Privatização black friday ameaça acabar com o Brasil

Privatização black friday ameaça acabar com o Brasil
18 maio 14:43 2016 Direção do Sinergia CUT

blackfriday_elias

Medida Provisória (MP 727/16) emitida no primeiro dia do “governo” Michel Temer ameaça décadas de lutas da classe trabalhadora e da sociedade brasileira

Quem reside nos Estados Unidos já sabe: a primeira sexta-feira subsequente à comemoração ao dia de Ações de Graças é reservada para a Black Friday. Vitaminada pela propaganda e sede de vender do comércio, a estratégia é patrocinar uma queima de estoque que abra espaço para novos produtos a serem vendidos no Natal.

Pois a sociedade brasileira está prestes a viver a sua Black Friday, cujo o vendedor será o governo provisório e ilegítimo comandado por Michel Temer. Pior: 54 milhões de pessoas disseram um rotundo não à liquidação em outubro de 2015 e agora estão com dificuldades de evitar a venda de ativos e empresas do governo federal. Tudo para “sanear as contas públicas”.

Nesta Black Friday não tem anúncio. Nem propaganda. Tudo é feito por debaixo dos panos, às escuras e para beneficiar uma meia dúzia de compradores loucos por uma oferta de ocasião.

Medida provisória com cara de  Black Friday

A “liquidação” foi autorizada a partir da emissão de Medida Provisória para a criação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Ao invés de decorar a nova sigla, troque tudo por uma única palavra: privatização.

No papel, o programa nasce com a meta de ser o gestor das parcerias público-privadas e do Conselho Nacional das Políticas Públicas e Transporte e do Conselho Nacional de Desestatização. Podemos encarar como slogans de uma propaganda nefasta.

Não pense que Michel Temer será o único vendedor. Uma equipe já foi escalada, com as presenças do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e do Planejamento, Romero Jucá, além do presidente do BNDES. Todos com um argumento na ponta da língua para convencer os “compradores” ávidos por pechinchas.

Na vitrine, as empresas de propriedade do povo brasileiro

O que estará na vitrine? Simples: tudo aquilo que a maioria do povo brasileiro desejasse que permanecesse em suas mãos: a Empresa de Correios de Telégrafos, Casa da Moeda, controle de aeroportos por parte da Infraero, as Companhias Docas, Caixa Seguros, IRB Brasil, entre outros.

Quando falamos de “outros” é que queremos lhe poupar de ouvir os seguintes nomes: Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia. Venda total, geral e irrestrita.

Da mesma maneira que um comerciante ganancioso e sem escrúpulos, a equipe econômica do novo “governo” esfrega as mãos só de pensar no potencial de arrecadação, apesar de fixar os preços lá embaixo: R$ 127 bilhões. Não resolve os problemas das contas públicas e arrebenta com uma estratégia de estado.

Também não escapa da mira do novo “governo” a participação da BNDESpar em 116 empresas de vários setores e cujo valor de revenda seria de R$ 44,5 bilhões. Tudo vendido a preço de banana, para queimar estoque, entregar nossas riquezas e satisfazer uma meia dúzia de afortunados.

A verdade que você não sabe

Legítimo ficar com a seguinte indagação após a leitura destes dados: então por que os veículos de comunicação insistem em dizer que a privatização é uma boa? Por que tamanha sede de vender a preço de ocasião?

O que eles dizem para você é que o Brasil precisa de um estado enxuto e eficiente. Que demissões são necessárias e as privatizações tiram o país do atoleiro. O que as reportagens e os políticos se esquecem de lhe esclarecer é que a privatização das empresas de telefonia gerou um campeão de reclamações em Procons em todo o país.

Que as empresas de energia elétrica promoveram um corte de demissões sem precedentes em sua história e que foi responsável por uma queda brutal na qualidade do serviço. Que as privatizações nada mais são do que o pagamento de favor as empresas que colaboram com o caixa de campanhas políticas.

Basta dizer que em Sumaré, a prefeita Cristina Carrara teria recebido doações da Odebrecht de acordo com planilhas encontradas na casa de dirigentes da empreiteira. Tempos depois, a política empossada decidiu privatizar o serviço de água e esgoto na cidade. Quem ganhou o leilão? Nem precisa pensar muito para apontar a vitória da empreiteira.

Quem deseja retornar ao passado?

A pergunta salta aos olhos: você quer reviver o pesadelo do desempenho, da queda de qualidade nos serviços e os desmandos vividos na década de 1990? Vale entregar nossas empresas, construídas com suor e sacrifício por décadas para “compradores” desesperados apenas em satisfazer suas metas de lucro, mesmo com o sucateamento de serviços?

O Sinergia CUT acompanhou tal trajetória no setor elétrico e sabe que as consequências são sentidas até hoje. Trabalhadores perderam empregos e tiveram sua vida desestruturada, além de empresas distribuidoras que perderam qualidade no atendimento ao consumidor. Quem perdeu: o consumidor, a sociedade. Todos.

Resistir contra a privatização “Black Friday” não é uma opção política. É, antes de tudo, um ato de cidadania. Venha resistir conosco!

Direção do Sinergia CUT

  Categorias: