Ao contrário de outras centrais, CUT não negocia redução de salário e de emprego e inicia uma série de manifestações em várias regiões do país. Sinergia CUT integra o movimento
‘A solução para o enfretamento à crise é a geração de emprego e renda. Demissões, redução de redução da jornada de trabalho com redução de salário e flexibilização de direitos são inaceitáveis. Não somos contra a negociação, mas sim, contra a negociação sem luta’, defende Artur Henrique, presidente nacional da CUT.
Na última segunda (19), durante uma entrevista coletiva, ele mesmo anunciou as propostas da Central de enfrentamento à crise e manutenção do desenvolvimento. O plano de ação da entidade inclui uma série de atividades nacionais que já foram iniciadas na manhã de terça (20).
‘É fundamental a desoneração da folha de pagamento e redução de impostos como IPI, ICMS e IPVA. Porém, como contrapartida, as empresas devem acenar com a manutenção do emprego, especialmente aquelas que recebem benefícios do BNDES, como a Vale do Rio Doce, que obteve seis empréstimos, mas anunciou a demissão de mais de mil trabalhadores’, criticou Artur.
O dirigente rebateu ainda aqueles que atacam a política de elevação do salário mínimo. ‘Observamos vários setores se aproveitando da situação de crise mundial para tentar flexibilizar direitos. A elevação do salário mínimo e dos programas sociais gera renda, emprego e consumo’.
AvaliaçãoSegundo ele, a CUT acredita que os três primeiros meses de 2009 devem servir para avaliação e, ao invés de demitir, os empresários devem adotar medidas como o fim das horas extras, a redução da jornada e a implantação de férias coletivas. Artur foi taxativo: ‘estamos dispostos a negociar, desde que respeitem duas premissas: emprego e renda. Não discutiremos com quem quer menos emprego e arrocho salarial’.
Artur destacou a importância da urgente aprovação da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que inibe a demissão imotivada e combate a rotatividade. ‘Em 2008, as empresas brasileiras demitiram 12 milhões e contrataram 14 milhões de trabalhadores. Apesar do saldo ser positivo, esses números demonstram a facilidade para mandar o trabalhador embora’.
E ainda segundo ele, ‘não se pode adotar o mesmo acordo para a indústria e o comércio, que apresentam resultados de produção e lucro diferenciados. Cada categoria deve negociar de acordo com a demanda’, acrescentou.
MobilizaçõesLogo na manhã de terça (20), metalúrgicos do ABC, da região de Sorocaba e de Taubaté paralisaram as atividades para demonstrar repúdio à pauta do desemprego encampada pela Fiesp.
Nesta quarta (21), a CUT fará uma mobilização contra o aumento da taxa de juros às 09h, diante do Banco Central (Avenida Paulista, 1804). O próximo passo da entidade acontecerá em 11 de fevereiro, Dia Nacional de Mobilização e Luta contra a redução de salário e desemprego.
Energéticos nessa lutaO Sinergia está nessa batalha junto com a CUT e, a partir desta quarta (21) iniciará uma série de assembléias nos locais de trabalho. Em pauta, além das propostas e posição da Central contra a crise e a favor do emprego, os trabalhadores vão debater a Campanha Salarial 2009.