Exemplo de combatividade união, garra, consciência e democracia na luta por direitos. E em 2017, a luta é contra os golpistas que tomaram de assalto o poder no Brasil
Nesta quarta-feira, 10 de maio, completa 28 anos a greve histórica dos eletricitários. 1989… era Sarney.
Naquela época, o Brasil registrava índices de inflação de três dígitos (933,62% durante o ano de 1988) e batia recordes de demissões. O Plano Verão anunciado na época só trouxe mais prejuízos aos trabalhadores, que foram às ruas e pararam fábricas contra as medidas do governo federal.
No estado de SP, o governo Quércia adotou uma postura intransigente e não atendeu as solicitações dos trabalhadores das então estatais Cesp e CPFL. A data-base dos eletricitários era em janeiro. Depois de mais de dois meses buscando negociação, os trabalhadores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 10 de maio.
Era também uma quarta-feira. Centenas de trabalhadores, principalmente das grandes usinas da Cesp – Água Vermelha, Jupiá e Ilha Solteira – cruzaram os braços para defender os salários, que perdiam 74,64% do poder de compra, e as empresas públicas, que perdiam a credibilidade e a eficiência para se transformar em cabides de emprego.
Pouco tempo depois, a paralisação contou com o reforço de todos os trabalhadores da Cesp no interior e de grande parte do pessoal da CPFL. Os eletricitários assumiram então o Comando de Greve, que manteve sob controle os serviços essenciais para não prejudicar a população.
A repressão e as armações do governo para tentar desmoralizar a greve não intimidaram os trabalhadores. Aconteceu então uma manobra nunca antes vista: o ex-ministro do Trabalho e então presidente da Cesp, Murilo Macedo, conseguiu abrir o TRT no sábado (13) para que a greve pacífica e ordeira fosse julgada ilegal.
Apesar da força da paralisação, os trabalhadores suspenderam a greve para abrir negociações que trouxeram várias conquistas econômicas e sindicais, que depois se transformaram em direitos. Vieram também as demissões injustas e ilegais de dez companheiros, que mais tarde foram reintegrados.
E aquele 10 de maio de 1989 se transformou em um dia histórico na luta por direitos.
Passados 28 anos… … no 10 de maio de 2017, os trabalhadores vivem outro momento histórico na luta contra os golpistas que tomaram de assalto o poder no Brasil. O país passa por um dos piores períodos em tempo democrático. Os índices de desemprego e de insatisfação batem recordes. Quem ainda tem um trabalho, tem sido explorado e chantageado o tempo todo. O povo vem sofrendo muito com a opressão e com o golpe dado pelo governo ilegítimo de Michel Temer.
Para quem ainda não queria crer que o golpe foi contra os trabalhadores e contra o Brasil, a reforma trabalhista não deixa dúvida. O objetivo é promover uma completa flexibilização do mercado de trabalho, acabando com direitos que hoje estão garantidos em lei e que foram conquistados à custa de muitas lutas. E o que dizer da Reforma da Previdência proposta? O intuito é acabar com as aposentadorias.
Por tudo isso, nos dias 8, 15 e 31 de março deste ano, convocadas pela CUT e movimentos sociais, foram realizadas mobilizações em todo o país para organizar a classe trabalhadora para a greve geral, marcada para 28 de abril.
E o Brasil todo foi sacudido pela Grande Greve Geral. Foi o maior movimento do gênero desde a ditadura: 35 milhões a 40 milhões de pessoas – algo perto de um terço da população economicamente ativa do Brasil – atenderam aos apelos das centrais sindicais e ficaram em casa.
E a grande luta continua
Com a notícia de adiamento da votação da reforma da Previdência, a CUT e as demais centrais sindicais e movimentos sociais intensificam ações de pressão ao Congresso Nacional na semana de 15 a 19 de maio, com mobilização em Brasília prevista para o próximo dia 17 (quarta-feira). Para o dia 24 de maio está confirmada a Marcha e Ocupação de Brasília.
10 de maio de 2017: Lula interrogado O ex-presidente e companheiro Luiz Inácio Lula da Silva será interrogado nesta quarta (10) pelo juiz Sérgio Moro, responsável por ações da Lava Jato na primeira instância da Justiça. A audiência deve começar às 14h na sede da Justiça Federal em Curitiba.
Manifestações pró-Lula já reuniram mais de 1500 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, que fizeram um ato no Monumento a Antônio Tavares, na BR 277 em Curitiba. É a “Jornada de Lutas pela Democracia”. Porque tem luta! Ontem, hoje e sempre!