Nada de comemorar
O Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo pelo país, neste 13 de maio, reivindica o auxílio emergencial de R$ 600, comida no prato, o direito da população negra à vacina contra a Covid-19 e ‘fora, Bolsonaro’
Entidades e várias organizações do movimento negro promovem manifestações pelo país, nesta quinta-feira (13), dia em que foi sancionada a Lei Área, em 1888, para denunciar o racismo e exigir o fim do genocídio de população negra. Os atos ocorrem uma semana após a operação policial em Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que terminou com 28 mortos.
As manifestações ocorrerão em todos os estados e no Distrito Federal. As ações do “13 de maio de lutas”, que serão realizados por entidades e organizações que compõem a Coalizão Negra Por Direitos, entre elas a CUT, levarão às ruas as pautas históricas do movimento negro como a violência do Estado. As organizações orientam para que os participantes compareçam de máscaras, com álcool gel para higienizar as mãos e mantenham, o quanto possível, o distanciamento social.
Convocado pela Coalizão Negra Por Direitos, o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo — neste dia 13 de maio, quando é lembrado o dia da abolição inacabada, reivindica ainda o auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia, comida no prato, o direito da população negra à vacina contra a Covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelo direito à vida e pelo ‘fora, Bolsonaro’.
A população negra quer viver e não quer morrer nem por bala, nem por fome e nem por Covid– Anatalina Lourenço, secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT
A população negra quer viver e não quer morrer nem por bala, nem por fome e nem por Covid
– Anatalina Lourenço, secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT
“É um dia nacional de denúncias do racismo, de resistência, luta, de brigar pelo direito à vida nesse momento atual, que é o direito à vida”, completa secretária.
Em quase quatro séculos, o Brasil explorou aproximadamente 4 dos 10 milhões de africanos que foram trazidos para exercer o trabalho escravo. A situação só teve fim por conta da resistência dos negros escravizados, somado ao interesse econômico mundial para que o Brasil deixasse o sistema escravocrata.
Neste dia em que se lembra a “libertação” dos escravos com a Lei nº 3.353, a chamada Lei Áurea, decretada, no dia 13 de maio de 1888 e assinada pela princesa Isabel, o movimento negro prefere não comemorar, mas refletir sobre a resistência e a luta que os trouxeram até os dias de hoje.
A Lei Áurea é vista por pesquisadores e historiadores como conservadora e curta, com pouco mais de duas linhas. A escravidão de fato só teve seu fim do ponto de vista formal e legal há 133 anos, no entanto, a dimensão social e política está inacabada até os dias atuais.
“O 13 maio, que é visto historicamente como o dia da abolição da escravidão como um ato benevolente da coroa portuguesa, a gente precisa explicitar que essa não é essa a verdadeira história. A abolição da escravidão não foi um ato benevolente, ao contrário, ela veio como um processo de pressão para coroa portuguesa e, claro, pelo levante da população negra escravizada que também estava ali atuando”, explica Anatalina.
A promulgação da Lei Áurea foi uma ação recheada de pompa, como observado no registro fotográfico de António Luiz Ferreira, em que uma multidão aguarda do lado de fora do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro, pela assinatura.
O Império sofria pressões internacionais fortes para tirar da legalidade a possibilidade de se escravizar pessoas. Além disso, aumento das ideias abolicionistas e as constantes fugas e insurreições dos escravizados tornavam a escravização um negócio cada vez menos rentável.
Rosana Sousa, secretária-adjunta de Combate ao Racismo da CUT, concorda com a fala de Anatalina.
“O que a gente percebe até os dias atuais é que a população foi escantilhada e vive ainda uma situação de vulnerabilidade, de uma forma muito precária. No mundo do trabalho, estão nos piores postos de trabalho”.
Não é dia para celebrar, mas para a reflexão da sociedade brasileira em torno de uma opressão estruturante e que mascara as desigualdades sociais até os dias de hoje. – Rosana Sousa, secretária-adjunta de Combate ao Racismo da CUT
Não é dia para celebrar, mas para a reflexão da sociedade brasileira em torno de uma opressão estruturante e que mascara as desigualdades sociais até os dias de hoje.
– Rosana Sousa, secretária-adjunta de Combate ao Racismo da CUT
Além de Rio de Janeiro e Niterói, a mobilização está prevista, até agora, em mais de 28 cidades brasileiras: Salvador, Belém, Brasília, Porto Alegre, Recife, São Paulo, Macapá, Goiânia, Teresina, Belo Horizonte, Rio Branco, Cuiabá, João Pessoa, Fortaleza, Vitória, Manaus, Curitiba, Natal, Aracaju, Maceió, Londrina, Angra dos Reis, Macaé, Petrópolis, Santos, Bauru, Ilhabela e Jacareí.
