A maior parcela dos recursos provenientes de parceiros da Petrobras será destinada à área de exploração de produção de gás
RIO – O setor de gás no Brasil receberá investimentos de US$ 22,1 bilhões até 2011, sendo US$ 17,6 bilhões provenientes da Petrobras e outros US$ 4,5 bilhões de parceiros da estatal. A informação foi dada nesta terça-feira pelo diretor de Gás e Energia da companhia, Ildo Sauer, em entrevista coletiva para detalhar o plano de negócios em sua área para os próximos cinco anos.
A maior parcela dos recursos provenientes de parceiros da Petrobras será destinada à área de exploração de produção de gás (US$ 3,9 bilhões), restando US$ 500 milhões para o segmento de gás e energia e outros US$ 100 milhões para a produção internacional do gás natural. Sauer não informou quais serão estes parceiros e se esquivou de responder a jornalistas sobre o encaminhamento da já anunciada associação da Petrobras com a Repsol YPF, para o desenvolvimento do campo de gás de Mexilhão, na Bacia de Santos. ‘Isso é área do Estrella, em outra ocasião, vocês perguntem a ele’, disse, se referindo ao diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella.
A área de Mexilhão era uma das prioridades da Petrobras para o desenvolvimento, de acordo com seu planejamento estratégico referente ao período entre 2006 e 2010, mas sua entrada em operação foi adiada do início de 2008 para final de 2009. Em seu lugar, tornou-se prioridade o desenvolvimento dos campos de gás não associados, descoberto no sul do Espírito Santo.
O diretor comentou que esta foi uma estratégia adotada pela empresa para atender rapidamente à crescente demanda nacional, principalmente em virtude da instabilidade gerada pelas novas regras da Bolívia. Segundo o novo plano de negócios da Petrobras, que compreende 2007 a 2011, está prevista a ampliação da comercialização de gás no País, dos atuais 41 milhões de metros cúbicos por dia para 70 milhões de metros cúbicos diários.
Nova operaçãoA Petrobras ainda informou que colocará em operação, nos próximos dias, o campo de Manati (BA), que produzirá seis milhões de metros cúbicos de gás por dia e praticamente dobrará a produção no Estado – hoje na casa dos cinco milhões de metros cúbicos diários. A capacidade máxima do campo só deve ser atingida entre o final deste ano e o início de 2007, segundo técnicos da estatal. A produção de Manati é de fundamental importância para todo o Nordeste, especialmente porque viabiliza a operação da Termobahia, uma das usinas termelétricas que pode disponibilizar energia mais barata.
Localizado na Bacia de Camamu, no sul do Estado, o campo de Manati possui reservas de gás estimadas em 24 bilhões de metros cúbicos. O empreendimento, do consórcio formado pela Petrobras e Queiroz Galvão, recebeu investimentos de R$ 1 bilhão. A partir de 2009, quando estiver concluída a malha Nordeste de gasodutos previstos pela Petrobras, o gás de Manati também será levado para outros Estados limítrofes da Bahia, como Alagoas e Pernambuco. (Kelly Lima e Adriana Chiarini)