Para o ex-ministro da Previdência, o presidente ilegítimo Michel Temer (MDB) banca um desmonte da Previdência oficial, com o incremento de perdão de dívidas aos grandes devedores
Ex-ministro da Previdência Social dos governos Lula e Dilma, Carlos Gabas participou de um debate sobre Previdência Pública nesta sexta-feira, dia 25, no 6º Encontro de Aposentados, Aposentadas e Pensionistas, em Praia Grande. “A previdência não está quebrada. Eu ouvia isso quando entrei no governo federal em 1985”, afirmou o ex-ministro.
Durante a palestra, o ex-ministro afirmou que muita coisa foi feita e inclusive em relação a um possível descontrole de despesas. “Ocorre déficit porque caiu a arrecadação. Estamos com 14 milhões de desempregados. Nos governos Lula e Dilma, o superávit chegava a R$ 30 bilhões por ano. Quando Lula entrou tínhamos 29 milhões de contribuintes e quando ele saiu existiam 60 milhões”, afirmou.
Para ele, o presidente ilegítimo banca um desmonte da Previdência oficial, com o incremento de perdão de dívidas aos grandes devedores. “Ele economiza R$ 10 bilhões de um lado e do outro lado ele perdoa R$ 200 bilhões”, afirmou o ex-ministro, que intitula a reforma como “saco de maldades”.
A resistência do PT na época da proposta da reforma da Previdência vinha, segundo ele, do convencimento de que a ideia levaria a Reforma da Previdência ao abismo. Em contrapartida, Gabas considerou bem sucedida a estratégia de pressionar os deputados em suas bases eleitorais. “Derrotamos momentaneamente a proposta. Mas precisamos ficar mobilizados porque ele pode votar a proposta”, afirmou.
Carlos Gabas defendeu o encaminhamento de uma proposta de reforma, mas com discussão com a sociedade daquilo que é justo. “O Brasil passa por um processo em que as pessoas envelheceram. A pergunta é: – Com qual qualidade de vida? É preciso ter proteção para o idoso. A responsabilidade não é só da sociedade, mas do governo”, explicou.
O próximo passo seria mexer na arrecadação, como o montante de R$ 70 bilhões que usufruem de isenções e empresas que devem mais R$ 500 milhões. “Não dá para falar de reforma previdenciária sem reforma tributária”, completou.