião está marcada para quinta (29). Estado de greve continua
O Sinergia CUT participou nesta segunda-feira (26), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, da primeira reunião para tentativa de negociação com a CESP. Essa audiência, ocorrida sob mediação da assessoria do Tribunal, foi uma proposta de conciliação apresentada no dia 20 passado pelo desembargador Nelson Nazar.
Ao reconhecer o óbvio, empresa se contradizO Sindicato esclareceu ao assessor sobre o impasse criado pela empresa com relação às reivindicações dos trabalhadores, explicando, principalmente, a questão da vigência por três anos para a cláusula de gerenciamento de pessoal em caso de alteração do controle acionário.
A CESP, por sua vez, informou que não vê sentido na permanência dessa cláusula no ACT, já que, segundo afirmou ao TRT, o governo não venderá a estatal.
E foi exatamente com esse argumento que o assessor do Tribunal disse estar convencido da legitimidade da reivindicação do Sindicato, afirmando que, sem a possibilidade da venda da empresa, não consegue entender a insistência da CESP em alterar a redação da cláusula.
Empresa parafuso: apertou, espanou!Como fez em negociações passadas, quando se viu na obrigação de tomar decisão coerente, a CESP ‘espanou’. Por mais uma vez, os representantes da estatal informaram que não têm autonomia para aceitar ou rejeitar qualquer proposta apresentada na reunião. Afirmou novamente que o ACT já foi assinado com outras duas entidades sindicais, que representam 50% da base.
Mantendo a coerência e demonstrando sempre sua disposição em negociar, o Sinergia CUT propôs à assessoria do Tribunal a continuidade da negociação com a mediação do TRT. O objetivo é encontrar uma redação alternativa que atenda a reivindicação dos trabalhadores, garantindo o emprego em caso de transferência do controle acionário da empresa.
Diante disso, foi agendada uma nova reunião no Tribunal para a próxima quinta (29), às 16h, quando A CESP deverá apresentar uma proposta para solucionar o impasse criado pela empresa e governo estadual.
Estado de greve continuaConforme deliberado pelos trabalhadores nas assembléias do dia 21 passado, está mantido o estado de greve até o julgamento do mérito.
Vale lembrar que a negociação da Campanha Salarial 2009 foi conduzida ao tribunal pela CESP e pelo governo do estado de São Paulo de maneira arbitrária e autoritária. No último dia 20, o TRT convocou empresa e Sindicato para uma audiência de conciliação e instrução, depois que a CESP entrou na Justiça com o processo de dissídio coletivo e pedido de liminar para garantir 70% do quadro de trabalhadores.
A proposta de conciliação apresentada pelo desembargador, além de suspender a greve, determinava a abertura de um canal de negociação com a participação da assessoria econômica do Tribunal para que as partes pudessem caminhar para uma solução negociada do conflito. Essa proposta foi aprovada pelos trabalhadores em assembleias.