Destino da Celpa, da Rede Energia, está nas mãos de credores

13 março 13:21 2012 Terra online

A recuperação financeira e a sobrevivência da distribuidora de energia paraense Celpa está nas mãos de credores da companhia, avaliam especialistas. As principais dívidas da empresa, que é controlada pelo Grupo Rede Energia e encontra-se em processo de recuperação judicial, são com a Eletrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições financeiras.

A Justiça do Estado do Pará publicou edital, em 8 de março, convocando todos os credores da empresa a apresentarem em 15 dias a declaração do crédito que lhes é devido pela Celpa. Segundo o documento, a Eletrobras teria pelo menos perto de R$ 600 milhões a receber da empresa paraense, considerando também o que é devido às subsidiárias da estatal. A Celpa tem ainda uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão com bancos.

O maior credor entre instituições financeiras é o BNDES, com R$ 235,3 milhões. Outros R$ 141,5 milhões são com o Bradesco, R$ 87,1 milhões com o Itaú BBA (banco de atacado do Itaú Unibanco), R$ 123,9 milhões com o Banco da Amazônia e R$ 76,1 milhões com o Banco do Brasil. Além disso, investidores representados pelo Bank of New York Mellon teriam R$ 443,6 milhões a receber.

Os valores foram apresentados pela Celpa e ainda podem mudar, de acordo com a contestação dos credores. Para um executivo do setor elétrico, será inevitável que os credores abram mão do pagamento de parcela das dívidas, já que um caso extremo de falência da Celpa provavelmente implicaria na perda de todo o valor do principal emprestado à companhia.
“Vai ser uma solução assim: cada um paga um pedaço da conta… Ali a tendência é (intervenção do) governo e participação da Eletrobras”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. “Pode ser uma solução como a da Cemar, mas mesmo no caso da Cemar a Eletrobras entrou”, acrescentou, referindo-se à distribuidora de energia do Maranhão.

Privatizada em 2000, a Cemar passou por problemas financeiros até a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decretar intervenção em 2002. A própria agência coordenou o processo de alienação da empresa, que atualmente é controlada pela Equatorial Energia.

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