Sinergia CUT participa nesta sexta (01) em São Paulo de ato em solidariedade aos atingidos de Brumadinho

Sinergia CUT participa nesta sexta (01) em São Paulo de ato em solidariedade aos atingidos de Brumadinho
31 janeiro 18:01 2019 Nice Bulhões

Promovido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a iniciativa também irá ocorrer em outros estados brasileiros. #SomosTodosAtingidos

O Sinergia CUT participa nesta sexta-feira (01) do ato em solidariedade aos atingidos de Brumadinho (MG), às 18h, na Praça da Sé, em São Paulo. A manifestação é promovida pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Este é apenas um dos atos, já que o MAB convocou movimentos populares de vários estados brasileiros para se solidarizarem, neste dia, com a população atingida pelo crime de Brumadinho, e cobrar por justiça.

Além das barragens das mineradoras, que quando rompidas causam tragédias humanas e ambientais com efeitos irreversíveis e de difícil gestão, o Sinergia CUT lembra que existem ainda as barragens das usinas hidrelétricas. Preocupado com a segurança dessas últimas, o Sindicato cobrou da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a exigência de um Plano de Segurança de Barragens (PSB) por parte das geradoras de energia elétrica, já que muitas ainda não o apresentaram. Leia matéria clicando aqui. Nesta terça (29), a Aneel anunciou que fará uma força-tarefa para fiscalizar in loco as barragens de cerca de 130 usinas hidrelétricas até maio deste ano. Confira aqui essa matéria.

O rompimento das barragens das mineradoras afeta todo o sistema hídrico e, consequentemente, a geração de energia. No caso de Brumadinho, os rejeitos da Barragem do Complexo do Feijão estão descendo o Rio Paraopeba em direção à UHE de Retiro Baixo, que foi até desligada visando a preservação de equipamentos. Mas, se o trajeto dessa água turva não for contido em Retiro Baixo, toda essa pluma (mistura de rejeito e água) poderá chegar ao Rio São Francisco. Ele está a 30 quilômetros dessa hidrelétrica, que, na avaliação do Sinergia CUT, precisa reter toda a lama de minério vazada da barragem do Complexo de Feijão.

“Nos preocupa essa lama que está descendo”, avalia a Direção do Sinergia CUT. “O que vão fazer para parar essa pluma de sedimentos?”, questiona a entidade. Na prática, se Retiro Baixo não conseguir segurar isso, toda a lama irá parar no lago da hidrelétrica de Três Marias, a primeira usina do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, que atravessa cinco estados. Com relação à captação da água, o relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) informou que os valores de turbidez  da água nos pontos ‘Captação RMBH Brumadinho’ e ‘Mário Campos’ estão diminuindo, mas órgãos competentes avaliam que a água está imprópria para o consumo.

De acordo com a direção do Sindicato, as barragens de mineração e das hidrelétricas precisam ser fiscalizadas. “É preciso haver investimentos em monitoramento, com estudos de risco de ruptura por parte das empresas e em fiscalização por parte do Estado”, na avaliação dos dirigentes sindicais. “Por isso, estamos juntos com o MAB nesta cobrança e em solidariedade aos atingidos de Brumadinho, mas também não nos esquecendo dos afetados por Fundão, em Mariana, em 2015.”

Privatização

Para a Direção do Sinergia CUT, os acidentes ambientais e de trabalho se multiplicaram após a Vale do Rio Doce ser privatizada em 6 de maio de 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso. A empresa foi criada em 1942 com recursos do Tesouro Nacional. Durante 55 anos, foi uma empresa mista e o seu controle acionário pertencia ao governo. A Redação do Brasil de Fato publicou, em 2017, a “Venda da Vale completa 20 anos e foi um dos maiores crimes cometidos contra o Brasil“, que faz uma breve história da empresa.

Na avaliação do Sindicato, os responsáveis por esta tragédia criminosa precisam ser penalizados pela perda de vidas de trabalhadores e trabalhadoras e também de moradores e agricultores familiares atingidos. “Foi um crime”, afirma a Direção. Ela lembra ainda que a Vale é reincidente. “Estaremos nesta luta e somos solidários com as famílias dos trabalhadores e dos moradores atingidos.”

Confira aqui o Boletim do MAB – 7º dia do #MassacreDaVale.  Na noite desta quinta (31), subiu para 110 o número de mortes causadas pelo rompimento dessa barragem.

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