Por muito pouco manobra da CPFL e do Sintius não prejudica também financeiramente os trabalhadores. Proposta de 6,4% nos salários só saiu com a intervenção do Sinergia CUT
Foi por pouco. Se dependesse da manobra da CPFL Energia e do Sintius (Sindicato dos Urbanitários de Santos), que preferiram jogar a Campanha Salarial para a Justiça, a proposta econômica ficaria nos 5,5% já rejeitados na última rodada.
Foi a capacidade de negociação do Sinergia CUT durante a audiência realizada na última quarta (01) pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2a Região, em São Paulo, que o reajuste dos salários chegou aos 6,4% e o de benefícios ficou em 6%.
Manobra perigosaConforme divulgado pelo Sinergia CUT, a negociação da Campanha Salarial na CPFL Piratininga acabou sendo encaminhada para a Justiça porque o Sintius blefou que ia fazer greve, o que fez a empresa entrar com uma ação cautelar junto ao TRT.
Diante disso, o Tribunal convocou uma audiência de instrução e conciliação, somente com a participação do Sintius e da CPFL Piratininga. Durante a audiência, CPFL e Sintius fizeram um acordo para envolver todas as demais entidades e jogar todos os trabalhadores da holding em cenário de dissídio.
Intimado pelo TRT de São Paulo, o Sinergia CUT participou então da audiência da última quarta para, como sindicato majoritário da CPFL Energia, atender à Justiça, reforçar a rejeição da proposta da empresa e solicitar a reabertura da mesa de negociação.
Capacidade de negociação ‘Mas não fosse a participação e a intervenção do Sindicato na audiência, o TRT poderia ter legitimado o reajuste de apenas 5,5%. A proposta só avançou depois de muita negociação, inclusive em contato direto com a direção da empresa em Campinas’, destaca a direção do Sinergia CUT.
Vale ressaltar que a prática do Sinergia CUT sempre foi a de conduzir as negociações da Campanha Salarial para chegar a uma proposta negociada na mesa, sem chance de levar o ACT para dissídio coletivo, correndo o risco de prejudicar os trabalhadores.
Dupla irresponsabilidadeApesar disso, diante da irresponsabilidade em dose dupla – da empresa e do sindicato de Santos – a proposta econômica avançou para os 6,4% nos salários. ‘Mas outras reivindicações importantes da pauta dos trabalhadores foram prejudicadas, principalmente a redução da rotatividade na Política de Emprego’. Uma luta que, para o Sinergia CUT, continua independentemente do resultado da Campanha Salarial. Mas tem que ser na mesa de nagociação.
Ainda assim, o Sinergia CUT levará a proposta construída na audiência para apreciação dos trabalhadores em assembleias deliberativas que acontecem até a próxima terça-feira (07).
A proposta que está na ata
A proposta na prática
Na prática, o reajuste proposto pela CPFL é de 6% também para os salários. O acréscimo de 0,4% vem da verba de 1% da Política de Movimentação de Pessoal por Desempenho, que já está prevista no atual Acordo Coletivo. O 0,6 restante será pago em abono não incorporado aos salários. Para a direção do Sinergia CUT, o avanço econômico tem dois lados: ‘É positivo que o 1% seja distribuído de forma igual para todos os trabalhadores. Mas é lamentável que a CPFL só aumente o reajuste usando uma verba dos próprios trabalhadores, sem mexer no alto lucro da holding’.