Investimento em inovação tecnológica e qualificação é chave para enfrentar crise e desindustrialização

09 novembro 12:11 2012 CUT Nacional

Afirmou Sérgio Nobre na abertura do Encontro do Macrossetor Indústria da CUT

O investimento em inovação tecnológica e qualificação profissional, especialmente nas micro, pequenas e médias empresas que não têm acesso às políticas púbicas, é chave para enfrentar os impactos negativos da crise econômica internacional – que atinge os EUA e os países europeus – e reverter o quadro de desindustrialização da economia brasileira, garantindo empregos de qualidade e melhores salários.

Este foi o mote da mesa Crise Econômica Internacional e a Indústria Brasileira, que abriu  o Encontro do Macrossetor Indústria da CUT na manhã desta quinta-feira (8), em São Paulo, com a mediação do jornalista Paulo Henrique Amorim.
Para Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, o governo precisa cuidar melhor das pequenas empresas que não têm acesso às políticas de incentivo à indústria que veem sendo adotadas. Essas empresas, que empregam quase 50% da mão de obra industrial brasileira, sofrem com a perda de competitividade e podem fechar as portas caso não seja encontrada uma solução urgente.

“O Brasil passa por um processo de desindustrialização onde temos importado cada vez mais produtos de alto valor agregado e exportado commodities, o que aponta para uma reprimarização da nossa pauta. Defendemos a reorganização e o fortalecimento da indústria nacional e, para isso, além do apoio do Estado, o investimento em inovação é fundamental”, afirmou o secretário-geral da CUT.

Para o dirigente CUTtista, o governo procura neste momento “criar um ambiente favorável ao setor industrial”, que vem perdendo participação ao longo dos anos, mas não existem medidas específicas para as micro, pequenas e médias empresas. É preciso proteger toda a indústria, disse ele, porque por trás de cada uma delas tem trabalhadores, e por trás dos trabalhadores tem uma família.

ALAVANCA DO CRESCIMENTO

“A indústria significa 13% do PIB, e é responsável por 17,5% dos empregos formais e 17,3% da massa salarial. É a indústria que `puxa` a demanda dos outros setores e quanto mais diversificada e desenvolvida maiores são os seus efeitos nos demais setores econômicos e para a sociedade. Diante disso, o Brasil não pode se furtar de possuir uma estrutura produtiva diversificada, avançada tecnologicamente e com cadeias produtivas estruturadas e integradas setorial e regionalmente”, declarou Sérgio Nobre.

A indústria brasileira, alertou o líder CUTtista, tem um problema sério de competitividade, pois sem inovar não consegue competir e sem investir não consegue inovar. “A proteção cumpre o seu papel, mas é algo momentâneo. Precisamos investimentos em inovação tecnológica e estímulos. Hoje os impostos estão muito em cima da produção e não da renda. O imposto sobre as grandes fortunas, como defendemos, ajudaria a sanar o problema da carga tributária do setor produtivo”, acrescentou.

Nobre ressaltou que a presença das centenas de lideranças sindicais dos trabalhadores da alimentação, construção, vestuário, químicos e petroleiros, fortalece o diálogo na Central e potencializa as ações a serem desenvolvidas no próximo período.
A vice-presidente da CUT Carmen Foro concorda com Nobre. Para ela, a classe trabalhadora precisa ter uma estratégia política para enfrentar os desafios e, para isso, é necessário entender os problemas em todos os ramos e pensar soluções conjuntas. Afinal, disse ela “não queremos apenas o crescimento da indústria brasileira, queremos enfrentar novos e antigos desafios dos trabalhadores, entre eles, redução da jornada de trabalho, rotatividade, crescimento do emprego de qualidade e do salário. E eventos como este nos preparam para estes desafios”.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústrias da Alimentação (Contac/CUT), Siderlei de Oliveira, também ressaltou a importância do Encontro do Macrossetor, justamente porque preparada o conjunto dos representantes dos trabalhadores da indústria para ações conjuntas.

“A gente espera que este encontro sirva de empoderamento para que possamos discutir com os governos e dentro da Central saídas para os conflitos de todas as categorias”, complementou Paulo Marcelo da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria da Construção e da Madeira (Conticom/CUT).

FORTALECIMENTO DO SETOR
Representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o empresário Emerson Casali justificou a necessidade de apoio diante do peso do setor industrial para a economia brasileira, uma vez que responde por 45% dos tributos, 28% do PIB e 25% dos salários. “O setor industrial já foi responsável por 35,8% do PIB em 1985 e hoje equivale a apenas 14,6%; já respondeu por 25,89% dos empregos em 1986 e caiu para 17,06% em 2010; já significou 64,47% das exportações em 1992 e atualmente representa 36,05%”.
Para Antônio Prado, secretário executivo Adjunto da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o debate promovido pela CUT enfrenta os dogmas do conservadorismo que ataca os direitos sociais como responsáveis pela baixa competitividade. “A ideologia do neoliberalismo entrou em crise do ponto de vista do pensamento, mas continua vivo nas propostas de ajuste europeus que tentam passar qualquer eventual ‘socorro’ ao crivo do FMI”.
Segundo o professor Prado, é preciso levar o desenvolvimento para toda a economia. Neste sentido, são fundamentais políticas de apoio a pequenas e medidas empresas, de estímulo à capacitação profissional, até mesmo para que os trabalhadores possam se incorporar a setores de mais alta produtividade e conseguir melhores condições de trabalho e renda. “É preciso crescer gerando produtividade, crescimento sustentado do salário e absorção dos trabalhadores nos setores de maior produtividade e, portanto, com melhores salários”, encerrou Prado.
Segundo Lucineide Varjão, coordenadora geral da Confederação Nacional dos Químicos, um dos principais desafios da conjuntura é a geração de empregos com igualdade de oportunidades, o que dialoga, frisou, “com a valorização da indústria nacional”.
Representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Vestuário (CNTV/CUT), Carmen Silva Luiz sublinhou a importância do evento para somar experiências e potencializar ações em defesa do salário, dos empregos e direitos dos trabalhadores da indústria.

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), Paulo Cayres, lembrou que o Brasil está crescendo e há mais sinais de migração da indústria do que propriamente de desindustrialização. “Vejo sinais de mudanças, de migração das indústrias para o nordeste. O problema é que a indústria migra, leva os produtos, os empregos e os preços dos produtos, mas os salários não migram. Por isso, temos de fortalecer a indústria, mas principalmente os trabalhadores, o salário e o emprego decente. E emprego decente não é só aquele que formaliza carteira, é aquele que não mata, que não mutila, que não assedia trabalhadores”.

Sérgio Nobre encerrou dizendo que nenhum país do mundo conseguiu avançar em termos de políticas públicas e sociais sem ter uma indústria forte, inovadora.“Matar a indústria é matar nosso projeto de desenvolvimento econômico com justiça social”.

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