Depois de dez horas de negociação, a “Melhor Empresa de Energia do Brasil” apresenta proposta final que não atende a pauta e não investe nos trabalhadores. Assembleias deliberativas dia 23
“O ano de 2017 foi para a ISA CTEEP a coroação de toda a transformação de sucesso que a companhia empreendeu nos últimos cinco anos e que resultou em uma organização mais robusta, eficiente e competitiva.” Assim começa o Relatório da Administração do exercício de 2017 da ISA CTEEP, que segue narrando o “ciclo de crescimento” que a empresa teve no último período. O documento é assinado pelo presidente da empresa Reynaldo Passanezi Filho.
Segundo esse relatório, o processo de prorrogação da concessão gerou em 2016, um resultado de R$9 bilhões, “cujos efeitos foram notados em 2017 e serão incorporados às operações da Companhia nos próximos anos”. Detalhe: a CTEEP foi eleita no ano passado a “Melhor Empresa de Energia do Brasil” pela revista Exame. “Essas conquistas se completam com o resultado do clima organizacional, que alcançou o melhor índice desde que iniciamos sua medição”, observa Passanezi Filho no relatório.
Contradições Pois então… a terceira rodada de negociação da CS 2018 entre a CTEEP e o Sinergia CUT no último dia 12, durou cerca de dez horas e o resultado disso tudo passou longe da avaliação otimista do presidente da empresa.
Nesse tempo de intenso debate, a empresa apresentou três propostas. As duas primeiras foram rejeitadas na mesa, sem qualquer condição de serem levadas para a apreciação da categoria. Já a terceira proposta, que saiu depois de dois intervalos e de exaustiva discussão, foi apresentada pela CTEEP como sendo sua proposta final (veja no quadro abaixo) .
Apesar de alguns pontos terem avançado com relação às rodadas anteriores, na avaliação do Sinergia Campinas, essa proposta ainda não atende à Pauta dos trabalhadores, pois não cria uma política de proteção ao emprego nem de quadro mínimo para evitar a terceirização sem limites que precariza o trabalho e expõe os trabalhadores a todo tipo de riscos de acidente e doenças trabalhistas.
A empresa propõe que as horas extras do banco de horas sejam compensadas na proporção de uma hora trabalhada para uma hora de descanso.
Com relação à PLR, a proposta é de uma nova fórmula por mérito baseado nas avaliações de desempenho individuais e que prejudica a maioria dos trabalhadores.
Vale ressaltar que, no balanço do primeiro trimestre deste ano de 2018, a empresa teve R$ 305 milhões de lucro líquido e a receita líquida foi de R$ 732 milhões, o que significa um aumento de 174% em relação ao mesmo período do ano passado.
O EBTIDA regulatório registrou R$ 684 milhões, com margem de 93,4%, no primeiro trimestre deste ano.
“A proposta é ruim porque a empresa não investe dinheiro nos trabalhadores. Propõe diminuir a indenização existente sem incluir proporcionalmente os trabalhadores admitidos após 01 de junho de 2006”, conclui a direção do Sindicato.
Plano de Lutas! O Sinergia CUT realizará assembleias deliberativas na segunda-feira (23) nos locais de trabalho para que os trabalhadores decidam sobre a proposta final da CTEEP. Em caso de rejeição, será deliberado também o Plano de Lutas, que prevê greve por tempo indeterminado a partir do dia 13 de agosto. Participe! O momento é de luta!!!