Qualquer país desenvolvido necessita de infraestrutura para crescer. É o alicerce para a indústria gerar empregos, o governo federal planejar a expansão e formulação de obras e até para o cidadão comum planejar o seu crescimento econômico. O setor elétrico não foge a regra.
Quando Getúlio Vargas estipulou a indústria de energia e de petróleo como setor estratégico e Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, determinou a estatização da Light nos anos 1960, eles sabiam o que faziam. Reconheciam que tais setores eram fundamentais na formulação de novas politicas.
A partir de 1990, com o presidente Fernando Collor de Mello e com Fernando Henrique Cardoso em 1995, Tudo mudou. O desmonte do setor elétrico foi amplo, geral e irrestrito. Querem retomar este filme de terror com requintes de crueldade.
O Sinergia CUT acompanhou tudo. A entrega da CPFL, o desmembramento da CESP e a venda da Duke Energy, AES Tietê e Elektro e a entrada de novos controladores brasileiros, colombiano e de outras nacionalidades. Empresas responsáveis em promover em menos de 20 anos o sucateamento do setor, o rebaixamento dos salários, a precarização das condições de trabalho e queda na qualidade de serviço prestado ao consumidor.
Uma nova fase é vivida e com novas estratégias. Uma é o agrupamento para aumentar o lucro e precarizar o trabalho. Outro procedimento adotado é a entrega para quem pagar mais. E neste instante, o capital chinês sai na frente. Se os trabalhadores não estiverem atentos, o que era ruim poderá ficar pior. Na China a hora trabalhada é de US$ 1,28 e as jornadas de trabalhos chegam até a 15 ou 16 horas.
Exemplo disso é o pedido da Energisa de realizar o reagrupamento das áreas de concessão das seguintes empresas: Caiuá, CNEE, EDEVP, EEB e CFLO.
Apesar das juras dos dirigentes da empresa de que não haveria prejuízo aos trabalhadores o alívio está longe de aparecer. A Aneel em reunião realizada na terça-feira determinou a realização de Audiência Pública e com a possibilidade de envio de contribuição até o dia 27 de janeiro de 2017. Pior: tudo isso acontece com aprovação da Aneel.
Na questão do capital chinês, as frentes de atuação serão várias. Exemplo disso é que durante a mesma reunião da Aneel foi autorizada a transferência do controle societário das empresas controladas pela Duke Energy para a China Three Gorges (Luxembourg) Energy S.à.r.l (CTG). O prazo para finalização da operação é de 120 dias após a publicação da resolução autorizativa.
A Duke Energy não será o único território de exploração chinesa. Na CPFL, a Camargo Corrêa aceitou proposta da State Grid para a compra de sua parcela societária e as demais controladoras aderiram à proposta, o que deixou os chineses com 53,3% do capital social. Não custa lembrar que na CESP, os chineses arremataram as usinas de Jupiá e Ilha Solteira pela CTG.
Dirigentes e trabalhadores do Sinergia CUT lamentam que a Aneel, ao invés de atuar com instrumento de fiscalização e com missão coibir os abusos do governo ilegítimo de Brasilia e dos tucanos em São Paulo no setor elétrico preferiu adotar a tática do Avestruz para não encarar o fato lamentável de quererem transformar o setor em um cassino.