Comemorar quer dizer “trazer de novo à memória”. Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz “recordar é viver”. (Rubem Alves)
No sábado, 10 de maio, a maior greve da história dos eletricitários do estado de São Paulo completa 25 anos como o grande exemplo de combatividade e a maior lição de união, garra, consciência e democracia na luta em defesa dos nossos direitos. O que foi o 10 de maio de 1989? Viaje nessa história … porque recordar é viver!
Em maio de 1989, os tempos eram outros. O Brasil da era Sarney registrava índices de inflação de três dígitos (933,62% durante o ano de 1988) e batia recordes de demissões. O Plano Verão anunciado na época só trouxe mais prejuízos aos trabalhadores, que foram às ruas e pararam fábricas contra as medidas do governo federal.
No estado de SP, o governo Quércia adotou uma postura intransigente e não atendeu as solicitações dos trabalhadores das então estatais CESP e CPFL. Nossa data-base era em janeiro. Depois de mais de dois meses buscando negociação, os eletricitários decidem entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 10 de maio.
Naquela quarta-feira, centenas de trabalhadores principalmente das grandes usinas da CESP – Água Vermelha, Jupiá e Ilha Solteira – cruzaram os braços para defender os salários, que perdiam 74,64% do poder de compra só entre janeiro e abril, e as empresas públicas, que perdiam a credibilidade e a eficiência para se transformar em cabides de emprego.
Pouco tempo depois, a paralisação contou com o reforço de todos os trabalhadores da CESP no interior e grande parte do pessoal da CPFL. Os eletricitários assumiram então o Comando de Greve que manteve sob controle os serviços essenciais para não prejudicar a população.
A repressão e as armações do governo para tentar desmoralizar a greve não intimidaram os trabalhadores. Aconteceu então uma manobra nunca antes vista: o ex-ministro do Trabalho e então presidente da CESP, Murilo Macedo, conseguiu abrir o TRT no sábado (13) para que a greve pacífica e ordeira fosse julgada ilegal.
Apesar da força da paralisação, os trabalhadores suspenderam a greve para abrir negociações que trouxeram várias conquistas econômicas e sindicais, que depois se transformaram em direitos. Vieram também as demissões injustas e ilegais de dez companheiros, que mais tarde foram reintegrados.
E aquele 10 de maio de 1989 se transformou em um dia histórico na luta por direitos. Faz parte da história de quem viveu e de quem chegou depois.
50 anos do golpe militar: resgatando o passado para construir o futuro. Participe desse levantamento! Aproveitando o tema dos 50 anos da implantação da ditadura no Brasil (o golpe militar de 1964), o dirigente do Sinergia CUT e da Ftiuesp, Wilson Marques de Almeida tem realizado um trabalho árduo de pesquisa para pontuar datas históricas desde a fundação do Stieec, em 1934. Detalhes sobre a intervenção militar no Sindicato, sofrida em abril de 64, foram descobertos. Todo o levantamento histórico tem sido feito através de documentos, reportagens e fotos.
“O objetivo deste trabalho é resgatar a memória das lutas dos trabalhadores eletricitários de SP. Os companheiros têm muito a contribuir com esse resgate. Espero contar com a ajuda de todos que possuam informações, fotos e documentos para editarmos um livro para a festividade dos 80 anos do Sindicato, que ocorre no dia 10 de agosto de 2014”, ressalta Almeida.