Sinergia CUT reafirma posição contrária à medida em que o eletricista é monitorado por câmeras instaladas no colete
Aconteceu na Procuradoria Regional do Trabalho em Campinas, no último dia 06, uma audiência referente às denúncias feitas pelo Sinergia CUT contra a instalação de câmeras pela Elektro nos locais de trabalho.
Apesar de o procurador insistir na possibilidade de um consenso entre as partes, a empresa não demonstrou nenhum interesse em reabrir a discussão com o Sindicato.
Argumento Sendo assim, questionada pelo procurador, a Elektro se manifestou, reafirmando seus argumentos que vem sendo utilizados desde que o tal “big brother” foi implementado, em 2014. Segundo a empresa, o objetivo da filmagem de percurso e das atividades de operação dos eletricistas é o monitoramento do cumprimento das normas de segurança laboral. As imagens seriam gravadas e, posteriormente, analisadas para que, caso constatadas condutas inseguras dos trabalhadores, fossem reorientados.
Os representantes da empresa ainda negaram a existência de qualquer monitoramento em tempo real e que o procedimento acarrete qualquer tipo de sanção disciplinar. Mais: segundo eles, a questão teria sido “suficientemente debatida com a representação dos trabalhadores, inclusive a sindical, logo antes da implementação das gravações”.
Contestação O Sinergia CUT, por sua vez, resgatou o histórico sobre as câmeras, que ficou conhecido como “big brother”, afirmando que o assunto surgiu em 2014, apenas após denúncia de trabalhadores para o Sindicato.
Depois disso, o Sinergia CUT procurou a empresa por meio de correspondência, informando que, conforme ACT, ela não poderia implementar uma nova tecnologia sem discussão prévia com a entidade sindical.
Na sequência ocorreram três reuniões sobre o tema, em 31/07/2014, 18/09/2014 e 02/04/15. Nessa última reunião, a empresa se comprometeu a esperar os sindicatos dialogarem com os trabalhadores para uma próxima reunião, fato que nunca ocorreu. De forma unilateral a empresa implantou a câmera para as equipes operacionais, menos para os leituristas.
Na audiência, o Sinergia CUT reiterou a sua posição contrária ao uso da câmeras, por entender tratar-se de assédio e invasão de privacidade.
“Na Elektro, o eletricista não pode trabalhar com anel, correntes e outros objetos de metal. Como essa mesma empresa utiliza da câmera acoplada ao corpo do trabalhador, através de um colete, colocando em risco sua integridade física?”, questiona a direção do Sindicato.
Entre outros pontos contrários à implementação desses equipamentos, o Sinergia CUT ainda denunciou que a empresa estaria obrigando os trabalhadores a responderem um questionário sobre o uso da câmera, e a darem anuência permitindo o uso de sua imagem.
Apesar da negativa da empresa em dialogar, o Sindicato reiterou que tem disponibilidade na continuidade do assunto com a Elektro.
Pelos auditores fiscais presentes foi relatada a tentativa de realização de mediação no âmbito do MTE há cerca de dois anos referente à denúncia de marmita, banheiro químico e outras. Eles demonstraram preocupação com a legalidade do procedimento de filmagem.
Prazos No final da audiência, o Procurador do Trabalho determinou prazo de 45 dias ao Sindicato para apresentar a petição complementar acima citada. Esse é o mesmo prazo dado para que a Elektro apresente cópia de todos os relatórios de análise de imagens gravadas pelos eletricistas, produzidos nos meses de junho e julho de 2016.