O Coletivo Nacional dos Eletricitários realizará denúncias na Comissão de Ética Pública e ao Canal de Denúncia da empresa contra os diretores e conselheiros da holding e da Eletronorte e, caso sejam observados efeitos no balanço da holding, contra os demais diretores da holding.
A Diretoria da Eletrobras recebeu, em 2021, mais de R$2 milhões de bônus (sob o nome técnico de Remuneração Variável Baseada em ações – incluindo opções). O generoso Bônus representou um aumento de aproximadamente 22% na remuneração anual dos diretores da empresa (veja aqui). Os mais de R$2 milhões distribuídos para os diretores em 2021 (aproximadamente R$313 mil/cada diretor em média) na forma de Remuneração Variável foi mais do que cinco vezes superior aos R$ 382 mil recebidos em 2020 (R$63 mil/cada diretor em média). A remuneração variável depende de vários parâmetros. Entre esses parâmetros estão os Lucros, os dividendos pagos e o valor das ações da empresa. Dessa forma, quanto maiores os lucros e o valor das ações da empresa, maior o Bônus (veja aqui).
A Diretoria da Eletronorte tem também parte de sua Participação nos Lucros e Resultados anual atrelada ao lucros e dividendos pagos pela empresa, pelo contrato de metas e desempenho estabelecido entre a Eletrobras e sua subsidiária Eletronorte.
A matéria da jornalista Rafaella Barros, do site Poder360, (clique aqui) lista alguns atos e omissões da Diretoria Executiva da Eletronorte, porém o CNE entende que existem diversas perguntas que ainda não foram respondidas. Listamos elas:
Perguntas a serem respondidas pela Diretoria da Eletronorte:
O CNE pedirá que sejam investigados os seguintes pontos:
– Testes de impairment da CERES Inteligência Financeira e da FMA PARTNERS CONSULTORIA DE NEGOCIOS;
– Posicionamento técnico da PWC sobre a utilização do teste de impairment da CERES Inteligência Financeira e da FMA PARTNERS CONSULTORIA DE NEGOCIOS e exposição de motivos sobre a versão escolhida;
– falta de diligência dos diretores da Eletronorte que contrataram uma empresa por pregão eletrônico e outra por inexigibilidade para o mesmo objeto e se isto, por si só, já é um indicativo de tentativa de fraudar o balanço e ludibriar a PWC;
– posicionamento técnico da PWC em relação a obrigatoriedade de novos testes de impairment, haja vista o teste realizado pela Neoenergia que significou uma baixa no ativo de mais de R$482 milhões que, caso fosse realizado nas empresas Eletrobras, reduziria significativa o valor das participações da Eletronorte, Chesf e da holding (repassadas recentemente para a Eletronorte) no mesmo ativo;
– questionamentos formais aos contadores da Eletronorte, holding e PWC sobre a aplicação o Pronunciamento Técnico CPC 01 que trata da Redução do Valor Recuperável de Ativos e regulamenta a figura do teste de Valor Recuperável de Ativos (impairment), que, tecnicamente, exige que a Eletrobras apresente os resultados de testes de impairment nos mesmos moldes que da Neoenergia, em particular por conta da colocação a venda das ações da empresa. Aplicando uma regra de 3, a partir do resultado da Neoenergia, o impacto do impairment da NESA no resultado da Eletrobras poderia ser superior a R$2,5 bilhões.
– Simulações formais do impacto desta eventual fraude na remuneração variável dos diretores da Holding e na Participação nos Lucros dos diretores da Eletronorte e seus reflexos no balanço Consolidado, como forma de auferir os eventuais ganhos financeiros dos diretores com esta falta de diligência. Sabemos que um impairment desse montante derrubaria a remuneração variável da Diretoria da Eletrobras e a PLR da Diretoria da Eletronorte.
Feita estas perguntas, aguardamos as respostas dos Diretores da Eletronorte, da Eletrobras e da PWC.
Reprodução do boletim do Coletivo Nacional dos Eletricitários – CNE
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Repost do Salve a Energia