Furnas: PMDB propõe CPI para investigar fundos de pensão

03 março 11:56 2009

Sem conseguir substituir parte da direção do fundo de pensão de Furnas, Real Grandeza, o PMDB agora diz que irá recolher assinaturas para criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigue todos os fundos. O PT é contra e criticou a proposta.


A ofensiva acontece um dia depois de o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) recuar oficialmente da tentativa de substituir a direção da Real Grandeza, fundo de pensão dos empregados da estatal elétrica Furnas.


Apontado como o principal articulador da tentativa de mudança dos diretores, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que a ideia da CPI é ‘verificar a saúde, as indicações políticas e ao mesmo tempo propor uma legislação’ para o setor. ‘Os fundos não têm fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União), são tratados como empresas privadas, dinheiro público é colocado e não é fiscalizado.’


Cunha negou que a CPI seja uma resposta pessoal às acusações que vem sofrendo. ‘Ninguém está dando troco. Estamos [a bancada do PMDB] sendo colocados em xeque por ter feito indicação por interesses exclusos e por isso temos que mostrar que o PMDB não quer fazer troca em fundo nenhum e não vai fazer.’


‘A bancada vai apoiar a ideia da CPI e vamos passar a limpo todos os questionamentos relacionados aos fundos de pensão’, disse Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), líder do partido na Câmara, que recebeu o apoio do DEM.


O líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), afirmou que o governo conta com outros métodos para investigações e por isso não seria necessária uma CPI. E disse que o seu partido ‘não precisa mostrar para a sociedade a sua ética’. ‘Para fazer vendeta, [a CPI] não é um método adequado’, afirmou.


Ao mesmo tempo que defende a CPI, Eduardo Cunha parte para o ataque. Diz que o seu nome tem aparecido no noticiário por causa da resposta que deu ao senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) -que disse que alguns filiados ao PMDB ‘querem mesmo é corrupção’.


‘Isso tudo é um jogo político do Jarbas a serviço do [José] Serra. Minha resposta ao Jarbas provocou uma reação de porradaria em cima de mim, para me desqualificar. E a gente paga de um lado com apoio ao PT e por outro lado apanha do próprio PT’, disse o deputado. (Maria Clara Cabral)

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