Representantes do Sinergia CUT participaram na última quinta (5) do protesto que pedia o fim da violência contra as mulheres, realizado em Campinas. A CUT divulgou nota sobre a chacina do réveillon de Campinas, intitulada #MachismoMata – Violência contra as mulheres: Tolerância zero. Confira abaixo vídeo e, em seguida, matéria da edição desta sexta (6) do jornal Correio Popular, de Campinas, sobre a manifestação.
Protesto alerta contra o feminicídio
Ato, convocado pelas redes sociais, reuniu manifestantes em passeata pelo Centro de Campinas Inaê Miranda/Da Agência Anhanguera inae.miranda@rac.com.br
A estudante Bruna Suzuki, de 18 anos, foi uma das participantes do ato (Patrícia Domingos/AAN)
O Centro de Campinas foi tomado no final da tarde de ontem por manifestantes que pediam o fim da violência contra as mulheres. Convocado pelas redes sociais, o movimento reuniu cerca de 2 mil pessoas, segundo a organização do evento. No entanto, estimativas da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) contabilizaram cerca de 500 pessoas. A concentração começou às 17h no Largo do Rosário e por volta das 19h teve início a passeata que terminou no Paço Municipal, após um minuto de silêncio em memória das 12 vítimas da chacina ocorrida durante a virada do ano, na Vila Proost de Souza, entre elas nove mulheres. O técnico em laboratório Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, invadiu a casa onde as vítimas estavam comemorando a passagem do ano e assassinou a ex-mulher, o filho e outras dez pessoas, e depois se matou.
A manifestação foi organizada por movimentos sociais e coletivos feministas e teve a participação de mulheres, homens, crianças e idosos. No Largo do Rosário, os participantes confeccionaram cartazes exigindo um basta ao feminicídio e com frases como “machismo mata todo dia”, “amor não mata” e “a culpa não é da vítima”. Durante o ato, os manifestantes também cobraram o debate de gênero, ampliação das delegacias especializadas no atendimento à mulher e ampliação do horário de atendimento dessas unidades. Muitos participantes pintaram os rostos com tinta vermelha simbolizando mãos sujas de sangue.
Na abertura do ato, foi feita uma chamada dos nomes das vítimas da chacina. Os manifestantes cantaram “Isamara vive, Isamara viverá, se as mulheres não pararem de lutar”. Eles também lembraram e saudaram todas as mulheres vítimas de feminicídio no Brasil e no mundo. “A gente está aqui hoje, diante de uma construção coletiva, para lembrar as mulheres, a sociedade, os homens e as crianças de que o machismo existe e ele mata e isso é crime. Essa manifestação é para pedir que cada vez mais as mulheres tomem ciência do seu papel na sociedade. Mais do que lamentar as mortes, e isso claro é muito importante, é mostrar que a gente não vai mais tolerar, não há mais tolerância para mortes”, afirmou Lidiane Gomes, coordenadora da União Brasileira de Mulheres.
Camila Santana de Castro, integrante do Coletivo Juntas, afirmou que o ato é para pedir um basta contra a violência contra a mulher e para pedir mais políticas públicas que combatam essa violência. “A gente está trazendo cartazes pelo debate de gênero nas escolas, uma medida importante para que a gente combata o machismo pela raiz.” Segundo ela, no pós-ato, os movimentos vão cobrar a continuidade das investigações da chacina, políticas públicas que garantam os direitos das mulheres e combatam a violência, mais delegacias especializadas em atendimento às mulheres.
Doraci Alves Lopes, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, afirmou que a cidade deveria ter cinco delegacias especializadas. “Conseguimos a segunda, mas sem funcionários e que não funciona 24 horas”, disse. Os manifestantes também afirmaram que o ato era pela implantação da Vara da Violência Doméstica; pelo enfrentamento sistemático da cultura do estupro e do feminicídio; e pelo direito de decisão das mulheres sobre seu corpo e sua vida.
A estudante Kiara Ester Barrios, de 16 anos, afirmou que a ideia do ato é dar maior visibilidade para o problema da violência contra a mulher e abrir a mente das pessoas. “Muitos acham que pelo jeitoda mulher estar vestida ou pelo lugar que ela está, merece ser morta ou estuprada. Muitos homens que não aceitam o fim de um relacionamento se acham no direito de matar, muitos acham que a mulher é uma propriedade”, disse. Representante do Conselho da Mulher e integrante do grupo de Mulheres na Periferia, Maria das Graças Gomes da Cruz afirmou que a luta é pela vida para as mulheres e defendeu que a pauta seja levada para o Conselho das Mulheres.
A passeata começou por volta das 19h15, os manifestantes seguiram pelas avenidas Francisco Glicério, Moraes Salles, Irmã Serafina e Anchieta. Houve o acompanhamento da Emdec e da Polícia Militar, sem registro de incidentes. O ato foi encerrado na frente do Paço Municipal.
Chacina Na virada do ano, o técnico em laboratório Sidnei Ramis de Araújo matou a ex-mulher Isamara Filier, o filho João Victor, de 8 anos, e 10 pessoas da família dela e depois se matou. A chacina que envolveu as 12 pessoas da mesma família na Vila Proost de Souza teve repercussão internacional.