AES Tietê: gestão temerária

AES Tietê: gestão temerária
05 abril 13:40 2012 Débora Piloni

Empresa implementa medidas que geram total insatisfação nos locais de trabalho  e impactam diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores

De dois anos para cá, a gestão da AES Tietê sofreu profundas mudanças, principalmente nas áreas de Operação/Manutenção e Saúde e Segurança do Trabalho. Isso tem deixado péssimo o clima organizacional o que, entre outros fatores,  têm provocado esgotamento físico e mental entre aqueles que são os reais responsáveis pelos bons resultados da empresa: os trabalhadores.

A triste prova é que muitos companheiros, nos últimos meses, passaram a ter acompanhamento médico com prescrição de medicamentos de forte efeito (“tarja preta”).

Fato gravíssimo: segundo os relatos, o medo de voltar para casa acidentado deixou de ser o grande monstro que ronda a cabeça dos trabalhadores. Agora, o temor maior é retornar ao lar desempregado. “Isso é inadmissível. É desumano. É resultado da pressão psicológica e do assédio moral exercidos pela empresa sobre o seu pessoal. Que fique claro: não aceitamos o acidente de trabalho e nem a demissão imotivada”, sustenta a direção do Sinergia CUT.

OS DESMANDOS

  • Job posting:  esse programa de transferências, implementado pela empresa de maneira unilateral, passou por alterações de procedimentos sem qualquer divulgação aos trabalhadores. Puro desrespeito!
  • Projeto Standart (Desvio de Função):  os trabalhadores passaram a executar funções diferentes daquelas para os quais foram contratados. Agora são responsáveis pela elaboração/preenchimento de documentação para as pastas do chamado Projeto Standart (procedimento de segurança para cada ação de trabalho).  Para tanto, levam até serviço para casa, onde preenchem os papéis.

A rigidez da empresa é tamanha que, de acordo com as denúncias, trabalhadores também são obrigados a comparecer nos locais de trabalho durante período de folga para finalizar a documentação referente ao Standart. Pior: na avaliação individual, sua efetiva função fica em segundo plano, sendo considerada, em primeiro lugar pela empresa, a função adicional. Pura injustiça!

  • Tolerância Zero:  o programa era para ser um reforço à saúde e segurança dos trabalhadores. Porém, a prática da empresa mantém-se invertida a essa lógica. A Tietê vem implementando medidas que contribuem para atos inseguros: assédio moral, jornada excessiva, não cumprimento das folgas legais, entre outras.
  • Uniformes: confeccionados sem a contribuição dos usuários. Por isso, são desconfortáveis e, em alguns locais das usinas, podem levar até ao risco de acidente.
  • Excesso de jornada de trabalho: a falta de mão de obra tem levado muitos trabalhadores a executar um grande número de horas extras. O lazer e o descanso, essenciais a qualquer ser humano, são colocados de lado pela empresa. Isso prejudica em cheio a segurança do trabalho.

 NÃO BASTASSE TUDO ISSO…

  • … Demissões: a AES Tietê realizou duas demissões no último dia 04 como forma de punição aos trabalhadores por um “suposto equívoco” na realização de um procedimento.  Antes de realizar as dispensas a  geradora não levou em consideração que, um dos trabalhadores envolvidos, estava há 13 dias sem folga.

Para a direção do Sinergia CUT, essa é uma relação de “Casa Grande X Senzala”. Por isso mesmo, o Sindicato enviou carta à empresa solicitando a reintegração dos dois demitidos. Caso o pedido não seja atendido, a Justiça será acionada.

CAPRICHA NA MOBILIZAÇÃO!
Em relação a todas essas denúncias e, sem as providências da Tietê, o Sinergia CUT entrou com denúncias no Ministério Público do Trabalho solicitando fiscalização e acompanhamento dos casos.
E, para protestar contra  as intransigências da empresa, o Sindicato estará junto com os trabalhadores para mobilizações e protestos. Porque a intolerância com tais desmandos chegou ao limite  insuportável. Participe!

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