Brasil
Para lideranças da CUT, pedido só fará mal ao país. Segundo eles, a OCDE é reconhecida por defender um Estado mínimo e uma cartilha macroeconômica para os ricos e prejudiciais aos países em desenvolvimento
O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e o secretário de Relações Internacionais da central sindical, Antonio Lisboa, afirmam em artigo exclusivo ao Brasil 247, que o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como que Jair Bolsonaro, prejudica o Brasil.
Os sindicalistas lembram que a organização é reconhecida por defender um Estado mínimo e uma cartilha macroeconômica que preza pela liberalização do fluxo de capitais, bons para os ricos — mas extremamente prejudiciais aos países em desenvolvimento.
Leia a íntegra do artigo:
3.A Declaração de Visão do 60º Aniversário da OCDE afirma que está entre seus valores “a democracia, o estado de direito e a proteção de direitos”. Importante ressaltar que o pedido de adesão à OCDE foi feito em 2017 pelo então ilegítimo presidente Michel Temer que violou o estado de direito e atacou a democracia ao orquestrar um golpe de estado junto a outros atores nacionais e internacionais.
8.É importante ressaltar que o país já participa há vários anos de diversos comitês e comissões específicas de seu interesse como a Comissão do Aço e as Diretrizes para Empresas Multinacionais. Mas nem mesmo as Diretrizes para Empresas Multinacionais foram respeitadas ou implementadas pelos governos de Temer e de Bolsonaro. Pelo contrário, o PCN (Ponto de Contato Nacional), que é o órgão essencial para a promoção e implementação das diretrizes, está inoperante e limitado por uma cegueira ideológica do governo, que insiste em atacar sindicatos, ONGs e movimentos sociais. Inclusive isolando esses setores do processo de revisão das diretrizes em curso, uma clara violação das regras da OCDE.
9.A questão não é participar de comitês ou comissões para defender interesses nacionais quando for o caso. Não somos contra Brasil participar desses espaços para debater temas específicos. A CUT participa desde 2012, como convidada, do Comitê Sindical (TUAC), espaço onde se encontram as organizações sindicais dos países-membros e têm contribuído para a defesa de boas práticas nas relações laborais no bloco.
11.Outro elemento a ser considerado é a desigualdade estrutural dos membros da OCDE. Países com enormes diferenças entre seus graus de desenvolvimento são tratados como se fossem iguais.Por exemplo,um tema que temos denunciado nos espaços internacionais é o caso do acesso a vacinas e medicamentos contra Covid-19. A distribuição extremamente desigual das vacinas para combater a pandemia é a prova do quanto o multilateralismo existente hoje ainda é débil, com inúmeras falhas em consolidar uma cooperação internacional que garanta desenvolvimento mais justo, igualitário e solidário.
7. Como bem disse o deputado democrata norte-americano, Hank Johnson, não é possível abrir um precedente para um país cujo presidente é acusado de possíveis crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.
9.A questão não é participar de comitês ou comissões para defender interesses nacionais quando for o caso. Não somos contra o Brasil participar desses espaços para debater temas específicos. A CUT participa desde 2012, como convidada, do Comitê Sindical (TUAC), espaço onde se encontram as organizações sindicais dos países-membros e têm contribuído para a defesa de boas práticas nas relações laborais no bloco.
Escrito por: Brasil247 | Repost CUT