Projeto de lei visa alterar o Estatuto Social da Companhia e o Sinergia CUT ajuda na elaboração de 7 das 17 emendas apresentadas
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) enviou, em 25 de abril deste ano, para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um projeto de lei que altera o Estatuto Social da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), fazendo com que passe a integrar empreendimentos de geração de energia elétrica.
A alteração se dará pelo Projeto de Lei 529/2015, que autoriza a companhia a constituir subsidiárias, participar do bloco de controle ou do capital de outras empresas e formar consórcios. A matéria tramita em regime de urgência na Alesp.
O Sinergia CUT realiza o acompanhamento e estudou a matéria, que foi distribuída para as comissões de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), de Infraestrutura (CI) e de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP). Os deputados que compõe a CCJR são os primeiros a avaliar a matéria, que deu entrada no último dia 4 na Comissão.
O argumento do governo é que a CESP tem perfil financeiro adequado para voltar a investir em geração de energia, sem a necessidade de novos aportes de recursos dos acionistas, sem comprometer sua estabilidade financeira e sem prejudicar a política de pagamento de dividendos.
Assim, o texto da lei a ser votado autoriza a constituição das subsidiárias para os investimentos em atividades do setor de energia e a participação minoritária e majoritariamente do capital social de empresas públicas ou privadas ou com elas associar-se.
O projeto recebeu 17 emendas, sendo que o Sinergia CUT auxiliou na elaboração de sete delas que foram apresentadas pelo deputado Geraldo Cruz (PT). Seguem abaixo as contribuições da entidade:
Justificativa das emendas
A Cesp é parte de uma história que data do início da década de 1950 quando governo e população se defrontaram com a baixa oferta de energia elétrica decorrente da capacidade geradora insuficiente e de má qualidade dos serviços, o que acarretava constantes racionamentos. O suprimento de energia elétrica estava confiado a concessionárias privadas que não acompanharam o ritmo do crescimento dos demais setores da economia. Esse quadro também resultado da insuficiência tarifária e foi determinante na entrada do Estado na produção e suprimento de energia elétrica em 1966, com a criação da Cesp.
Muitos anos se passaram e o Estado de São Paulo teve como grande aliada em seu enorme crescimento a Cesp, que não colocou limitadores a ele e serviu como indutor de seu desenvolvimento.
Em São Paulo, Geraldo Alckmin à frente do Programa Estadual de Desestatização (PED) executou no Estado o mesmo projeto de desmonte orquestrado por FHC. De 1997 até 2000, Alckmin desverticalizou e privatizou 04 distribuidoras (CPFL, Eletropaulo, Bandeirante e Elektro), 02 geradoras de energia elétrica (AES Tietê e Duke Energy) e 03 distribuidoras de gás natural (Comgás, Gás Brasiliano e Gás Natural).
Tal modelo gerou desemprego, aumentou o índice de acidentes de trabalho, provocou fechamento de postos de atendimento e uma gradativa queda na qualidade dos serviços prestados à população pelas concessionárias de energia elétrica.
A oposição sempre denunciou e alertou a sociedade quanto aos graves riscos que tal modelo provocaria. Defende que os direitos inerentes à pessoa humana de acesso à infraestrutura, dentre elas a energia elétrica, devam ser assegurados a todos como condição para o exercício da cidadania, independentemente de sua condição social ou econômica; que o setor energético deve ser instrumento da competitividade, potencializador e essencial para o desenvolvimento socioeconômico do Estado de São Paulo, que possibilita a geração de empregos, viabilizando o equilíbrio com proteção ao meio ambiente e às populações impactadas, e assegurando o exercício da cidadania.
A recente crise de energia aflorou o fracasso dessa política de “financeirização” do setor energético, baseada no modelo liberalizante de mercado competitivo. Demonstrou, acima de tudo, a importância da participação do Estado no controle e condução desse setor.