Rede Energia: contra descaso, braços cruzados!

Rede Energia: contra descaso, braços cruzados!
01 março 11:35 2013 Débora Piloni

Empresa marca e desmarca reunião e não resolve pendências do ACT 2012 e da PPR. Se não houver negociação, mobilização será dia 01 de abril

Se não negociar direito, vai parar! Essa é a decisão unânime dos trabalhadores das empresas do Grupo Rede Energia em assembleias realizadas no início de fevereiro. O plano de lutas prevê mobilização nos locais de trabalho no dia 01 de abril. E por que tudo isso? Simples: a apenas um mês da database de 2013 – a Pauta de Reivindicações  foi entregue  à empresa no último dia 18 – os trabalhadores do Rede Energia ainda aguardam a resolução de pendências do Acordo fechado em 2012. Agravante:

A questão da Política de Emprego, uma das principais pendências, deveria ter sido discutida em 90 dias após a assinatura do ACT. Mas, além de isso não ter ocorrido, a empresa anunciou um processo de reestruturação em janeiro passado.

Ou seja, a pressão sobre os trabalhadores foi intensificada. Prova disso aconteceu em Bragança Paulista, onde funcionava o CSC/Faturamento, área responsável pelo faturamento de oito empresas do Grupo em Bragança Paulista. Agora, os serviços desse departamento estão centralizados em Presidente Prudente. Sob pena de demissão, 34 trabalhadores foram transferidos para a sua empresa de origem e outros oito companheiros, que eram mesmo de Bragança Paulista e realizavam o faturamento da Sul/Sudeste, foram intimados a trabalhar em Presidente Prudente.

Alerta!
Mais do que ignorar as reivindicações dos trabalhadores, o interventor nomeado pela Aneel, Silval Gama entrou em contradição, uma vez que, no final de 2012, ele chegou a afirmar que, durante a intervenção, não ocorreriam contratações e muito menos demissões no Rede Energia. Vale destacar que, além das transferências, em janeiro passado, cerca de 40 trabalhadores foram demitidos na sede em SP.

Por tudo isso, o Sinergia CUT faz um alerta e um apelo a todos os trabalhadores: “Cada um deve-se colocar no lugar dos companheiros que forçosamente foram transferidos e tentar sentir o que eles estão sentindo e passando. Ninguém quer isso para si. Não podemos permitir que ocorra em outras localidades o que está acontecendo em Bragança. Por isso, precisamos nos mobilizar e mostrar a força que temos”.

Com tudo isso, o clima organizacional  nas empresas do Rede Energia não poderia estar pior. É de muita incerteza e tensão. Dúvidas pairam entre os trabalhadores, uma vez que a alteração do controle acionário do grupo está previsto para junho em consequência da Lei 12.767/12. Não haverá nova reestruturação quando o novo controlador assumir a direção do grupo? E os que foram transferidos nesse período manterão seus postos?

Ironia
E, enquanto tudo isso acontece, o próprio interventor decidiu que não será mais ele quem negociará ou falará diretamente com o Sindicato. Sinval Gama nomeou um interlocutor, Daniel Machado. “Se essa pessoa receber automia para discutir e resolver as questões relacionadas aos trabalhadores, tudo bem. Caso contrário, servirá apenas de ‘passa recado’ para Sinval Gama, atrasando, dificultando e prejudicando ainda mais o processo”, afirma a direção do Sinergia CUT.

PPR: blá blá blá
Muita conversa e pouca solução. Apesar de o período de apuração das metas ter encerrado em 31 de dezembro, a reunião realizada no último dia 18 para tratar sobre a PPR em nada avançou. “O descaso e desrespeito ao trabalhador continuam”, afirma a direção do Sinergia CUT. Nova rodada havia sido marcada para o último dia 28, mas, sem qualquer explicação da empresa, foi adiada para a próxima sexta (08).

Trabalho decente é com a gente!
No dia 18 de fevereiro, o Sinergia CUT aproveitou a reunião sobre PPR em Presidente Prudente para entregar a pauta de reivindicações dos trabalhadores das empresas EEB, CNEE e EDEVP para a Campanha Salarial 2013 e solicitou agendamento da primeira reunião de negociação. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores destacam-se a melhoria das condições de trabalho, unificação das databases e dos Acordos Coletivos de Trabalho das empresas do Grupo, vigência por três anos, garantia de emprego, PPR e PPR de venda, previdência e manutenção dos direitos e benefícios já adquiridos em  Acordo.

Reunião com a Aneel
Na última quinta (28) deveria ter ocorrido uma reunião entre a direção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e dirigentes do Sinergia CUT para a discussão de vários assuntos referentes aos energéticos de SP, incluindo a situação dos trabalhadores do Rede Energia. Esse encontro foi adiado para o dia 21 de março. Fique ligado.

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