Governo Dilma precisa investir nas empresas estatais, cobrar eficiência no setor privado e valorizar a categoria
A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), da qual o Sinergia CUT participa, divulgou nota de repudio às declarações do governo à mídia em relação aos problemas de fornecimento de energia em várias regiões do país. Ao dizer que houve “falha humana” o governo culpou equivocadamente os trabalhadores do setor Elétrico – profissionais altamente qualificados, com total capacidade de controlar, manter e expandir os serviços de energia. Essa qualificação se apresenta até mesmo no exterior onde são requisitados para participar de vários empreendimentos de grande porte.
Para a FNU, o Governo deveria ter apontado os problemas de gestão nas empresas privadas e estatais. “No setor privado, a terceirização sem limites deixa os trabalhadores sem condições ideais de trabalho. Os operadores vêm sendo reduzidos a números preocupantes, em muitos casos estações ficam sem o trabalhador especializado, o controle é feito a distância em outro Estado. Ou seja, um descaso total que se cristaliza no momento de uma pane que atinge diretamente à população.”, afirma a FNU.
Já as empresas estatais, que passaram por um momento único de fortalecimento no Governo Lula, com investimentos e valorização dos seus trabalhadores, agora sofrem com a nomeação de pessoas sem capacidade gerencial nas empresas do Sistema Eletrobras, com a desqualificação do seu quadro funcional, com o sucateamento, a falta de diálogo na negociação do ACT da categoria.
“Nos anos 90, houve a imposição da agenda neoliberal no setor elétrico, com grande desorganização e enormes prejuízos às empresas estatais e à sociedade. Os trabalhadores não admitem que o governo retroceda a esse período. O pleito é para que o Governo Dilma dê continuidade ao processo de fortalecimento das empresas de energia, patrimônio do povo brasileiro.”, destaca o boletim da FNU.
Diante deste quadro, a FNU convoca a sociedade e o governo para um debate amplo sobre o setor, discutindo temas como a MP 579, a falta de investimentos nas empresas públicas/ privadas e a valorização dos trabalhadores do setor.