Empresa desrespeita ACT e implementa, de forma unilateral, o projeto de instalação de câmeras nos veículos. Pior: coage trabalhador a assinar termo de compromisso. Sinergia CUT alerta: não aceite pressão!
Afronta, desrespeito, ultraje. Podem ser estas as palavras que definem a Elektro nesse momento em que a empresa despreza a mesa de negociação e implementa de forma unilateral, sem qualquer concordância dos sindicatos, a instalação de câmeras no interior dos veículos usados pelos trabalhadores?
É isso mesmo o que vem ocorrendo: câmeras acopladas nos carros e acionadas durante o deslocamento e acomodadas em tripés na hora da realização das atividades em campo… tudo para proporcionar o melhor ângulo para o devido registro do trabalho da equipe. Não bastasse tudo isso, a Elektro tem exercido mais assédio moral pressionando os trabalhadores a assinarem um termo individual de ciência e compromisso sobre o procedimento e uso dos equipamentos de filmagem.
O Sinergia CUT repudia esta atitude autoritária por parte da empresa, que desconsidera o ACT vigente, desrespeita os trabalhadores e com grande irresponsabilidade põe em risco a segurança e a integridade dos trabalhadores quando utiliza de equipamento de filmagem em campo num Estado tomado pela violência.
Não aceite pressão! O Sindicato recomenda que os trabalhadores não assinem os termos individuais e que aguardem novas orientações. “Pelo que parece, a tal melhor empresa pra se trabalhar quer se tornar a mais competende empresa para espionar. Diante dos fatos, tomaremos todas as medidas legais cabíveis para garantir o respeito, a integridade e a liberdade dos trabalhadores!”, afirma a direção do Sinergia CUT.
Uma longa história de desrespeito De julho do ano passado pará cá, o Sinergia CUT participou de várias reuniões com a Elektro para tratar sobre o assunto das câmeras de monitoramento nos locais de trabalho. Naquela época, a empresa havia apresentado seu projeto piloto que era de câmeras de vídeo acopladas aos uniformes dos trabalhadores. Desde a primeira reunião, o Sindicato expôs sua opinião e argumentações contrárias à medida, uma vez que a instalação de câmeras de vídeo e áudio durante a realização das tarefas diárias é uma invasão de privacidade e de intimidade, além de caracterizar assédio moral.
No passar das negociações, sempre intransigente, a empresa insistia em sua posição de que o equipamento visa a prevenção de acidentes em atividades externas, objetivando a segurança, integridade dos trabalhadores e a melhoria dos processos. Porém, o Sinergia CUT não arredou o pé. “Além de ignorar o ACT, o Projeto Câmera fere a Constituição Federal e o direito universal da liberdade do indivíduo mesmo que no local de trabalho, pois ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo”, ratifica ba direção do Sindicato.
Passadas várias reuniões, já em 2015, a distribuidora informou que alterou seu projeto e que, ao invés de câmera no uniforme, a novidade seria o equipamento nos veículos. Segundo a empresa, um piloto estaria acontecendo em oito localidades e as câmeras ficariam nos veículos ou fixadas num tripé para que seja permitida a melhor captação da imagem durante a execução da tarefa.
Ações judiciais O Sinergia CUT ratifica sua posição contrária ao projeto e realizará denúncia contra a Elektro no Ministério Público do Trabalho, relatando a implementação de forma unilateral do Projeto Piloto de Câmeras.