No governo ilegitimo, as medidas são tomadas a passo de lebre ou de tartaruga. Tudo depende do gosto do freguês. Ou do público alvo. Quando o consumidor deve ser preservado e atendido, a vontade é mínima, tanto de empresas como até da agência reguladora. No entanto, as empresas gritam, pedem socorro e o desejo é atendido. De modo imediato.
Dois casos ilustram bem tal situação. A primeira tem como protagonista a Agência Nacional de Energia Elétrica. Em reunião na terça-feira, a agência aprovou um aumento de 42,8% para o valor do patamar 2 da bandeira tarifária vermelha. Resultado prático: a taxa extra cobrada nas contas de luz passará de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 kWh consumidos. Quem vai pagar o pato? Claro, o consumidor. Todos nós. Tudo em ritmo alucinante, sem reflexão ou discussão. Como uma lebre sedenta de água. No caso, a tarifa.
Para justificar sua decisão, a Aneel justifica que deseja evitar um déficit ainda maior na conta que arrecada os recursos das bandeiras tarifárias, que já registra prejuízo. Pela metodologia empregada, esses recursos são usados para cobrir o aumento no custo da geração de energia no país, adotado quando a falta de chuvas e que faz cair muito o nível de armazenamento de água dos reservatórios das hidrelétricas e é necessário acionar mais termelétricas – que geram energia mais cara.
Ah, mas não pense que velocidade é atributo espalhados como rama no setor elétrico.
Um caso típico para ilustrar a discrepância é do linhão de transmissão da hidrelétrica de Teles Pires, na divisa do Mato Grosso com o Pará, inaugurado em julho do ano passado, pertencente a Matrinchã Transmissora de Energia, consórcio formado pela chinesa State Grid (51%) e a paranaense Copel (49%).
Tudo corria bem quando ocorreu um acidente com a linha de transmissão no último dia 07 de outubro, quando aconteceu a interrupção das linhas e a automática perda de geração de energia. Na ocasião o tempo estava chuvoso, com fortes rajadas de vento e descargas atmosféricas na região. Foram detectadas a queda de oito torres de transmissão da LT Paranatinga/Cláudia.
A empresa afirma que a usina foi desligada em coordenação com o ONS, que informou que não houve interrupção de carga no Sistema Interligado Nacional. O que é uma inverdade, pois o linhão interrompeu 100% da geração da hidrelétrica de Teles Pires e parte da geração nas hidrelétricas Jirau e Santo Antonio, no Rio Madeira, em Rondônia.
Em declaração para a imprensa, a empresa disse que está concluindo o levantamento dos recursos necessários e estabelecendo o plano trabalho para recuperar as torres e colocar as linhas em operação no menor tempo possível. Que dia? Hora? Momento? Ninguém sabe. Afinal, como a operação envolve gasto e não arrecadação de recursos (leia-se aumento de tarifa) ninguém tem pressa. Azar do consumidor.