Call Center da Elektro é evacuado

Call Center da Elektro é evacuado
05 março 11:22 2013 Débora Piloni e Elias Aredes J.

Prédio do Call Center em Campinas foi evacuado no sábado (02) após trabalhadores apresentarem sintomas de intoxicação. Retirada dos atendentes aconteceu após a intervenção do Sindicato. Novos casos foram registrados na manhã de segunda (04)

Negligência, incompetência e desleixo. Um cheiro muito forte de produto químico assustou e provocou mal estar em dezenas de atendentes do Call Center da Elektro na manhã do último sábado (02). O prédio, localizado à Rua Romualdo Andreazzi, 492 – Jardim do Trevo, em Campinas, foi evacuado somente depois da intervenção de dirigentes do Sinergia CUT. A direção da empresa? Como sempre, ignorou os riscos de saúde e segurança dos trabalhadores, demorando para agir e reverter a situação.

As vítimas, que apresentavam sintomas de intoxicação como vômitos, irritação nos olhos, inchaço e sangramento nasal, foram conduzidas ao ambulatório médico terceirizado. Alguns foram encaminhados ao Hospital Vera Cruz, em Campinas.

Provável causa
Segundo informações, na madrugada do sábado houve o processo de limpeza e higienização feita pela mesma empresa terceirizada que já realizou esse trabalho na Elektro em outras ocasiões. O produto químico utilizado era composto por  lauril éter sulfato de sódio, edta, dietanolamina de ácido  graxo de coco, formol, essência e água.

De acordo com o relato, aproximadamente 60 trabalhadores chegaram ao local e estavam divididos em dois ambientes. Logo no início da jornada de trabalho, por volta das 07h, foi percebido um forte odor e mais de 20 atendentes sentiram-se mal e apresentaram sintomas de intoxicação, inclusive uma trabalhadora grávida.

Tão logo os representantes sindicais que trabalham no local perceberam o mau cheiro no Call Center tomaram as primeiras providências para que as vítimas fossem imediata e corretamente socorridas. Elas passaram pelo ambulatório terceirizado e algumas chegaram a ser conduzidas para atendimento no hospital Vera Cruz.

No começo de tudo, o Sindicato ainda tentou contato com os gestores da área de Recursos Humanos da Elektro, sem sucesso. Com a demora da empresa para tomar as providências emergenciais (esvaziamento do prédio e presença do Técnico de Segurança), os dirigentes do Sinergia CUT contataram ainda o Diretor Comercial e ameaçaram acionar a Polícia Militar caso a empresa não evacuasse imediatamente o prédio e direcionasse o atendimento ao cliente pelo site da Sede da Elektro.

Somente aí é que o Diretor Comercial falou aos interlocutores apelando para o não acionamento da Polícia e passou a escutar e atender ao Sindicato. Foi feita, então, a evacuação do prédio e acionado o Técnico de Segurança. Com o objetivo de garantir condições seguras aos trabalhadores, o Sinergia CUT exigiu a liberação para uso do prédio somente após perícia técnica. A Elektro manifestou-se informando que o atendimento no domingo (03) continuaria a ser realizado na sede da empresa, no Jardim Nova América, em Campinas.

Por volta das 16h do sábado, em contato com o Sindicato, o diretor Comercial afirmou que os trabalhadores somente retornariam ao prédio oficial quando houvesse segurança no ambiente de trabalho. Uma reunião entre empresa e representantes do Sinergia CUT acontecerá nesta terça (5).

Em tempo: na manhã de segunda (04), foram registrados mais casos apresentando os mesmos sintomas e, cabendo ao Sinergia CUT tomar as providências  urgentes e legais, como acionamento  do CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar com o único objetivo de preservar a saúde e segurança de todos os trabalhadores e trabalhadoras.

E agora, o que fazer?

  • Os trabalhadores expostos e com algum sintoma devem  passar por atendimento médico e registrar no prontuário médico;
  • Elaboração de uma observação de segurança por cada trabalhador/a que estava no horário;
  • Montagem de uma CAT- Comunicado de Acidente de Trabalho para cada trabalhador que tenha tido alguma reação;
  • Exame médico adequado para detectar se há outros impactos na saúde destes trabalhadores e o acompanhamento do seu estado
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