Além da derrota nas votações para extensão de base e criação de sindicato de técnicos, Federaluz e Sindluz de Ribeirão Preto têm que engolir a decisão soberana e unânime da categoria, que repudia o divisionismo e reivindica unidade
Foi um banho de democracia. Os trabalhadores deram mais um grande exemplo de que sindicalismo de verdade se faz no dia-a-dia dos locais de trabalho e na unidade da categoria contra qualquer tentativa de retirar direitos ou de manobrar para dividir e enfraquecer. A avaliação é de trabalhadores ligados à FNU/CUT, que participaram das assembléias convocadas na surdina pela Federaluz e pelo Sindiluz de Ribeirão Preto na tarde da última segunda-feira (15).
Duas tentativas de golpeConforme já noticiado, a Federaluz e o Sindluz de Ribeirão Preto convocaram duas assembléias para tentar dividir e prejudicar a categoria. Tanto é assim que as convocações só saíram publicadas no Diário Oficial da União, jornal de circulação restrita, no último dia 04.
A primeira tentativa era a de tentar estender a base territorial do sindicato municipal para cidades vizinhas, com a intenção de garantir estabilidade a determinados diretores. Cidades aliás que legalmente pertencem ao Sindicato dos Eletricitários de Campinas (STIEEC). A outra manobra era a criação de um sindicato estadual de técnicos e eletrotécnicos. E tudo sem qualquer discussão com os trabalhadores.
Democracia e participaçãoPois bem. Para garantir a democracia, o Sinergia CUT fez várias assembléias nos locais de trabalho na manhã da última segunda, esclarecendo e debatendo com os trabalhadores sobre as duas tentativas de divisão da categoria. E incentivou a participação de todos nas assembléias convocadas.
Uma assembléia, duas derrotasMais de 80 trabalhadores participaram das duas assembléias decisivas. Ao chegar, dezenas de eletricitários e técnicos foram impedidos de entrar. Resistiram, argumentaram e, depois de muita discussão, puderam participar das assembléias.
A categoria elegeu então os trabalhadores que coordenaram as mesas junto com o diretor do Sindluz: o eletricitário/técnico Jesus Francisco Garcia solicitou ao companheiro Benedito Carlos de Souza que fizesse a leitura dos editais. Depois de muito debate, chegou a hora da votação da primeira assembléia.
A extensão de base do sindicato municipal de Ribeirão Preto foi defendida por Eduardo Lima, diretor do Sindluz. Gentil Teixeira de Freitas encaminhou contra a proposta. Resultado: 81 trabalhadores votaram contra e apenas dois votaram a favor. Derrota por esmagadora maioria.
Em seguida, os trabalhadores pediram uma questão de ordem para abertura de discussão de outros assuntos importantes, o que foi aprovado por todos. Veio então a primeira proposta colocada para discussão: a extinção do Sindluz de Ribeirão Preto. Debates quentes antecederam a votação e o resultado final foi a aprovação do fim do sindicato municipal. Por unanimidade. Derrota unânime.
Nova assembléia, terceira derrotaA segunda assembléia aconteceu para decidir sobre a criação do sindicato estadual dos técnicos. De novo, Gentil Teixeira de Freitas defendeu a posição contrária, enquanto o presidente do Sindluz Vagner Abraão defendeu a proposta de um outro sindicato. O resultado se repetiu: 81 trabalhadores votaram contra e apenas dois a favor. Mais uma derrota esmagadora.
Diante de tantos fracassos da Federaluz e do Sindluz de Riberião Preto, com a lista de presença e as atas das assembléias em mãos, a FNU/CUT tomará todas as providências judiciais e sindicais necessárias para garantir que as decisões soberanas dos trabalhadores sejam de fato implementadas.
Até porque os fatos foram registrados por jornalistas da imprensa local e as assembléias foram acompanhadas pela PM, que garantiu a ordem do lado de fora. Mas acima de tudo porque decisão dos trabalhadores não se questiona. Se cumpre.