Às ruas contra o racismo, XI Marcha reúne milhares

Às ruas contra o racismo, XI Marcha reúne milhares
24 novembro 09:30 2014 CUT Nacional
Sinergia CUT/Bauru: O conselheiro Aguinaldo Anastácio da Silva, Membro do Coletivo de Combate ao Racismo do Sinergia CUT, foi condecorado com uma medalha Zumbi dos Palmares por suas atuações em conjunto com o conselho  Municipal de Combate ao Racismo na Cidade de Bauru e Região

Sinergia CUT no 20 de Novembro em Bauru: o conselheiro Aguinaldo Anastácio da Silva, Membro do Coletivo de Combate ao Racismo do Sinergia CUT, foi condecorado com uma medalha Zumbi dos Palmares por suas atuações em conjunto com o conselho Municipal de Combate ao Racismo na Cidade de Bauru e Região

Celebrando dia de Zumbi e da Consciência Negra, Movimentos também pedem Reformas

A CUT, movimentos sociais e militantes atentos à questão dos negros realizaram, na quinta-feira (20), a 11ª Marcha da Consciência Negra, em São Paulo (SP). Os mais de 2000 participantes caminharam do Masp ao Teatro Municipal, no centro, defendendo reforma política, democratização da comunicação, implementação de Leis antirracismo e entoando cantos de protesto contra o genocídio da juventude negra.

Para a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Reis Nogueira, o Estado brasileiro tem uma dívida histórica com a população negra e o dia da Consciência Negra, além de importante celebração, também é para exigir políticas públicas que garantam direitos sociais, políticos e econômicos.

“Nós temos um longo caminho a ser trilhado para termos uma igualdade de tratamento entre todos os brasileiros. Esse caminho passa pelo reconhecimento maior da luta da população negra, pela efetiva implementação de leis que já existem, pelo olhar especial para a saúde da população negra, pelo fim do extermínio da juventude nas periferias e pela defesa de dias como o 20 de novembro, dia de Zumbi”, destaca Júlia.

Segundo a secretária de Combate ao Racismo da CUT/SP, Rosana Aparecida da Silva, “depois de uma eleição com grande luta de classes, a Marcha vem para reafirmar as propostas dos movimentos populares em torno da união, de parcerias para combater a discriminação e por políticas públicas. Queremos um país justo, unido, igualitário e não fragmentado”.

Marcha das 7 pautas
Diferente das marchas anteriores, não houve uma pauta única da Marcha da Consciência Negra 2014, mas a defesa de sete eixos que podem garantir uma mudança estrutural na sociedade: reforma política; reforma da mídia; desmilitarização da PM e fim dos autos de resistência; fim do feminicídio contra a mulher negra; pela destinação de mais recursos para políticas de inclusão; pela implantação das leis antirracismo e pelo direito de expressão das religiões de matriz africana.

Apesar dos 51% autodeclarados negros no Brasil, segundo o Censo IBGE de 2010, apenas 8% se identificam como tal no Congresso, distorção que só será corrigida com mudanças profundas no sistema político. “O povo negro terá mais representação somente com uma reforma política que acabe com o financiamento privado de campanha eleitoral, pois não temos espaço porque só quem tem dinheiro é que se elege”, pontua Rosana.

Em setembro, movimentos sociais foram às ruas pelo Plebiscito pela Reforma Política, angariando cerca de 8 milhões de votos, dos quais 97% sendo favoráveis à convocação de uma Constituinte Exclusiva para esse fim.

Para o ícone rapper Genival Oliveira Gonçalves, o GOG, é preciso que a população perceba que “mesmo não gostando de política, a política é uma vitamina que você precisa para o seu corpo. Aquela verdura  não é saborosa ao paladar, mas você precisa consumir, porque  ela  define os rumos do país”.

Sobre democratização da comunicação, diz GOG que nessas últimas eleições ficou clara uma tentativa e golpe midiático. “Esses que se dizem quase um quarto poder não tiverem nenhum escrúpulo no sentido de mentir, ludibriar, colocar inverdades. E não estou dizendo de partido A ou B, estou dizendo da manipulação das informações”, aponta.

Os movimentos ligados à Comunicação defendem um projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) pela Democratização dos Meios de Comunicação, que, entre seus objetivos, tem o de promover a maior diversidade étnico-racial na comunicação eletrônica e o de responsabilizar veículos pela divulgação de conteúdo racista na mídia.

Sandra Mariano, da Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen), critica a invisibilidade das pautas do povo negro na mídia e avalia que a questão racial e a diversidade só terão espaço com a democratização das comunicações. Para ela, os estereótipos exibidos nos programas e propagandas também são formas de violência.

“A imagem da mulher negra é depreciação, exposição do corpo e consumo e, nas novelas, ela aparece sempre relegada ao segundo plano. São formas de violência porque você não se vê na televisão”, destaca Sandra.

Na mesma linha, Flávio Jorge Rodrigues da Silva, da Conen, também destaca a democratização da mídia como essencial para a quebra de estereótipos negativos construídos em torno da população negra. “O racismo existe no Brasil em consequência de um pensamento conservador que é hegemônico na sociedade brasileira. E o principal meio que sustenta esse pensamento conservador no Brasil são os meios de comunicação”, avalia.

Juventude negra viva!
O Brasil é o 8º colocado no ranking mundial de homicídios de jovens, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os dados comprovam que esse tipo de violência tem cor – a cada três assassinatos no país, dois vitimam jovens de 19 a 29 anos e, destes, 75% são homens negros, segundo o Mapa da Violência 2014. Socialmente excluída, a juventude negra é tanto alvo da polícia repressora, quanto da criminalidade. (CUT: Flaviana Serafim e Henri Chevalier)

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