Morre às 18h57 desta sexta (3), em São Paulo, aos 66 anos, a primeira-dama do Brasil de 2003 a 2010, Maria Letícia Lula da Silva. A CUT, seus dirigentes e a militância sindical de todo o País se solidarizam com a família neste momento de dor
Nota de pesar da CUT
A CUT lamenta profundamente a morte da amiga e companheira Marisa Letícia Lula da Silva, incansável militante das causas sociais e da luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Dona Marisa, mulher e mãe – a querida esposa do presidente Lula -, abriu as portas da sua casa para a militância que criou o Partido dos Trabalhadores e a Central Única dos Trabalhadores e esteve presente em todos os momentos da construção da luta por um país melhor e mais justo.
Se não tivessem ao lado pessoas como Dona Marisa, uma militante forte, afetiva e determinada, Lula e a CUT jamais seriam o que são.
Nossa solidariedade à família e aos milhares de amigos que Dona Marisa conquistou nesses 40 anos em que acompanhou todos os passos do presidente Lula, apoiando, aconselhando e se colocando sempre à disposição em todos os momentos de sua vida.
O luto do Lula é o nosso luto.
Você nunca estará sozinho, companheiro!
D. Marisa, presente!
São Paulo, 3 de fevereiro de 2017.
Central Única dos Trabalhadores
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Nota de pesar do Instituto Lula
O Instituto Lula lamenta profundamente o falecimento de sua conselheira e ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva. Transmitimos nossa solidariedade a sua família, seus amigos e a seus companheiros de luta. Dona Marisa teve uma militância de décadas, dedicada às causas sociais e à defesa da democracia, iniciada ainda durante o período da ditadura. Como primeira-dama, representou o Brasil com a dignidade que a acompanhou durante toda sua trajetória.
O velório será neste sábado(4), das 9h às 15h, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa Letícia se conheceram. O sindicato fica na rua João Basso, 231, em São Bernardo do Campo.
Em seguida haverá uma cerimônia de cremação reservada à família no Cemitério Jardim da Colina.
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Se há uma mulher brasileira contemporânea que simboliza a resistência, a garra e a luta, sem dúvida é dona Marisa Letícia. E ela sempre estará presente na memória do movimento sindical e da história de nosso país.
Foi isso o que mulheres e homens cutistas disseram a ela, em uma homenagem realizada em agosto do ano passado, na cidade de Santo André, durante as comemorações dos 10 anos da criação da Lei Maria da Penha.
Numa conjuntura de golpe e de fascismo, em que desejar a morte parecia comum a alguns, num período em que toda uma família sofria ataques brutais, e ainda sofre, por todos os canais de uma gente que não quer a democracia, dona Marisa jamais esmoreceu.
Por esse legado, mais do que o luto, esta quinta-feira (2) representa um dia para lembrar a figura de uma guerreira, diz a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT São Paulo, Ana Lúcia Firmino. “Ela iniciou sua trajetória muito jovem, o que demonstra o tamanho de sua resistência. E se manteve como impulsionadora da luta, um exemplo para o movimento sindical, para as trabalhadoras e para o movimento de mulheres.”
Secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, também destacou seu legado. “Que mulher é essa? Que buscou forças não se sabe de onde desde os tempos da ditadura militar e esteve lado a lado de um dos maiores líderes políticos da história do Brasil na defesa de um país de justiça e solidariedade. Ela não morreu, vive em cada um de nós, brasileiros e brasileiras que, mesmo vivendo tamanha sordidez do golpe, podem sonhar com um futuro melhor.”
Histórica militante de esquerda nos anos de 1970, Eleonora Menicucci, ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo eleito de Dilma Rousseff, explica o que Marisa representa.
“Marisa Letícia foi uma grande mulher, destemida, corajosa, solidária e guerreira. Desde as greves de São Bernardo do Campo, ela sempre ajudava, nunca aparecendo em primeiro plano. Mas, sem o trabalho dela, a greve não teria existido e os companheiros não teriam resistido. Ela foi, é e sempre será um exemplo de dignidade, retidão e companheirismo para todas as mulheres brasileiras”, afirma Menicucci, que resistiu à ditadura brasileira e tem vasta bagagem na luta pela democracia, pelos direitos humanos e os direitos das mulheres no Brasil.
“Ela soube na grandeza de seu silêncio exercer o papel de companheira e mulher do primeiro presidente operário desse país. Agora, Marisa é uma estrela que nos guiará”, ressalta.
Para a professora Universitária e militante do Movimento Feminista, Silmara Conchão, hoje é dia de demonstrar o reconhecimento ao que D. Marisa representou. “Brilha lá no céu mais uma estrela. Que possamos cultivar o que a Marisa nos deixou de exemplo. Foi uma guerreira, corajosa, ao lado de Lula, foi a grande parceira de um líder. Falemos, então, sobre amor, companheirismo e parceria.”
Secretária de Comunicação da CUT São Paulo, Adriana Magalhães, acredita que a solidariedade e a empatia devam ser mais fortes do que o ódio e o fascismo nesse momento de luto. “Dona Marisa foi coração valente, companheira, amiga, mãe, avó e também ao lado de Lula uma lutadora por esse país , pelos injustiçados e humildes”, lembra.
No dia em que Dona Marisa recebeu a homenagem da CUT, há pouquíssimos meses, ela preferiu não falar. Chegou serena, vigorosa ao lado de Lula. E, com os olhos marejados, recebeu todo o carinho merecido, com placas de homenagem, flores e aplausos, ao som de “Maria, Maria”.
Mas, agora, para além das concepções políticas, é tempo de falar de humanidade, de exemplo. Porque, no fundo, ninguém quer viver o clima que se instalou no país, de golpe, de ódio, de retrocesso. Queremos, sim, democracia. Mas é hora de falar sobre o amor revolucionário e a fé de uma mulher incansável na luta nesses últimos 40 anos. Que construiu um lar e esteve ao lado de seu companheiro, de seus filhos. Que ajudou a construir greves dos metalúrgicos no ABC, enfrentamentos, que viajou ao lado de Lula por todo o país, o mundo, e o apoiou na construção de um Brasil mais justo e igual.
Ela fez história como poucas. E sempre será lembrada como símbolo de resistência e de amor!