‘AES diz que manterá no país investimento de R$ 650 milhões’. Esse é o título de uma matéria divulgada pelo jornal Valor Econômico no dia 06 de janeiro deste ano. Passados três meses dessa publicação, nos primeiros dias de abril, a mesma Companhia já promoveu 77 demissões em três de suas empresas no Brasil: Uruguaiana, Tietê e Eletropaulo.
No caso da AES Uruguaiana, 29 pessoas foram dispensadas no dia 01 de abril. A Companhia simplesmente informou que a termelétrica deixou um prejuízo de R$ 433 milhões em 2008 e houve a necessidade de ‘hiberná-la’, reduzindo as atividades. Outros 13 trabalhadores foram transferidos e realocados em negócios da AES no país.
E as contradições quanto à verdadeira situação e intenções da Companhia no Brasil aumentaram com as 47 demissões na Eletropaulo e com dispensa de um trabalhador na AES Tietê ocorridas na última sexta-feira (03).
Na matéria publicada em janeiro passado pelo Jornal Valor, o presidente da AES no Brasil, Britaldo Soares, informou que as empresas distribuidoras de energia da AES iriam manter os investimentos previstos para 2009 no Brasil. ‘A AES Eletropaulo investirá R$ 450 milhões e a AES Sul cerca de R$ 200 milhões para manter, expandir e atender sua rede básica. Mesmo que o consumo não cresça no próximo ano, em função da crise, estes investimentos se fazem necessários’, afirmou na época.
IncoerênciasA direção da AES Eletropaulo tem justificado as recentes demissões como ‘movimento natural de qualquer negócio’. Diz ainda que já contratou 142 trabalhadores no último quadrimestre e que as vagas dos 47 desligados deverão ser repostas.
Para o Sinergia CUT são inaceitáveis as tentativas de explicações da Multinacional, principalmente nesse momento de crise financeira mundial em que o emprego e as contratações não estão em alta. Além do mais, seria o caso da AES fazer a sua parte e colaborar para fazer levantar a economia, uma que o Brasil já vem mostrando reações positivas com relação à crise mundial.
Mais: a AES Brasiliana de Energia (que exerce o controle acionário das empressas do Grupo AES no Brasil), conta com a participação do capital do BNDES, que detêm 49% das ações da empresa. Ou seja, dinheiro público brasileiro investido em multinacional que faz demissão em massa no Brasil. Lamentável. O Sindicato está tomando todas as providências para tentar reverter as demissões ocorridas nas empresas da AES no estado de São Paulo.