Um conceito espalhado em qualquer esporte de alto rendimento é que o trabalho de construção de uma jogada que leva a vitória é muito mais complexo para viabilização do que aquele cuja intenção é destruir e devastar todo o trabalho do adversário. O governo ilegítimo de Michel Temer leva tal ordem ao pé da letra. Se fosse um jogador de futebol, seria um legitimo beque de fazenda ou volante “brucutu”, pronto a destruir o joelho do oponente.
Neste caso, o camisa 10 são as conquistas sociais e a estrutura econômica formada ao longo dos últimos 50 anos. Dois exemplos podem ser didáticos para mostrar aos trabalhadores do tamanho da derrota arquitetada pelo maior cabeça de bagre que já ocupou o Palácio do Planalto.
O primeiro é o combate ao trabalho escravo. Um dos coordenadores do trabalho de Fiscalização do Ministério do Trabalho não teve medo em denunciar as dificuldades encaradas para enquadrar e punir as empresas adeptas desta prática. Deu certo? Foi ouvido? Nada disso? Além de demitir o denunciante, o presidente ilegítimo Michel Temer emitiu uma portaria que centraliza todas as resoluções na figura do ministro do Trabalho. Inclusive se a empresa será incluída ou não na lista suja do trabalho escravo.
Em resumo: uma fiscalização baseada em critérios técnicos virou um acessório político. Tudo isso em um piscar de olhos. “A lista suja funciona como uma bússola, uma ferramenta de análise de risco. Empresas podem ser corresponsabilizadas e penalizadas hoje se tiverem negócio com fornecedores de lista suja, que é um instrumento técnico, mas passa a ser um instrumento político. Como uma empresa séria vai confiar na lista agora, que passa a ser um instrumento político. É uma mudança incompreensível e nada transparente. O Brasil tem dez milhões de empresas e só cerca de 100 estão na lista suja”, explicou o sociólogo Caio Magri em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Não é um caso isolado. Basta verificar o processo de privatização. No caso das usinas da Cemig, entre a divulgação do edital e a venda foram necessários 131 dias, período do anuncio feito no dia 18 de maio e a venda no dia 26 de setembro. Só como termo de comparação basta dizer que o governo estadual de São Paulo anunciou em novembro de 1994 e a venda só aconteceu no final de 1997.
Ou seja, os fatos mostram que o governo Temer está sedento para marcar gols contra o povo brasileiro.