AES Tietê Energia: problemas, problemas e mais problemas

AES Tietê Energia: problemas, problemas e mais problemas
04 março 11:15 2016 Débora Piloni e Nice Bulhões

Reestruturar é sinônimo de reorganizar e não de precarizar. Entende, AES Tietê Energia???

Se não bastassem os muitos problemas enfrentados no dia a dia pelos trabalhadores da AES Tietê Energia, a reestruturação da empresa trouxe mais uma série de dificuldades:

Acordo de Operação das Usinas

Em novembro de 2015, o Sindicato assinou Acordo Coletivo de Trabalho referente o novo formato de operação das usinas da AES Tietê, tendo como princípios a empregabilidade, a manutenção dos direitos adquiridos, indenizações, majoração salarial, dentro outros. O problema é que a AES Tietê Energia não o vem cumprindo na prática:

  • Os trabalhadores em jornada alterada ainda não recebem salário referente às 200 horas;
  • Há regiões com problemas relacionados ao transporte, uma vez que operadores, acabam por ser os próprios motoristas;
  • Apesar de a empresa ter enviado no dia 02 de fevereiro carta ao Sindicato solicitando mais prazos para adequar-se ao acordo assinado, há regiões em que os trabalhadores não têm definição para onde vão. Isso vem causando total insegurança e instabilidade emocional entre os trabalhadores. Para piorar ainda mais: o trabalho isolado continua. Com isso, a empresa brinca com fogo. Pois, se não houver resolução rápida, o Sindicato tomará as providências judiciais cabíveis.

 

Ação judicial 200 horas

Quanto ao processo judicial das 200 horas, a empresa ficou de apresentar uma proposta ainda no mês de fevereiro. No entanto, entrou em contato com o Sindicato alterando esta data para o dia 03 de março. Porém, ela novamente pediu novo prazo, agora, para segunda-feira, dia 07.

Cadê a saúde?

  • Até há um mês atrás, a AES Tietê Energia mantinha um médico visitando regularmente as usinas. Com evidente precarização, a empresa suspendeu esse serviço, contrariando a cláusula 37ª do ACT.
  • Mais: quanto ao boleto que tem sido enviado aos trabalhadores pela Fundação Cesp referente ao plano odontológico, não houve sequer uma explicação da empresa a respeito. É a AES Tietê Energia a responsável pelo Plano de Saúde dos seus trabalhadores e, portanto, deve informar sobre tudo o que se passa no plano da Fundação, o que não vem ocorrendo de fato. Os trabalhadores querem informações detalhadas dessa cobrança.

 

Reestruturação

E os problemas não param por aí. Veio a reestruturação, provocando outras dificuldades:

  • Os pagamentos de janeiro e fevereiro foram confusos. Caíram na conta dos trabalhadores valores diferenciados: ou veio a mais ou a menos. Os próprios holerites apresentaram problema, provocando aborrecimentos e problemas financeiros de toda ordem.
  • Fundo de Garantia: a partir dessa reestruturação, uma alteração no procedimento de depósito mensal do Fundo de Garantia vem prejudicando em cheio alguns trabalhadores.

O depósito é feito corretamente por uma tal de Energia Participações na conta vinculada de cada trabalhador. Para aqueles que podem sacar o dinheiro, como é o caso de aposentados, a partir de agora, há um procedimento a mais a ser cumprido: o interessado deverá comparecer à Caixa Econômica Federal com a sua Carteira de Trabalho atualizada e com o registro da nova empresa pagadora para a atualização dos documentos. Só depois disso, poderá sacar o seu dinheiro.

Enquanto isso…

Devido à uma ação do Sindicato, os municípios de Bariri, Barra Bonita, Ibitinga e Mococa receberão ambulâncias e um micro-ônibus. As doações são fruto de uma denúncia do Sinergia CUT ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que ingressou com ação civil pública após inúmeras reuniões entre as partes (MPT, empresa e Sindicato). A previsão é que a AES Tietê Energia entregue os veículos em 14 de abril deste ano.

O desfecho desse processo foi a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as partes, em que foi determinadas algumas obrigações por parte da AES Tietê Energia. A multa foi fixada em R$ 500 mil, aplicada à empresa pelo descumprimento da legislação e ACT foi destinada ao atendimento à população dessas quatro cidades.

Elas foram beneficiadas porque as fiscalizações ocorreram em localidades desses municípios, onde foram detectadas inúmeras inadequações nas condições de trabalho, entre elas excesso de jornada e não cumprimento de intrajornada. Mococa receberá um micro-ônibus porque o processo tramitou na cidade. Além dessas doações, será destinado o valor de R$ 10 mil para a APAE de Mococa.

“Missão, Visão e Valores”

O Sindicato espera que a AES Tietê resolva todos esses problemas de uma vez por todas e o mais rápido possível, colocando em prática o que ela mesma promete em seu portal: “(…) colocando o bem-estar e a segurança dos nossos colaboradores, fornecedores e clientes sempre em primeiro lugar”.

Fique ligado! A reunião com a empresa é na próxima segunda-feita (07).

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