O presidente bipolar da Eletrobras

O presidente bipolar da Eletrobras
23 junho 12:34 2017 Débora Piloni

Para aumentar a capacidade de governança, Wilson Pinto propõe privatização de empresas do grupo Eletrobras, com redução da metade do quadro de pessoal

“O que a MP está fazendo é dar maior clareza ao marco do setor e promovendo a modicidade tarifária aos setores de transmissão e geração”. Era essa a posição, em novembro de 2012, do então presidente da CPFL Wilson Pinto Ferreira Júnior a respeito da MP 579, que tratou da antecipação da renovação das concessões do setor elétrico.

“O voluntarismo estatal e o populismo tarifário provocaram graves impactos no setor elétrico ao longo dos últimos anos, em particular, a partir da edição da MP 579 ao final de 2012”. Essa é a posição atual de Wilson Pinto, agora presidente da Eletrobras.

A sua dualidade de pensamento e/ou personalidade tem gerado mudanças nas empresas do Grupo que ele lidera. E, pelo que tudo indica, são trágicas mudanças.
No último dia 21, em seminário na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em SP, Wilson Pinto afirmou, com todas as letras, que vê a redução do quadro de pessoal  pela metade e a privatização como meios de aumentar a capacidade de governança da empresa.

Ele propõe a redução do quadro de pessoal de todo o sistema. Atualmente, hoje há cerca de 17 mil trabalhadores, entre  os “de chão de fábrica” e os “de carpete”.

O presidente da Eletrobras quer reduzir cerca de seis mil através da privatização das distribuidoras do Norte e Nordeste e outros cinco mil por meio de Plano de Aposentadoria Extraordinária (PAE) e PDI (Programa de Demissão Incentivada).

Detalhe: a conclusão das privatizações tem data marcada: 30 de novembro de 2017.
Em sua explanação no seminário, Wilson Pinto fez duras críticas ao movimento sindical, que tem o papel da defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.  Ao relembrar que já foi presidente da CPFL enquanto estatal e enquanto empresa privada, Wilson Pinto afirmou:“É uma relação difícil por conta dos programas que são óbvios. Um empresa que está devendo tem que vender (…).  Isso é óbvio e eles são contra isso. Quanto ao Plano de aposentadoria, eles acham que é pequeno. Porque eles entendem que têm direitos(…)”.

E ele conclui: “Esse ano é de grande conflito. Tem que privatizar, então há perda de pessoas e  tem que aposentar. (…). A Eletrobras tem mais gente do que precisa”.

Dualidade/bipolaridade X crescimento/desenvolvimento
Para o Sinergia CUT, a mudança brusca de posição de Wilson Pinto,˗ que antes defendia a medida elaborada para beneficiar o setor elétrico e que agora não apenas se coloca contra ela mas a culpa pelos desarranjos ocorrentes – é que impede o crescimento do grupo.

E mais: o modo truculento que está usando para impor a reestruturação com a  privatização das empresas, segregando os trabalhadores entre atividade fim e atividade meio, sempre com constante ameaça a todos também não permite desenvolvimento do setor.

Só a mobilização e a unidade da categoria poderão enfrentar essa situação. É…
RESISTIR PARA CONQUISTAR!

  Categorias: