CPI da Morte
O relator Renan Calheiros recomendou 81 indiciamentos, sendo duas empresas e 79 pessoas, entre elas Bolsonaro (ex-PSL), que deve ser resposabilizado e investigado por nove crimes
Está sendo votado nesta terça-feira (26), o relatório final da CPI da Covid do Senado, que apurou durante seis meses ações e omissões do governo federal na pandemia do novo coronavírus, repasses federais a estados e municípios, o colapso da rede de saúde de Manaus (AM), onde pacientes morreram por falta de oxigênio. Além disso, a comissão recebeu e apurou denúncias contra a Prevent Senior, que usou cobaias humanas no ‘estudo’ não autorizado sobre o tratamento precoce com o kit covid, e sobre irregularidades na aquisição de vacinas.
O relatório, do senador Renan Calheiros (MDB-AL), recomendará 81 indiciamentos, sendo duas empresas e 79 pessoas, entre elas o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que deve ser resposabilizado e investigado por nove crimes: crimes de epidemia, infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, crime contra a humanidade, e dois crimes de responsabilidade: violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo. Confira abaixo a lista dos 81 citados no relatório de Renan Calheiros.
Os crimes contra a humanidade e de responsabilidade, que podem resultar em impeachment, estão previstos no Código Penal. Somadas as penas podem chegar a quase 40 anos, caso o presidente seja investigado, julgado e condenado a pena máxima. Em hipótese de pena mínima, o mesmo cálculo levaria a pouco mais de 20 anos de detenção.
O relator também pede o indiciamento dos filhos do presidente Flávio Bolsonaro, senador, Eduardo Bolsonaro, deputado federal e Carlos Bolsonaro, vereador, além do ministro da Saúde Marcelo Queiroga, e do ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello.
O que acontece depois do relatório ser aprovado pela CPI da Covid?
O documento precisa ser enviado aos órgãos responsáveis pelo aprofundamento das investigações. Eles é que decidem se vão responsabilizar ou não as pessoas pelos supostos crimes apontados pelos senadores.
Que órgãos são esses?
No caso de ilícitos criminais ou civis, a competência para investigar e denunciar formalmente é do Ministério Público.
Quem investiga Bolsonaro?
O presidente tem foro privilegiado e quem investiga autoridades como ele é a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O que a PGR poderá fazer?
Poderá instaurar um inquérito para investigar o que ainda julgar necessário ou oferecer uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), se entender que há elementos suficientes.
Mas, denúncias contra o presidente só podem ser feitas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, aliado de Bolsonaro. Mesmo se Aras oferecer denúncia ao STF, para o presidente ser julgado pelo Supremo, é preciso ainda o aval de 342 deputados federais.
E se Aras não fizer nada?
Neste caso, existe a possibilidade dos senadores irem direto ao Supremo por meio de uma ação penal privada subsidiária. Mas, para isso, dependeriam de vítimas dos crimes ou de seus representantes.
Quem mais receberá relatório e por que?
O relatório deverá ser encaminhado à Câmara dos Deputados, responsável pela eventual abertura de um processo de impeachment.
A Casa é presidida por outro aliado de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) que já engavetou mais de 120 pedidos de impeachment do presidente. Cabe apenas ao presidente da Câmara avaliar se pauta ou não a votação de abertura de um processo de impeachment.
E se o pedido for pautado são necessários 342 votos para que que o processo de impeachment seja autorizado.
Depois, para ser instaurado, é preciso aprovação por maioria simples do Senado numa sessão com no mínimo 41 dos 81 senadores. Ao final, para que o presidente perca o mandato, é preciso o voto de 54 senadores.
Quem mais vai receber o relatório?
O documento também deverá ser enviado para o Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga crimes contra humanidade.
O que pode acontecer no TPI?
Crime contra a humanidade é definidos pelo Estatuto de Roma como “ato desumano de caráter similar que cause intencionalmente grande sofrimento ou danos sérios, físicos ou mentais ou à saúde”.
O envio do relatório para este tribunal pode desgastar ainda mais a imagem de Bolsonaro no mundo, mas há certeza sobre resultados jurídicos. Um dos motivos é a necessidade de comprovar que os recursos para punição dentro do país se esgotaram.
Confira os 81 nomes listados no relatório de Renan Calheiros:
Com informações do Congresso em Foco.
Escrito por: Redação CUT