Sinergia CUT promoveu ato em cidades do interior paulista nesta terça-feira (8). Preocupação é também com a queda na qualidade dos serviços à população
Foto: Roberto Claro
“Para aumentar lucros, o Grupo Energia aposta na precarização das condições de trabalho e coloca em risco não só os profissionais das distribuidoras, mas também a qualidade da energia que chega à população, apesar das altas tarifas pagas pelos consumidores.” A afirmação é da direção do Sinergia CUT e é o principal motivo do ato de protesto convocado para a manhã desta terça-feira (8) com trabalhadores das empresas em quatro cidades do interior de SP.
Desde 2013, o Grupo Energisa assumiu o controle acionário das distribuidoras de energia elétrica da Rede Sudeste, com sede em Bragança Paulista (Bragantina), Catanduva (Nacional), Presidente Prudente (Caiuá) e Assis (Vale Paranapanema), com uma população atendida de mais de 1,600 milhão de habitantes em 81 municípios.
De lá para cá, inúmeras reestruturações impactaram os trabalhadores e resultaram na precarização das condições de trabalho, o que coloca em risco também a qualidade dos serviços prestados à população. As mudanças impostas pelo grupo começam pela redução do quadro de pessoal, com a demissão de 200 trabalhadores. Os que continuam trabalhando sofrem com excesso de jornada, falta de infraestrutura, acúmulo de função e péssimas condições de trabalho.
Agora em março, o Energisa tomou mais duas decisões drásticas e deve centralizar o Centro Operacional de Distribuição (COD) das quatro empresas em Presidente Prudente, cortando mais 17 postos de trabalho, além de transferir o call center – responsável pelo atendimento aos consumidores – para uma empresa terceirizada da Enersul em Mato Grosso do Sul, no período noturno. Detalhe: também é neste mês que as distribuidoras passarão por mais uma revisão tarifária, com aumento de tarifas para a população.
“O Sinergia CUT é radicalmente contra a centralização do COD porque, na prática, coloca em risco a vida dos trabalhadores e até o atendimento à população, já que as emergências de interrupção de fornecimento de energia em qualquer das cidades só serão atendidas a partir do comando de Presidente Prudente”, denuncia a direção da entidade que acionará o Ministério Público contra mais essa atitude arbitrária do Grupo Energisa.
O Sindicato também solicitou esclarecimentos à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre a terceirização do call center. “O Energisa faz muito marketing, mas, em nome de cada vez mais lucro, é essa conduta cheia de irresponsabilidade social que adota na prática, inclusive com a substituição de profissionais competentes e qualificados por trabalhadores com contrato temporário”, destaca a direção sindical. “O clima de insatisfação e instabilidade não pode continuar. É contra isso que os trabalhadores vão protestar”, alerta a entidade.