#EletrobrasPública
A ISP solicita aos membros da CIDH que considerem e aceitem formalmente a denúncia em pauta, dando os encaminhamentos necessários para conduzir as investigações e decisões solicitada
A Internacional de Serviços Públicos – ISP, nesta quinta-feira (17/3), encaminhou carta de apoio à denúncia realizada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos sobre a privatização da Eletrobras por dezenas de entidades sindicais e da sociedade civil brasileira.
No documento, a ISP saúda e apoia essa iniciativa das entidades de denunciar o processo de privatização estatal, que “destaca um aspecto fundamental de toda a operação comandada pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro: o desprezo a direitos humanos da população”. A ISP solicita aos membros da CIDH que considerem e aceitem formalmente a denúncia em pauta, dando os encaminhamentos necessários para conduzir as investigações e decisões solicitada.
“Ao intencionar vender a empresa estatal de energia a toque de caixa, com a ajuda de manobras apontadas como fraudulentas, o governo escancara sua motivação meramente econômica de curtíssimo prazo e ignora a necessidade de milhões de cidadãos que dependem do fornecimento de energia elétrica, notadamente as parcelas mais carentes. O governo também pisoteia questões ambientais implicadas no processo e menospreza os ritos jurídicos ao tentar negar, através de prazos forjados ao arrepio do processo legal, a oportunidade de questionamentos”, diz outro trecho da carta assinada por Denise Motta Dau, Secretária Subregional da ISP para o Brasil.
A ISP representa internacionalmente a FNU – Federação Nacional dos Urbanitários.
Leia a carta na íntegra:Carta de apoio da ISP à denúncia realizada na CIDH sobre a privatização da Eletrobras
São Paulo, 17 de março de 2022.Aos cuidados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados AmericanosA Internacional de Serviços Públicos, sindicato global que representa 30 milhões de trabalhadoras e trabalhadores em 154 países, saúda e apoia a iniciativa de entidades sindicais e da sociedade civil brasileira de denunciar o processo de privatização da Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S.A – na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A fundamentação da peça de denúncia, já protocolada, destaca um aspecto fundamental de toda a operação comandada pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro: o desprezo a direitos humanos da população.Ao intencionar vender a empresa estatal de energia a toque de caixa, com a ajuda de manobras apontadas como fraudulentas, o governo escancara sua motivação meramente econômica de curtíssimo prazo e ignora a necessidade de milhões de cidadãos que dependem do fornecimento de energia elétrica, notadamente as parcelas mais carentes. O governo também pisoteia questões ambientais implicadas no processo e menospreza os ritos jurídicos ao tentar negar, através de prazos forjados ao arrepio do processo legal, a oportunidade de questionamentos. Em suma, como afirmado pelo conjunto de entidades que protocolaram a denúncia, a venda tal como concebida coloca a questão monetária imediata acima da dignidade humana do povo brasileiro.A denúncia se faz especialmente importante porque, como vimos, coloca em relevo aspecto pouco abordado em negócios como a privatização de patrimônio público, que é a violação de direitos humanos da população. O serviço público não é mera operação comercial, e sim parte essencial da estrutura que deve garantir o direito à vida das populações e, em plano mais amplo, à soberania das nações, aspecto importante quando ainda enfrentamos a pandemia de Covid 19 e suas sequelas que infelizmente perdurarão.Fruto de uma ação coletiva e unitária que reúne diferentes movimentos sociais, a denúncia tem entre seus outros méritos o de inserir a privatização autoritária da Eletrobras na agenda internacional, que neste período histórico faz diversos países reverem os mitos neoliberais que colocavam a ação dos mercados como panaceia de todos os males.Outro aspecto importante é o negacionismo sobre o avanço do controle social vigente no governo, impedindo que a sociedade exerça o direito de participar das decisões que interferem em sua vida e moldar a gestão do Estado ao desejo de um pequeno grupo de mandantes de ocasião.A defesa da vida deve estar acima do lucro, por isso nos dirigimos ao pleno da CIDH, inclusive como representantes internacionais da FNU – Federação Nacional dos Urbanitários, também signatária da denúncia e afiliada à ISP e nos posicionamos solicitando que considerem e aceitem formalmente a denúncia em pauta, dando os encaminhamentos necessários para conduzir as investigações e decisões solicitadas.Atenciosamente,Denise Motta DauSecretária Subregional da Internacional de Serviços Públicos para o Brasil
São Paulo, 17 de março de 2022.
Aos cuidados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos
A Internacional de Serviços Públicos, sindicato global que representa 30 milhões de trabalhadoras e trabalhadores em 154 países, saúda e apoia a iniciativa de entidades sindicais e da sociedade civil brasileira de denunciar o processo de privatização da Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S.A – na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A fundamentação da peça de denúncia, já protocolada, destaca um aspecto fundamental de toda a operação comandada pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro: o desprezo a direitos humanos da população.
Ao intencionar vender a empresa estatal de energia a toque de caixa, com a ajuda de manobras apontadas como fraudulentas, o governo escancara sua motivação meramente econômica de curtíssimo prazo e ignora a necessidade de milhões de cidadãos que dependem do fornecimento de energia elétrica, notadamente as parcelas mais carentes. O governo também pisoteia questões ambientais implicadas no processo e menospreza os ritos jurídicos ao tentar negar, através de prazos forjados ao arrepio do processo legal, a oportunidade de questionamentos. Em suma, como afirmado pelo conjunto de entidades que protocolaram a denúncia, a venda tal como concebida coloca a questão monetária imediata acima da dignidade humana do povo brasileiro.
A denúncia se faz especialmente importante porque, como vimos, coloca em relevo aspecto pouco abordado em negócios como a privatização de patrimônio público, que é a violação de direitos humanos da população. O serviço público não é mera operação comercial, e sim parte essencial da estrutura que deve garantir o direito à vida das populações e, em plano mais amplo, à soberania das nações, aspecto importante quando ainda enfrentamos a pandemia de Covid 19 e suas sequelas que infelizmente perdurarão.
Fruto de uma ação coletiva e unitária que reúne diferentes movimentos sociais, a denúncia tem entre seus outros méritos o de inserir a privatização autoritária da Eletrobras na agenda internacional, que neste período histórico faz diversos países reverem os mitos neoliberais que colocavam a ação dos mercados como panaceia de todos os males.
Outro aspecto importante é o negacionismo sobre o avanço do controle social vigente no governo, impedindo que a sociedade exerça o direito de participar das decisões que interferem em sua vida e moldar a gestão do Estado ao desejo de um pequeno grupo de mandantes de ocasião.
A defesa da vida deve estar acima do lucro, por isso nos dirigimos ao pleno da CIDH, inclusive como representantes internacionais da FNU – Federação Nacional dos Urbanitários, também signatária da denúncia e afiliada à ISP e nos posicionamos solicitando que considerem e aceitem formalmente a denúncia em pauta, dando os encaminhamentos necessários para conduzir as investigações e decisões solicitadas.
Atenciosamente,
Denise Motta DauSecretária Subregional da Internacional de Serviços Públicos para o Brasil
Fonte: Site FNU