Sindicato denuncia redução de pessoal, precárias condições de trabalho e grande queda na qualidade dos serviços prestados à população. Aumento tarifário é recorde
A população de vários municípios da região de Bragança Paulista continuará pagando muito caro pela energia elétrica fornecida pela empresa Bragantina (EEB), a segunda das quatro distribuidoras do Grupo Energisa que passa por mais uma revisão tarifária agora em março. Esse foi o principal debate da audiência pública convocada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para esta sexta-feira (11), em Bragança Paulista.
Além da Bragantina, desde 2013 o Grupo Energisa assumiu o controle acionário das distribuidoras da chamada Rede Sudeste, que têm sede também em Presidente Prudente (Caiuá), Catanduva (Nacional) e Assis (Vale Paranapanema), com uma população atendida de mais de 1,6 milhão de habitantes em 81 municípios. Só a Bragantina atende cerca de 419 mil consumidores residenciais e industriais de 15 municípios.
A audiência pública fez parte do 4º Ciclo de Revisão Tarifária envolvendo a distribuidora, com a definição dos novos valores que entram em vigor a partir de 10 de maio próximo. Para os consumidores de alta tensão (indústrias), a Aneel propôs um aumento de 0,74%, enquanto que para os de baixa tensão (residenciais) o índice foi de mais 0,20% nas tarifas.
Falaram em nome das entidades de trabalhadores Wilson Marques de Almeida (diretor de Energia da Ftiuesp) e Glauco Barbieri Sanches (coordenador da Macro Campinas/Stieec/Sinergia CUT). “Parece pouco, mas não é verdade. A Aneel esconde que, em apenas um ano e dois meses, todos os consumidores já vêm pagando uma tarifa altíssima mesmo diante da precariedade dos serviços prestados pela Bragantina aos consumidores da região de Bragança Paulista”, denunciaram os dirigentes.
Três aumentos em um ano e dois meses
A explicação é simples. Em ano e dois meses, a EEB já passou por dois processos de aumento de tarifas – uma RTE (Revisão Tarifária Extraordinária) em março de 2015, seguida do Reajuste Tarifário Anual em maio daquele ano e agora tem uma nova revisão tarifária que entra em vigor em maio próximo.
Levantamento econômico do Sindicato aponta que o total de aumento nas tarifas só nesse período – caso a proposta atual da Aneel entre em vigor – resultará em um aumento acumulado de 41,75% na energia elétrica paga pelas indústrias e de 28,86% nas contas de luz dos consumidores residenciais. Nesse período, a inflação acumulada deve ficar em 12,20% pelo IPCA (acumulado março 2015 a fevereiro 2016 mais previsão para os meses de março, abril e maio de 2016).
“É um aumento astronômico para uma distribuidora de um grupo que flagrantemente descumpre o contrato de concessão, promove demissão em massa, aposta na precarização das condições de trabalho e coloca em risco não só os eletricitários, mas também a qualidade da energia que chega à população”, alertaram os sindicalistas. “Vale tudo em nome do lucro, que também só vem aumentando para engordar os cofres do Energisa”, concluíram.
Queda de qualidade recorde
A queda dos índices de qualidade é sentida pela população e apontada pela própria Aneel: “A empresa piorou o desempenho no último ano, tendo atingido em 2015 o pior valor desde 2008 no DEC. A piora verificada na EEB tem sido verificada também em outras empresas do grupo”. O DEC é o indicador que mede a duração da interrupção no fornecimento de energia, enquanto o FEC – avalia a frequência que a população fica sem luz. Os dois indicadores de qualidade também foram debatidos na audiência pública.