Contra o fascismo
Guilherme Boulos protestou contra decisão judicial que mudou local de ato em São Paulo. Em Belém e no Rio de Janeiro houve prisão arbitrária de manifestantes
Publicado 07/06/2020 – 16h12
Vista aérea do início da concentração no Largo da Batata, em São Paulo
São Paulo – Manifestações em diversas cidades do Brasil pediram democracia e protestaram contra o racismo na manhã e na tarde deste domingo (7). Algumas sofreram com a repressão policial.
Em São Paulo, a concentração no Largo da Batata começou às 14h, após a Justiça ter proibido a mobilização na Avenida Paulista. A decisão, segundo o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, teve como objetivo desmobilizar a manifestação.
No ato, ele discursou e rebateu as acusações de Jair Bolsonaro contra manifestantes, conforme registrou o site Viomundo. “O Bolsonaro passou esses dias todos dizendo que a gente é terrorista. Terrorista não é quem defende a democracia, terrorista é quem é expulso do Exército por tentar explodir o quartel!”, disse.
“Vagabundo é quem ficou 27 anos no Congresso e não fez porra nenhuma. Vagabundo é o Véio da Havan, que recebeu auxílio emergencial”, destacou ainda o líder do MTST.
Em Brasília, houve uma marcha na Esplanada dos Ministérios que, entre outras bandeiras, defendia o “fora Bolsonaro”. Com diversos cartazes, faixas e gritos relacionados ao Black Lives Matter (vida negras importam), movimento inspirado na mobilização que ocorre nos Estados Unidos pelo assassinato de George Floyd por um policial branco.
A marcha antifascista de Brasília teve início às 9h, em frente à Biblioteca Nacional. Por volta das 10h, milhares de manifestantes tomaram a rua da Esplanada dos Ministérios, enquanto policiais faziam um cordão na frente dos prédios.
Um grupo nitidamente menor se manifestou a favor do governo. Vestidos de verde e amarelo, manifestantes acessaram a Praça dos Três Poderes, local tradicional de concentração de apoiadores do presidente nos últimos domingos.
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No Rio de Janeiro, cerca de 15 manifestantes foram detidos na região central da capital fluminense, antes do início do ato Vidas Negras Importam. Segundo o organizador do movimento, Gabriel Murga, a alegação foi que estavam portando álcool gel.
“O grupo não faz parte do movimento, era uma manifestação independente, mas ficamos sabendo que foram detidos por portar álcool gel e já enviamos advogados para a delegacia”, disse Murga ao Estadão Conteúdo.
Em Belém, houve detenção de ativistas.”Foi uma mega operação da polícia militar e civil e dezenas pessoas detidas, uma operação absurda e desproporcional”, disse o advogado Marco Apolo da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH).
Em nota, a entidade destacou que as prisões “não fazem sentido”. “Se não é permitido aos manifestantes se reunirem como aconteceu hoje, também não deveria ser permitido aglomerações em Zonas Comerciais de Belém. é um Decreto que de forma desmedida aponta uma conduta como proibida em uma ocasião, mas abre possibilidades para outra. A lei que vale para um ambiente deveria valer para todos.”
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