Confira como será o ato em Goiânia: Atos contra o extermínio do povo negro acontecem hoje em todo o Brasil
Nas redes sociais a hashtags #13DeMaioNasRuas está nos TTs
Veja também o manifesto da Coalizão Negra por Direitos sobre a Chacina do Jacarezinho
Confira a programação dos atos pelo país*:
º Rio de Janeiro – Candelária, CentroConcentração: 17h
º Acre – Esquina da Alegria, Rio BrancoConcentração: 7h
º Rio de Janeiro – Portal de Entrada da Cidade – Inoã, Maricá –Concentração: 7:30h
º Ceará – Estátua de Iracema, FortalezaConcentração: 10h
º São Paulo – Rodoviária de Atibaia, AtibaiaConcentração: 10h
º Bahia – Praça da Piedade, SalvadorConcentração: 11h
º Santos (SP) – Praça José BonifácioConcentração: 12h
º Goiás – Av. Anhanguera, 7364, Setor Aeroviário, em frente à Secretaria da Segurança Pública de GoiâniaConcentração: 13h
º Paraná – Londrina – Em Frente a GAECOConcentração: 13h
º Piauí – Praça da Liberdade, TeresinaConcentração: 15h
º Alagoas – Praça Marechal Deodoro, Centro, MaceióConcentração: 15h
º Rio de Janeiro – Praça Veríssimo de Melo, MacaéConcentração: 15h
º Rio de Janeiro – Av. Ernani do Amaral Peixoto, 577, Niterói – Em frente ao Fórum de Justiça e 76º Delegacia de PolíciaConcentração: 15h
º Paraíba – Lagoa, João PessoaConcentração: 15h
º Pará – Altamira – Ato Virtual às 15hTransmissão: Coletivo de Mulheres Negras “Maria Maria” Comunema
º Amazonas – Praça da Polícia, Centro, ManausConcentração: 16h (17h no horário de Brasília)
º Amapá – Fortaleza de São José de Macapá, MacapáConcentração: 16h
º Rio Grande do Norte – Shopping Midway Mall, NatalConcentração:16h
º São Paulo – Av. Paulista – Vão livre do MASPConcentração: 17h
º São Paulo – Praça Dom Pedro II, Bauru – Em Frente à Câmara MunicipalConcentração: 17h
º São Paulo – Praça do Pimenta de Cheiro – Ilha BelaConcentração: 17h
º São Paulo – Pátio dos Trilhos – JacareíConcentração: 17h
º Minas Gerais – Praça Afonso Arinos – Belo HorizonteConcentração: 17h
º Rio Grande do Sul – Esquina Democrática, Porto AlegreConcentração:17h
º Espírito Santo – Praça Costa Pereira – Centro, VitóriaConcentração: 17h
º Maranhão – Praça Dom Pedro II, em frente ao Tribunal de Justiça, São LuísConcentração: 17h
º Rio de Janeiro – Praça Dom Pedro, PetrópolesConcentração: 17h
º Rio de Janeiro – Praça do Porto, Angra dos ReisConcentração: 17h
º Pernambuco – Praça do Derby, RecifeConcentração: 17h
º Sergipe – Rua Abolição, AracajuConcentração: 17h
º Distrito Federal – Praça dos Três Poderes, em frente ao STF, BrasíliaConcentração: 17h
º Paraná – Calçadão, Escadaria da Pernambucanas, LondrinaConcentração: 17h
º Pará – Santarém – Praça da MatrizConcentração: 17h
º Pará – Praça da República, BelémConcentração: 18h
º Mato Grosso – Praça da Mandioca, CuiabáConcentração: 18h
º Paraná – Praça Santos Andrade, CuritibaConcentração: 18h
º São Paulo – Largo do Rosário, CampinasConcentração: 18h
º Paraná – Ponta Grossa – Praça dos PolacosConcentração: 18h
º Paraná – Curitiba – Praça Santo AndréConcentração: 18h
Atos internacionais:
º USA – Union Square, New YorkConcentração: 11h30 am
º USA – Austin/Texas – CapitolConcentração: 7h30 pm
º London – Brazilian EmbassyConcentração: 15th May at 12h am
*Programação sujeita a atualização e alterações.
*Edição: Marize Muniz
Escrito por: Walber Pinto | CUT