Pra cima deles
Ação solidária distribuirá cupons de desconto para compra de combustíveis para provar que preço justo é possível. Mobilização também é em defesa das estatais, serviço público, auxílio emergencial e Vacina Já!
Para provar, na prática, que os preços dos combustíveis poderiam ser menores e não serem reajustados praticamente toda a semana, a CUT, suas confederações, federações e sindicatos filiados vão realizar nesta quinta-feira (4), uma ação solidária em todo o país, com distribuição de cupons de desconto para abastecimento e compra de botijões de gás.
As entidades subsidiarão o valor para oferecer à população os combustíveis a preço justo em ações com parceria de movimentos sociais, CUTs estaduais e associações de moradores de comunidades.
Com a ação – veja relação de locais onde será realizada abaixo -, em alguns locais, a gasolina e o diesel poderão ser adquiridos a R$ 3,50 o litro e o botijão de gás, por R$ 50,00. O número de cupons será limitado.
Os sindicatos de bancários filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) também participarão das ações solidárias em todo o país. “Serão realizadas mobilizações integradas, que abordarão não só a defesa dos bancos públicos, mas também, da Petrobras e demais estatais”, afiram Gustavo Tabatinga Jr. Secretário Geral da Contraf-CUT
A mobilização também será organizada nas mídias sociais (Twitter, Instagram, Facebook e outras), com a “hashtag” #BBoBancoDeTodos.
Tabatinga Jr se refere às outras ações que fazem parte do Dia Nacional de Mobilização, organizado pela CUT e centrais sindicais contra a redução do papel do Estado promovida pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL). As pautas incluem a defesa das empresas estatais; a defesa do serviço público; auxílio emergencial e Vacina Já!
O objetivo da campanha solidária é conscientizar a população sobre os impactos sociais da política de preços das Petrobras que tem penalizado os trabalhadores brasileiros. Praticada pela Petrobras desde o governo do golpista Michel Temer, mantida pelo governo Bolsonaro, a Política de Paridade de Importação (PPI) acompanha os preços do mercado internacional e está ajudando a estrangular ainda mais a economia brasileira. E a população é que sente, no dia a dia, os impactos no orçamento familiar.
“O preço do gás tá um absurdo. Aqui no Rio, em janeiro comprei um botijão. Paguei quase 80 reais. A gente economiza pra durar mais, mas não tem a menor condição. Toda vez que vai comprar o gás o preço já aumentou. Imagina quem ganha salário mínimo. É quase 10% do salário. Não tem a menor condição de continuar desse jeito”, reclama a pensionista Andreia Guardiano, de 47 anos.
“Se o governo e a Petrobras adotassem uma política de preços baseada nos custos nacionais de produção, o gás de cozinha, assim como os outros combustíveis seriam bem mais baratos, sem precisar jogar a culpa nos tributos, que servem para atender as demandas sociais do povo com serviços públicos de qualidade”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador geral da Fup.
O secretário de Comunicação da CUT, também trabalhador petroleiro, Roni Barbosa, explica o brasileiro não tem que pagar no combustível o mesmo preço de países que não produzem petróleo. “Os brasileiros não tem que pagar o que se produz aqui com preço que se pratica lá fora. É um absurdo. Preço justo nos combustíveis é urgente e necessário!”, diz o dirigente.
Na terça-feira (2), a Petrobras anunciou mais um aumento de cerca de 5% nos preços. É o terceiro do ano para o gás de cozinha, quarto do ano para o diesel e quinto aumento da gasolina em 2021.
“O preço do gás não para de subir e não sei onde a gente vai parar. Cada vez que acaba o gás dá um frio na barriga porque você não sabe o quanto vai pagar”, diz a autônoma (MEI) Maya Sangawa, 50 anos, moradora de Niterói.
“Pesa no orçamento e a gente tem outras coisas pra pagar em casa – o aluguel, as contas de água e luz, e tem que sobrar para a comida. Cada vez que você vai no supermercado, compra menos com mesmo dinheiro. Não sei como a gente vai fazer”, ela lamenta.
Jeitinho que não adianta
“Antes aumentava a cada quatro meses. Agora, só esse ano, já aumentou três vezes. A gente usa micro-ondas, a air-frier, mas aí gasta do outro lado energia elétrica, então a gente não sabe se come ou compra o gás”. O relato é de Ana Carolina Pesse, formada em Educação Física, da baixada santista.
Ela conta que o marido é autônomo e “trabalha pra conseguir o do dia”, se referindo à renda familiar. “Se o preço do gás aumentar mais, vamos ter apelar pro lampião”, ela brinca em referência a ter de que arrumar outras formas para poder cozinhar.
O conjunto das ações deste dia 4 de março é um instrumento para – mais uma vez – mostrar a insatisfação da população brasileira com o governo Bolsonaro.
Paulo Guedes, ministro da Economia, tem despenhado bem o papel de agente do caos para os milhões de brasileiros informais, desempregados e microempreendedores individuais que ficaram (e ainda estão) sem a renda do auxílio emergencial, encerrado em dezembro pelo governo.
Ao mesmo tempo, Guedes quer promover uma devassa nas estatais brasileiras, destruindo o patrimônio nacional e entregando instituições como Correios, Petrobras, Caixa e Banco do Brasil à iniciativa privada.
Na saúde, o atraso para o início da vacinação no Brasil, a demora na compra de vacinas, a propaganda de medicamentos sem nenhuma comprovação cientifica de eficácia, a omissão em relação a situações urgentes como a falta de oxigênio em Manaus, comprovam o negacionismo do governo, que tem como representante não somente Bolsonaro mas também seu ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.
Durante as ações desta quinta, os bancários do BB divulgarão uma Carta-Aberta à sociedade, em defesa do banco. Também utilizarão carros de som, com mensagens voltadas à defesa das empresas públicas.
Nas unidades do Banco do Brasil serão realizadas reuniões com os funcionários para expor o caráter destrutivo das medidas do governo federal, que, além dos ataques aos bancos públicos, se estende à outras empresas fundamentais ao desenvolvimento do país, como a Petrobrás e Correios.
Veja alguns locais onde ações solidárias serão realizadas:
Amazonas:
Gasolina a preço justo. Serão distribuídos 2 mil com descontos, destinados a taxistas, prioritariamente (limite de 20 litros por carro), no Posto São Lucas, na Avenica Cosme Ferreira (altura do número 20) em Manaus.Contato para entrevistas: Marcus Ribeiro, Coordenador Geral do Sindipetro/AM, fone (92) 98222-3265.
Bahia
Diesel a preço justo: serão 10 mil litros ao preço de R$ 3,09 (limite de 100 litros por caminhão). A partir das 7h, no Posto Aratu, em Salvador (sentido – Salvador/Feira de Santana), na BR 324, km 16,5Contato para imprensa (assessoria): Radiovaldo Costa, diretor de comunicação do Sinidpetro Bahia – (75) 99983-6142
Gasolina a preço justo: Serão 2,8 mil litros ao preço de R$3,50 (limites: 20 litros por carro e 5 litros por moto) no Posto Modelo (Av. Getúlio Vargas) em Feira de Santana, às 13h.Contato para entrevistas: : Deyvid Bacelar (71) 99977-8405
Brasília
CUT-DF promove debate sobre a luta contra as privatizações, contra a Reforma Administrativa e ato simbólico de entrega solidária de cestas básicas a famílias organizadas pela AMORA, às 11h, na Quadra Coberta QN 12C do Riacho Fundo II
Ceará
Gasolina a preço justo em Fortaleza. Serão 1.700 litros de gasolina ao preço de R$ 3,50 (Limites: 20 litros por carro, 5 litros por moto).
Espírito Santo
Ação com motoristas de Uber ocorre nesta quarta-feira (3): gasolina para os 100 primeiros veículos que chegarem a partir das 11h com desconto de R$ 2,00 por litro (limitados a 20 litros por carro e 10 litros por moto), em São Matheus, no Posto Mar Negro.
Minas Gerais
“Gasolina a preço justo”: Ação da FUP e CUT/MG. Serão 6 mil litros, com limites de 20 litros por carro e 10 litros por moto. Público alvo: motoristas de aplicativo.
Pará
Em Belém serão distribuídos 100 botijões a preço justo para as mulheres da periferia da cidade, em uma parceria FUP, MAB e CUT/PA.
Pernambuco
Atividade será na Paróquia do Coque/Pastoral das Crianças (Rua catalão, 94), Recife, às 11h30.A atividade é realizada pela CUT, FUP, Sindipetro PE/PB em parceira com MST, Marcha Mundial das Mulheres, Levante Popular da Juventude, Projeto Mãos Solidárias do Armazém do Campo – Serão doados 50 Botijões de gás e alimentos agroecológicos (1,5 ton), produzidos pela Agricultura Familiar.Contato para entrevistas: : Tiago Carlos, diretor do Sindipetro PE – (81) 8563-5870
Rio de Janeiro (Norte Fluminense)
Serão 300 botijões subsidiados ao preço de R$ 40,00 em uma ação conjunta com o Sindipetro-NF em Caxias, na manhã do dia 4, no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara em Padre Miguel.
Rio Grande do Norte
A “Ação Gasolina” será realizada entre os dias 8 e 12 de março, com início em Mossoró e previsão para alcançar os principais municípios do estado. Serão 2.000 litros de combustível somente em Mossoró. Público principal: motoristas de transporte autônomos.
Ato virtual a partir das 19h, no portal da CUT-RN, na página do Sinte-RN, Facebook e pelo Instagram
Rio Grande do Sul
Ação de distribuição de descontos para 50 botijões, em conjunto com o Movimento Atingidos por Barragens (MAB) no dia 15/03, em comunidades de atingidos.
São Paulo
Gasolina a preço justo em São Paulo, às 13h, no Auto Posto Cidade – Rua Frederico Alvarenga, 65. Serão 5 mil litros destinados a Motoristas de aplicativo e motoboys (dia 04/03).
“Caminhada pela Vida”, em defesa da educação e contra as aulas presenciais, por Vacina Já!, em defesa do SUS, do auxílio emergencial, do emprego e contra as privatizações. Concentração às 10h, na Praça do Patriarca com caminhada até a Praça da República, onde a Apeoesp também realizará um ato.
Contato para entrevistas: : Rafael (11) 98927-5970 ou Vanessa (11) 93299-2305
Outros estados:
Paraná e Santa Catarina estão em lockdown por conta da pandemia, e realizarão ações somente na próxima semana.
*locais a serem confirmados serão divulgados nesta matéria posteriormente
*Edição Marize Muniz
Escrito por: Andre Accarini | CUT